Praia marcada por forte apelo turístico convive com índices extremos de contaminação hídrica quase permanentes.
A Praia do Perequê, no Guarujá, mantém a paisagem de vila caiçara, quiosques e barcos de pesca, mas figura hoje entre as áreas com pior qualidade de água do litoral de São Paulo.
Segundo a classificação anual da Cetesb para 2024, das 52 coletas feitas ao longo do ano, apenas uma registrou condições aceitáveis de balneabilidade, o que levou o órgão a apontar o trecho como a praia mais poluída do litoral paulista naquele período.
Mesmo assim, a faixa de areia de aproximadamente 2,4 quilômetros segue recebendo turistas e moradores que buscam gastronomia à base de peixes e frutos do mar, caminhadas e passeios pela orla.
-
Mulher transforma apartamento em depósito com 158 pares de calçados, 140 calças e roupas nunca usadas após compulsão gerar dívida de R$241 mil
-
Peixe mais famoso do Brasil percorre mais de 600 km contra a correnteza, supera barragens por escadas ecológicas e enfrenta rios em cheia para garantir a reprodução em uma das migrações mais impressionantes da biodiversidade brasileira
-
Adeus fotos velhas: função pouco conhecida do Gemini usa IA para restaurar imagens antigas em segundos, corrigindo rasgos, manchas, áreas borradas e cores desbotadas com um prompt profissional baseado em 6 etapas de recuperação
-
Desenganada por um médico aos 7 anos, Cici de Amaralina desafia a medicina há 65 anos como baiana de acarajé e, aos 72, segue no ponto da família, ocupado há mais de 80 anos
A cena de famílias montando guarda-sóis e crianças brincando perto da água, porém, contrasta com a classificação de “imprópria” que predominou quase todo o ano de 2024 nos boletins de balneabilidade.
Poluição na Praia do Perequê e suas causas

A contaminação está ligada, principalmente, a um histórico de saneamento básico insuficiente no bairro do Perequê e em áreas do entorno.
Durante anos, parte dos imóveis não tinha ligação adequada à rede coletora, o que favoreceu o despejo de esgoto doméstico em córregos e rios que deságuam no mar.
Estudos sobre a qualidade ambiental das praias do Guarujá já indicavam o Perequê como um dos pontos mais sensíveis para o lançamento de esgotos e outros poluentes.
Nos últimos anos, a Sabesp e a prefeitura passaram a ampliar a infraestrutura de coleta e tratamento de esgoto na região, com novas redes, estações elevatórias e sistemas voltados a atender milhares de moradores dos bairros Perequê e Jardim Umuarama.
Parte dessas obras já foi concluída, e outras seguem em implantação, com o objetivo declarado de melhorar a balneabilidade da praia e a qualidade da água do Rio do Peixe, que deságua na orla.
A própria geografia contribui para o problema.
O Rio do Peixe funciona como canal de escoamento de tudo o que vem da bacia hidrográfica — inclusive esgoto irregular e lixo — diretamente para o mar.
Em dias de maré e ventos desfavoráveis, a circulação de água na enseada é limitada, o que facilita o acúmulo de poluentes junto à linha de costa.
Relatórios técnicos e organizações locais chamam atenção para o impacto dessa combinação de deficiência de infraestrutura e características naturais na balneabilidade do Perequê.
Além disso, o intenso fluxo de visitantes, sobretudo na alta temporada de verão, aumenta a geração de resíduos sólidos na faixa de areia.
Quando o descarte não segue normas adequadas, parte desse material acaba nos rios e na própria água do mar, agravando ainda mais o quadro de degradação ambiental.
Como a Cetesb classifica a praia e quais são os riscos
A Cetesb monitora a qualidade da água das praias paulistas com coletas semanais.

O principal parâmetro utilizado para classificar se uma área é “própria” ou “imprópria” para banho é a presença de bactérias de origem fecal, como os enterococos, em concentrações acima dos limites definidos em norma.
Quando a maioria das amostras apresenta valores elevados, a praia recebe classificação desfavorável.
No caso do Perequê, o relatório anual referente a 2024 mostra um cenário extremo.
Em praticamente todas as semanas do ano, os níveis de contaminação ultrapassaram o padrão considerado seguro, com apenas um registro de condição adequada para banho.
Isso consolidou a imagem da praia como uma das mais críticas do litoral do estado em termos de poluição da água.
Quando uma praia é considerada imprópria, a orientação dos órgãos ambientais é clara: evitar entrar no mar, sobretudo em trechos sinalizados com bandeiras vermelhas ou placas de advertência.
A ingestão acidental de água contaminada, assim como o contato prolongado com a pele, pode provocar infecções intestinais, problemas dermatológicos e otites, especialmente em crianças, idosos e pessoas com imunidade comprometida.
Turismo no Guarujá e o contraste com a degradação ambiental
O Guarujá está localizado na Ilha de Santo Amaro e é conhecido como “Pérola do Atlântico”, rótulo que reforça a importância do turismo para a economia local.
O município, que tem cerca de 295 mil habitantes segundo estimativa do IBGE para 2025, combina praias urbanizadas, áreas com Mata Atlântica, trilhas e estrutura de serviços que atraem visitantes de diferentes perfis.
Na alta temporada, especialmente entre o Natal e o Réveillon, a cidade se prepara para receber mais de 1,5 milhão de turistas, de acordo com projeções recentes da prefeitura e de órgãos de turismo.
Esse fluxo movimenta hotéis, restaurantes, comércio e serviços, além de gerar empregos temporários.
Dentro desse cenário, a Praia do Perequê exerce papel relevante por unir gastronomia de frutos do mar, pesca artesanal e uma paisagem ainda marcada pela cultura caiçara.
A presença de barracas, restaurantes à beira-mar e venda direta de pescados frescos continua atraindo público mesmo com os alertas de balneabilidade.
O contraste entre o movimento na areia e as recomendações de evitar o banho ilustra a dificuldade de conciliar o turismo tradicional com as limitações impostas pela poluição.
Essa contradição aparece em outras partes da Baixada Santista, mas se torna mais evidente no Perequê por causa da frequência com que a praia recebe a classificação de imprópria.
Enquanto boa parte da economia local depende do mar e da imagem de destino de verão, a persistência de problemas de saneamento e gestão ambiental pressiona o poder público e as companhias de serviços a ampliar investimentos.

Obras de saneamento e monitoramento da balneabilidade
Para enfrentar o quadro, Guarujá e Sabesp vêm anunciando ações específicas voltadas ao bairro do Perequê, com metas de ampliar o percentual da população atendida pela rede de esgoto e reduzir o lançamento de resíduos nos cursos d’água.
Projetos recentes incluem a implantação de dezenas de quilômetros de redes coletoras, estações de bombeamento e melhorias nos sistemas de tratamento, com foco na bacia do Rio do Peixe.
Organizações da sociedade civil cobram que os prazos e metas sejam cumpridos e defendem o fim do despejo de esgoto sem tratamento nos rios que desembocam na praia.
Para esses grupos, só haverá recuperação duradoura da balneabilidade quando a coleta e o tratamento forem efetivos em toda a área de influência do Perequê.
Enquanto a recuperação não se consolida, especialistas reforçam a necessidade de que moradores e turistas acompanhem os boletins semanais de balneabilidade antes de decidir entrar no mar.
Também orientam evitar o banho próximo a saídas de rios e canais, especialmente após chuvas intensas, quando a carga de poluição tende a aumentar.
O episódio do Perequê acaba funcionando como um alerta mais amplo.
Mesmo em cidades turísticas consolidadas, a combinação de ocupação urbana acelerada, saneamento insuficiente e falta de educação ambiental pode comprometer o uso recreativo das praias.
Até que ponto quem visita o Guarujá está disposto a considerar a qualidade da água na escolha de onde passar o dia de praia?

Cadê as fonte das informações?
Usar a foto da praia de uma cidade pra falar de outra é sacanagem
Uma manchete degradante de uma praia no Guarujá e colocam a foto da praia do Gonzaguinha em São Vicente, no mínimo uma demonstração de incompetência. Espera-se no mínimo, uma retratação.