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4 comentários 6 min de leitura

Essa é a praia mais poluída do litoral e ela recebe turistas mesmo sendo imprópria quase o ano todo

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 08/12/2025 às 13:36
Praia do Perequê, no Guarujá, lidera índices de poluição e segue atraindo visitantes mesmo com balneabilidade imprópria quase o ano inteiro.
Praia do Perequê, no Guarujá, lidera índices de poluição e segue atraindo visitantes mesmo com balneabilidade imprópria quase o ano inteiro.
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Praia marcada por forte apelo turístico convive com índices extremos de contaminação hídrica quase permanentes.

A Praia do Perequê, no Guarujá, mantém a paisagem de vila caiçara, quiosques e barcos de pesca, mas figura hoje entre as áreas com pior qualidade de água do litoral de São Paulo.

Segundo a classificação anual da Cetesb para 2024, das 52 coletas feitas ao longo do ano, apenas uma registrou condições aceitáveis de balneabilidade, o que levou o órgão a apontar o trecho como a praia mais poluída do litoral paulista naquele período.

Mesmo assim, a faixa de areia de aproximadamente 2,4 quilômetros segue recebendo turistas e moradores que buscam gastronomia à base de peixes e frutos do mar, caminhadas e passeios pela orla.

A cena de famílias montando guarda-sóis e crianças brincando perto da água, porém, contrasta com a classificação de “imprópria” que predominou quase todo o ano de 2024 nos boletins de balneabilidade.

Poluição na Praia do Perequê e suas causas

Praia do Perequê, no Guarujá, lidera índices de poluição e segue atraindo visitantes mesmo com balneabilidade imprópria quase o ano inteiro.
Praia do Perequê, no Guarujá, lidera índices de poluição e segue atraindo visitantes mesmo com balneabilidade imprópria quase o ano inteiro.

A contaminação está ligada, principalmente, a um histórico de saneamento básico insuficiente no bairro do Perequê e em áreas do entorno.

Durante anos, parte dos imóveis não tinha ligação adequada à rede coletora, o que favoreceu o despejo de esgoto doméstico em córregos e rios que deságuam no mar.

Estudos sobre a qualidade ambiental das praias do Guarujá já indicavam o Perequê como um dos pontos mais sensíveis para o lançamento de esgotos e outros poluentes.

Nos últimos anos, a Sabesp e a prefeitura passaram a ampliar a infraestrutura de coleta e tratamento de esgoto na região, com novas redes, estações elevatórias e sistemas voltados a atender milhares de moradores dos bairros Perequê e Jardim Umuarama.

Parte dessas obras já foi concluída, e outras seguem em implantação, com o objetivo declarado de melhorar a balneabilidade da praia e a qualidade da água do Rio do Peixe, que deságua na orla.

A própria geografia contribui para o problema.

O Rio do Peixe funciona como canal de escoamento de tudo o que vem da bacia hidrográfica — inclusive esgoto irregular e lixo — diretamente para o mar.

Em dias de maré e ventos desfavoráveis, a circulação de água na enseada é limitada, o que facilita o acúmulo de poluentes junto à linha de costa.

Relatórios técnicos e organizações locais chamam atenção para o impacto dessa combinação de deficiência de infraestrutura e características naturais na balneabilidade do Perequê.

Além disso, o intenso fluxo de visitantes, sobretudo na alta temporada de verão, aumenta a geração de resíduos sólidos na faixa de areia.

Quando o descarte não segue normas adequadas, parte desse material acaba nos rios e na própria água do mar, agravando ainda mais o quadro de degradação ambiental.

Como a Cetesb classifica a praia e quais são os riscos

A Cetesb monitora a qualidade da água das praias paulistas com coletas semanais.

Praia do Perequê, no Guarujá, lidera índices de poluição e segue atraindo visitantes mesmo com balneabilidade imprópria quase o ano inteiro.
Praia do Perequê, no Guarujá, lidera índices de poluição e segue atraindo visitantes mesmo com balneabilidade imprópria quase o ano inteiro.

O principal parâmetro utilizado para classificar se uma área é “própria” ou “imprópria” para banho é a presença de bactérias de origem fecal, como os enterococos, em concentrações acima dos limites definidos em norma.

Quando a maioria das amostras apresenta valores elevados, a praia recebe classificação desfavorável.

No caso do Perequê, o relatório anual referente a 2024 mostra um cenário extremo.

Em praticamente todas as semanas do ano, os níveis de contaminação ultrapassaram o padrão considerado seguro, com apenas um registro de condição adequada para banho.

Isso consolidou a imagem da praia como uma das mais críticas do litoral do estado em termos de poluição da água.

Quando uma praia é considerada imprópria, a orientação dos órgãos ambientais é clara: evitar entrar no mar, sobretudo em trechos sinalizados com bandeiras vermelhas ou placas de advertência.

A ingestão acidental de água contaminada, assim como o contato prolongado com a pele, pode provocar infecções intestinais, problemas dermatológicos e otites, especialmente em crianças, idosos e pessoas com imunidade comprometida.

Turismo no Guarujá e o contraste com a degradação ambiental

O Guarujá está localizado na Ilha de Santo Amaro e é conhecido como “Pérola do Atlântico”, rótulo que reforça a importância do turismo para a economia local.

O município, que tem cerca de 295 mil habitantes segundo estimativa do IBGE para 2025, combina praias urbanizadas, áreas com Mata Atlântica, trilhas e estrutura de serviços que atraem visitantes de diferentes perfis.

Na alta temporada, especialmente entre o Natal e o Réveillon, a cidade se prepara para receber mais de 1,5 milhão de turistas, de acordo com projeções recentes da prefeitura e de órgãos de turismo.

Esse fluxo movimenta hotéis, restaurantes, comércio e serviços, além de gerar empregos temporários.

Dentro desse cenário, a Praia do Perequê exerce papel relevante por unir gastronomia de frutos do mar, pesca artesanal e uma paisagem ainda marcada pela cultura caiçara.

A presença de barracas, restaurantes à beira-mar e venda direta de pescados frescos continua atraindo público mesmo com os alertas de balneabilidade.

O contraste entre o movimento na areia e as recomendações de evitar o banho ilustra a dificuldade de conciliar o turismo tradicional com as limitações impostas pela poluição.

Essa contradição aparece em outras partes da Baixada Santista, mas se torna mais evidente no Perequê por causa da frequência com que a praia recebe a classificação de imprópria.

Enquanto boa parte da economia local depende do mar e da imagem de destino de verão, a persistência de problemas de saneamento e gestão ambiental pressiona o poder público e as companhias de serviços a ampliar investimentos.

Praia do Perequê, no Guarujá, lidera índices de poluição e segue atraindo visitantes mesmo com balneabilidade imprópria quase o ano inteiro.
Praia do Perequê, no Guarujá, lidera índices de poluição e segue atraindo visitantes mesmo com balneabilidade imprópria quase o ano inteiro.

Obras de saneamento e monitoramento da balneabilidade

Para enfrentar o quadro, Guarujá e Sabesp vêm anunciando ações específicas voltadas ao bairro do Perequê, com metas de ampliar o percentual da população atendida pela rede de esgoto e reduzir o lançamento de resíduos nos cursos d’água.

Projetos recentes incluem a implantação de dezenas de quilômetros de redes coletoras, estações de bombeamento e melhorias nos sistemas de tratamento, com foco na bacia do Rio do Peixe.

Organizações da sociedade civil cobram que os prazos e metas sejam cumpridos e defendem o fim do despejo de esgoto sem tratamento nos rios que desembocam na praia.

Para esses grupos, só haverá recuperação duradoura da balneabilidade quando a coleta e o tratamento forem efetivos em toda a área de influência do Perequê.

Enquanto a recuperação não se consolida, especialistas reforçam a necessidade de que moradores e turistas acompanhem os boletins semanais de balneabilidade antes de decidir entrar no mar.

Também orientam evitar o banho próximo a saídas de rios e canais, especialmente após chuvas intensas, quando a carga de poluição tende a aumentar.

O episódio do Perequê acaba funcionando como um alerta mais amplo.

Mesmo em cidades turísticas consolidadas, a combinação de ocupação urbana acelerada, saneamento insuficiente e falta de educação ambiental pode comprometer o uso recreativo das praias.

Até que ponto quem visita o Guarujá está disposto a considerar a qualidade da água na escolha de onde passar o dia de praia?

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José Elias
José Elias
15/01/2026 14:56

Cadê as fonte das informações?

Rafael
Rafael
14/12/2025 09:06

Usar a foto da praia de uma cidade pra falar de outra é sacanagem

José M
José M
14/12/2025 08:13

Uma manchete degradante de uma praia no Guarujá e colocam a foto da praia do Gonzaguinha em São Vicente, no mínimo uma demonstração de incompetência. Espera-se no mínimo, uma retratação.

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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