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Esqueça a poeira comum da mineração: BHP combina 150 mil plantas nativas, cortinas quebra-vento e monitoramento em tempo real para reduzir partículas em Port Hedland, onde estoques de minério de ferro enfrentam ventos fortes e até sistemas preparados para ciclones durante operações portuárias

Escrito por Carla Teles
Publicado em 25/05/2026 às 14:54
Atualizado em 25/05/2026 às 14:59
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Mineração da BHP em Port Hedland usa cortinas quebra-vento e plantas nativas para reduzir poeira em operações de minério.
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Com mineração de minério de ferro em Port Hedland, a BHP combina 150 mil plantas nativas, cortinas quebra-vento e software de monitoramento em tempo real para controlar poeira. Programa de AUD 300 milhões incluiu barreiras concluídas em 2024, sistema preparado para ciclones e ações baseadas em dados na Pilbara australiana.

A mineração de minério de ferro da BHP em Port Hedland, na Austrália Ocidental, passou a contar com um conjunto de medidas para reduzir impactos de poeira nas operações da Pilbara. A empresa afirma que trabalha com governo, indústria e comunidade local para aprimorar o controle da qualidade do ar.

Segundo a BHP, o programa foi anunciado em abril de 2020, com investimento de AUD 300 milhões ao longo de cinco anos, e teve resultados detalhados pela BHP em 19 de agosto de 2025. Entre as ações estão o plantio de 150 mil espécies nativas, cortinas quebra-vento, monitoramento em tempo real e sistemas preparados para condições climáticas severas.

Plantas nativas viram barreira contra poeira em Port Hedland

Mineração da BHP em Port Hedland usa cortinas quebra-vento e plantas nativas para reduzir poeira em operações de minério.
Imagem: BHP

Um dos pontos mais visuais do programa é o Projeto LEAF, sigla em inglês para Filtragem de Ar Aprimorada por Folhas. A iniciativa usa 150 mil plantas nativas locais para criar uma barreira vegetal no distrito de West End, em Port Hedland, área ligada às operações de mineração de minério de ferro.

As espécies foram selecionadas para maximizar a captura de poeira em suspensão e melhorar também o aspecto visual da região. A barreira cobre 7 hectares e tem cerca de 2,3 quilômetros de extensão, formando uma estrutura viva entre as operações e o entorno urbano.

Projeto envolveu universidade, comunidade e grupos indígenas

Mineração da BHP em Port Hedland usa cortinas quebra-vento e plantas nativas para reduzir poeira em operações de minério.
Imagem: BHP

A BHP informa que o Projeto LEAF foi realizado em colaboração com a Prefeitura de Port Hedland, Universidade Curtin, Greening Australia, Kariyarra Aboriginal Corporation, Grupo IBN, Yurra, grupos comunitários locais e outras partes interessadas. A proposta foi combinar controle ambiental com resultado paisagístico para os moradores.

Em novembro de 2024, a Prefeitura de Port Hedland assumiu a manutenção e gestão da área. Segundo a empresa, a barreira vegetal continuava se desenvolvendo, apesar de pequenos danos causados pelo Ciclone Tropical Zelia. O detalhe mostra que, na Pilbara, qualquer solução ambiental precisa considerar ventos fortes e eventos extremos.

Cortinas quebra-vento protegem estoques de minério

Mineração da BHP em Port Hedland usa cortinas quebra-vento e plantas nativas para reduzir poeira em operações de minério.
Imagem: Divulgação

Além das plantas, a BHP instalou três cortinas quebra-vento em suas operações de Port Hedland. As estruturas foram concluídas no ano fiscal de 2024 e têm a função de reduzir a velocidade do vento sobre os estoques de minério, diminuindo o potencial de levantamento de poeira.

Essas cortinas foram projetadas para as condições específicas da região de Pilbara e classificadas para resistir a ciclones. Em operações de mineração portuária, controlar o vento é parte direta do controle de partículas, especialmente quando grandes volumes de minério ficam armazenados antes do embarque.

Sistema foi testado por ciclone tropical

No ano fiscal de 2025, o Ciclone Tropical Zelia testou o sistema de ruptura das malhas nas cortinas quebra-vento de Nelson Point e Finucane Island. Segundo a BHP, o mecanismo se comportou como esperado durante o evento climático.

O desenho prevê que os painéis sejam presos por cabos e presilhas que se rompem sob determinada carga. Quando isso acontece, o painel fica marcado ou solto, mas permanece ligado à estrutura. Depois da passagem do clima extremo, os painéis danificados podem ser substituídos e os soltos reinstalados.

Monitoramento em tempo real orienta decisões operacionais

A BHP também utiliza um Sistema de Gestão da Qualidade do Ar, chamado AQMS, para acompanhar dados em tempo real, prever condições futuras e orientar decisões sobre poeira. O software roda em um aplicativo configurável, o P2, usado nas instalações da WAIO em Port Hedland e Newman.

O sistema alerta equipes quando ocorre um evento que exige gerenciamento de poeira ou registro formal. Ele também exige listas de verificação, observações e ações tomadas durante esses eventos, conforme requisitos de licenciamento. A mineração passa, nesse caso, a depender não só de barreiras físicas, mas de resposta operacional baseada em dados.

Dados ajudam a prever e responder a eventos de poeira

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O P2 complementa um sistema de visualização que recebe fluxos de dados quase em tempo real de monitores instalados no local. Esses painéis auxiliam as equipes a responder de forma mais precisa e rápida quando há risco de impacto na qualidade do ar.

Na prática, o monitoramento permite que decisões sejam tomadas antes que o problema se agrave. A combinação entre cortinas quebra-vento, barreiras vegetais e software busca reduzir emissões operacionais de poeira e melhorar os resultados de qualidade do ar nas áreas próximas às operações.

Programa faz parte de compromisso maior da BHP na Pilbara

O Programa de Qualidade do Ar de Pilbara foi apresentado pela BHP como parte de seu compromisso com a melhoria contínua do desempenho ambiental nas operações de minério de ferro. A empresa afirma que busca equilibrar controles de qualidade do ar, serviços locais, empregos e oportunidades econômicas na região.

Esse equilíbrio é especialmente sensível em Port Hedland, onde a mineração convive com áreas urbanas, operações portuárias e pressões regulatórias. A poeira não é apenas um detalhe operacional: ela influencia saúde pública, percepção comunitária, licenciamento e reputação da atividade mineral.

A estratégia da BHP em Port Hedland mostra que a mineração moderna precisa lidar com desafios que vão além da extração e do transporte de minério. Plantas nativas, cortinas contra vento e monitoramento em tempo real entram como parte de uma tentativa de reduzir partículas em uma região marcada por ventos fortes, estoques de minério e risco de ciclones.

Ao mesmo tempo, o caso levanta uma pergunta importante para outras regiões mineradoras: medidas desse tipo conseguem compensar os impactos da atividade ou apenas reduzem parte do problema? Você acredita que barreiras verdes, cortinas quebra-vento e monitoramento em tempo real deveriam virar padrão em grandes operações de mineração? Deixe sua opinião nos comentários.

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Carla Teles

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