A agenda ESG deixou de ser uma tendência passageira e passou a ocupar posição estrutural nas estratégias empresariais brasileiras.
Ao longo dos últimos anos, empresas de diferentes setores incorporaram critérios ambientais, sociais e de governança como parte essencial de seus modelos de negócio. Esse movimento não apenas se mantém, como se fortalece, mesmo em um cenário econômico desafiador.
Segundo a edição mais recente do International Business Report (IBR), pesquisa trimestral conduzida pela Grant Thornton, as empresas brasileiras seguem firmes no compromisso com o ESG. O levantamento reúne percepções de mais de 4 mil líderes empresariais em 35 países, oferecendo uma visão abrangente sobre prioridades corporativas globais e regionais.
De acordo com o estudo, sustentabilidade e responsabilidade corporativa continuam figurando entre os principais pilares estratégicos para o crescimento das empresas no Brasil. Esse resultado indica maturidade da agenda ESG no país, que já não depende apenas de pressões externas, mas integra decisões internas de longo prazo.
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ESG e a evolução da estratégia empresarial no Brasil
Para compreender a relevância desse cenário, é importante observar a trajetória histórica do ESG no ambiente corporativo brasileiro. Até o início da década de 2010, iniciativas ambientais e sociais costumavam ficar restritas a ações pontuais ou departamentos específicos. No entanto, a partir do avanço das discussões globais sobre clima, governança e impacto social, o tema passou a ganhar espaço nas decisões estratégicas.
Segundo a Organização das Nações Unidas, a consolidação do conceito de ESG ocorreu em paralelo ao fortalecimento de compromissos internacionais, como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, lançados em 2015. Desde então, empresas passaram a ser cobradas não apenas por resultados financeiros, mas também por sua contribuição para a sociedade.
No Brasil, esse movimento se intensificou nos últimos anos. Questões como mudanças climáticas, diversidade, transparência e ética corporativa passaram a influenciar o acesso a capital, a reputação e o relacionamento com consumidores. Assim, o ESG deixou de ser custo e passou a ser investimento estratégico.
Sustentabilidade como motor de crescimento
Os dados do International Business Report reforçam essa percepção. Segundo a Grant Thornton, líderes empresariais brasileiros enxergam a sustentabilidade como fator diretamente ligado ao crescimento dos negócios. Essa visão representa uma mudança significativa, pois conecta o ESG à geração de valor econômico.
Além disso, práticas sustentáveis ajudam empresas a reduzir riscos operacionais e regulatórios. Em um ambiente de maior fiscalização e exigência por transparência, organizações com governança sólida e políticas ambientais claras tendem a apresentar maior resiliência.
Outro ponto relevante está na atração de investimentos. Segundo relatórios do Banco Mundial e de instituições financeiras globais, critérios ESG influenciam cada vez mais decisões de alocação de capital. Empresas alinhadas à agenda ESG acessam financiamento com melhores condições, fortalecendo sua competitividade.
O papel da governança e do fator social
Embora o pilar ambiental receba grande atenção, o estudo da Grant Thornton indica que empresas brasileiras também avançam nos aspectos social e de governança. A agenda ESG se mostra cada vez mais integrada, refletindo uma visão sistêmica dos negócios.
No campo social, temas como diversidade, inclusão e desenvolvimento de talentos ganham relevância. Segundo especialistas em gestão corporativa, empresas que investem em capital humano apresentam maior capacidade de inovação e adaptação.
Já no aspecto de governança, transparência, compliance e ética seguem como prioridades. Em um país historicamente marcado por desafios institucionais, fortalecer práticas de governança se torna diferencial competitivo e elemento de credibilidade no mercado.
ESG e o contexto econômico atual
Mesmo diante de incertezas econômicas globais, o compromisso com ESG permanece. Segundo a Grant Thornton, esse dado revela que as empresas brasileiras não tratam a agenda como algo conjuntural. Ela faz parte de uma estratégia de longo prazo, voltada à sustentabilidade do próprio negócio.
Além disso, consumidores e parceiros comerciais exercem influência crescente. Empresas que demonstram compromisso real com ESG tendem a construir relações mais sólidas e duradouras. Esse fator se torna ainda mais relevante em cadeias globais de valor, onde padrões socioambientais são cada vez mais exigidos.
ESG como base para o futuro corporativo
Ao observar os resultados do International Business Report, fica claro que o ESG se consolidou como elemento central do planejamento empresarial no Brasil. Não se trata mais de uma agenda paralela, mas de um eixo que orienta decisões estratégicas, investimentos e gestão de riscos.
Segundo a Grant Thornton, essa tendência deve se manter nos próximos anos, à medida que pressões regulatórias, expectativas da sociedade e desafios ambientais se intensificam. Empresas que integram o ESG de forma genuína tendem a se posicionar melhor nesse cenário.
Assim, o compromisso das empresas brasileiras com ESG sinaliza uma transformação estrutural. A sustentabilidade deixa de ser apenas um discurso e passa a moldar o crescimento corporativo, reforçando a ideia de que desempenho financeiro e responsabilidade caminham juntos em um mercado cada vez mais exigente.


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