A reportagem do ND Notícias mostra a parceria entre a prefeitura catarinense e o governo de Israel: o equipamento da HomeBiogas funciona sem energia elétrica, abastece o fogão da merenda e ainda produz fertilizante para a horta comunitária
Numa escola do sul de Santa Catarina, a casca de cebola que ia para o lixo agora acende a boca do fogão. Segundo o ND Notícias, em reportagem publicada em agosto de 2022, uma instituição de ensino de Tubarão ganhou um biodigestor que transforma restos de comida em gás de cozinha, resultado de uma parceria entre a prefeitura da cidade e o governo de Israel, por meio do consulado.
O equipamento chegou dimensionado sob medida. A capacidade de produção mensal equivale a quase 3 botijões de 13 quilos, exatamente o que a escola precisa para atender as crianças diariamente, conforme o ND Notícias registra. E o sistema entrega um bônus: o fertilizante que sobra do processo alimenta uma horta comunitária dentro da própria escola.
A chama acesa que nasce dos restos de comida
Na rotina da cozinha, a revolução passa despercebida. Segundo o ND Notícias, quem usa garante a qualidade: a chama acesa funciona como a de qualquer outro fogão, basta colocar as panelas e começar a cozinhar, com a equipe da manhã e a da tarde revezando o preparo da merenda.
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A diferença está no cano que alimenta o fogo. O gás vem direto do equipamento instalado na escola, alimentado pelos restos de comida, sem botijão e sem depender de energia elétrica para funcionar, conforme o canal ND Notícias no YouTube mostra. Para a merendeira, mudou apenas a origem da chama; para a conta da escola e para o lixo da cidade, mudou tudo.
Como o biodigestor funciona sem gastar energia

A tecnologia por trás do sistema é biológica, não eletrônica. Segundo o ND Notícias, o equipamento transforma resíduo orgânico, de restos de alimentação a esterco e qualquer biomassa, por meio de um processo de biodigestão anaeróbia: as bactérias consomem o material e geram o gás, que fica acumulado no próprio sistema, conectado diretamente ao fogão.
A demonstração da reportagem cabe numa cena de cozinha. Cascas de cebola, batata e maçã recém-saídas da pia são misturadas com água e despejadas pela abertura do equipamento, devagar, e é só isso, conforme o ND Notícias flagra no passo a passo com a funcionária. De um lado entra o que seria lixo; do outro saem o gás da merenda e o adubo da horta.
Quase 3 botijões por mês: a conta da escola
A economia tem tamanho conhecido. Segundo o ND Notícias, a produção mensal do sistema equivale a quase 3 botijões de 13 quilos, a medida exata do consumo da cozinha que alimenta as crianças todos os dias letivos.
O ganho financeiro, porém, divide o palco com outro objetivo. A economia do gás é declarada como a primeira meta, mas o fator educativo é apresentado como o mais importante do projeto, conforme o ND Notícias registra na fala da gestão municipal. Numa era de botijão pesando no orçamento de escolas e famílias, a matemática do biodigestor escolar soma duas colunas: a que deixa de gastar e a que ensina.
Da casca de cebola à horta: o ciclo completo

O sistema fecha um circuito que as crianças conseguem ver inteiro. Segundo o ND Notícias, além do gás, o biodigestor produz fertilizante, utilizado na horta comunitária da escola, e o plano pedagógico usa cada etapa: a criançada vivencia a preparação da terra, o lançamento da semente, as verduras crescendo, as merendeiras colhendo e a verdura chegando à merenda.
O fecho do ciclo é a parte mais bonita da engenharia. O que não é utilizado na merenda, e antes ia para o lixo, volta ao equipamento e gera mais gás, conforme o ND Notícias descreve. É a economia circular explicada sem livro: o resto do almoço de hoje cozinha o almoço de amanhã, e o que sobra vira alface no canteiro do pátio.
A tecnologia israelense que roda em vários países
O equipamento tem passaporte carimbado. Segundo o ND Notícias, o biodigestor foi entregue pela HomeBiogas, empresa israelense com unidades em vários países, e chegou a Tubarão como doação do consulado de Israel dentro da parceria firmada com a prefeitura.
E o convênio não termina na cozinha. A reportagem registra que outros projetos já saíam do papel, a começar pela irrigação, especialidade israelense forjada na agricultura do deserto, conforme o ND Notícias antecipa na fala da gestão municipal. O biodigestor foi apresentado como o primeiro resultado concreto da cooperação, com a promessa de trazer também a tecnologia de irrigação para as hortas da cidade.
O botijão que pesa no orçamento público
O pano de fundo do projeto é uma conta que toda prefeitura conhece. Cozinha escolar funciona todos os dias letivos, para dezenas ou centenas de refeições, e o gás é uma despesa recorrente que cresce junto com o preço do botijão. Multiplicada pela rede inteira de escolas de um município, a economia de 3 botijões mensais por unidade vira orçamento de verdade.
Há ainda a ponta do lixo, que também custa dinheiro público. Cada quilo de resto de comida que entra no biodigestor é um quilo que deixa de seguir no caminhão para o aterro, reduzindo peso, frete e o metano que a matéria orgânica soltaria decompondo a céu aberto. O mesmo resíduo que era despesa dupla, coleta e gás comprado, vira receita dupla: energia e adubo.
Por que a escola é o endereço perfeito para o biodigestor
A escolha do local tem lógica que vai além da economia. Uma escola produz restos de comida todos os dias, na quantidade certa e no mesmo endereço onde o gás é consumido, eliminando transporte e tornando o sistema autossuficiente no próprio pátio.
O efeito multiplicador é a aposta silenciosa do projeto. Cada criança que aprende a jogar a casca no biodigestor em vez do lixo leva o conceito para casa, e uma geração inteira cresce sabendo que resto de comida é energia, o tipo de educação ambiental que nenhuma cartilha entrega sozinha. Se o Brasil quiser escalar o biogás doméstico, o caminho mais curto passa pela merenda.
O que o caso de Tubarão ensina às outras cidades
O modelo registrado pela reportagem é replicável em qualquer município: um equipamento compacto, sem consumo de energia, alimentado pelo resíduo que a própria cozinha gera, com retorno medido em botijões que deixam de ser comprados e em adubo que deixa de ser necessário.
A régua para copiar bem é a mesma de todo projeto público. Definir quem alimenta o sistema todos os dias, quem cuida da horta e como a economia é medida e divulgada, para que o equipamento não vire enfeite de pátio depois da inauguração. Em Tubarão, a resposta veio da própria rotina escolar: merendeira, professores e alunos assumiram o ciclo, e a chama segue acesa.
Assista à reportagem
O vídeo mostra a chama no fogão, a demonstração com as cascas da cozinha e a horta que recebe o fertilizante do sistema.
O biodigestor da escola de Tubarão prova que a transição energética também acontece em escala de cozinha: restos de comida virando gás, gás virando merenda e merenda virando aula de futuro. Conta pra gente nos comentários: a escola da tua cidade toparia trocar o lixo orgânico por botijão gratuito?

