Avanço do mar no Estreito do Melão, dentro do Parque Estadual Ilha do Cardoso, acelera desde 2024, impacta comunidades caiçaras e leva Justiça a cobrar plano emergencial do Governo de São Paulo
Uma transformação ambiental relevante avança no litoral sul de São Paulo. Em Cananéia, a erosão no Estreito do Melão pode originar uma nova ilha dentro do Parque Estadual Ilha do Cardoso.
Desde 2024, técnicos e moradores acompanham a redução da faixa de terra. Naquele ano, o ponto mais estreito media cerca de 100 metros de largura.
Em 2025, o mesmo trecho caiu para aproximadamente 20 metros. Esse encolhimento confirma a aceleração do processo erosivo.
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Investigação técnica revela avanço acelerado da erosão
Primeiramente, a força constante das águas desgasta um solo já fragilizado. Além disso, a dinâmica costeira intensifica o avanço do mar sobre a barreira natural.
Na prática, o oceano escava a faixa que separa o mar do estuário. Com isso, cria um caminho que pode permitir a entrada definitiva das águas marinhas.
Se o rompimento ocorrer, parte da Ilha do Cardoso ficará isolada. Assim, surgirá uma nova porção insular.
Embora a formação de ilhas faça parte da dinâmica costeira, a velocidade atual preocupa moradores e especialistas.
Mudanças já impactam paisagem e rotina das comunidades
Além do estreitamento da faixa de areia, um canal com cerca de 170 metros de largura e 3 metros de profundidade já se consolidou na região.
Por causa disso, moradores passaram a usar embarcações com mais frequência para atividades básicas. O acesso terrestre a escolas, unidades de saúde e mercados ficou mais difícil.
Durante 2024, relatórios técnicos registraram a intensificação da erosão. Em fevereiro de 2025, decisões judiciais reconheceram a gravidade do cenário.
Hoje, pescadores artesanais e operadores do turismo comunitário já sentem os impactos. As famílias caiçaras também adaptam o uso tradicional do território.
Impactos ambientais e sociais ganham dimensão estratégica
A possível formação de uma nova ilha altera mais do que a paisagem. O fenômeno afeta diretamente o ecossistema do estuário.
Manguezais, áreas de reprodução de espécies marinhas e zonas naturais de proteção costeira enfrentam mudanças nas correntes e na salinidade.
Com a abertura de um novo canal entre o mar e o estuário, cresce o risco de assoreamento. O acúmulo de sedimentos pode reduzir a profundidade em outros trechos.
Essa alteração interfere em rotas de navegação e na pesca artesanal.
Entre os principais efeitos observados estão:
- Risco aos manguezais, com perda de áreas de abrigo.
- Mudança nas correntes, que altera a circulação interna do estuário.
- Isolamento terrestre, que dificulta o acesso das comunidades.
- Pressão sobre serviços públicos, que precisam adaptar transporte e infraestrutura.
Enquanto isso, algumas famílias já consideram mudar de endereço caso o avanço do mar continue.
Justiça determina plano de contingência para o Estreito do Melão
Diante do avanço da erosão, o tema chegou ao Judiciário. Em 2 de fevereiro de 2025, a Justiça determinou que o Governo do Estado de São Paulo apresente um plano de contingência em até 45 dias. Veja imagens da Ilha do Cardoso:
O plano deve incluir medidas emergenciais e ações de médio prazo. Entre elas estão o mapeamento das áreas vulneráveis e a definição de rotas alternativas.
Além disso, o governo deverá oferecer apoio logístico às famílias em risco e manter monitoramento contínuo da largura do estreito.
O documento também prevê reforço na proteção de manguezais e outros ecossistemas sensíveis.
Nova configuração pode redefinir o litoral paulista
Se o rompimento total ocorrer, o litoral sul paulista ganhará uma nova configuração geográfica.
Rotas de navegação poderão mudar. Além disso, gestores poderão revisar limites de uso dentro do parque estadual.
Especialistas em dinâmica costeira explicam que erosão, assoreamento e formação de ilhas integram a evolução natural dos ambientes marinhos.
No entanto, áreas habitadas exigem monitoramento constante e planejamento antecipado.
Agora, decisões sobre proteção ambiental e adaptação das comunidades caiçaras definirão como o litoral sul de São Paulo será vivido nas próximas décadas.

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