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Megaprojeto eólico de 872 MW avança na Bahia com 109 turbinas gigantes e operação garantida por 30 anos

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Escrito por Ana Alice Publicado em 04/10/2026 às 23:09 Atualizado em 04/10/2026 às 23:10
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Assista o vídeoImagem ilustrativa representa o projeto eólico Sento Sé, na Bahia, que prevê 109 turbinas, 872 MW de capacidade e contrato de operação e manutenção por 30 anos. - Foto: Divugação/Montagem
Imagem ilustrativa representa o projeto eólico Sento Sé, na Bahia, que prevê 109 turbinas, 872 MW de capacidade e contrato de operação e manutenção por 30 anos. – Foto: Divugação/Montagem
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Um dos maiores contratos eólicos em desenvolvimento na Bahia reúne turbinas de 8 MW, produção anual estimada em 4,5 TWh e fornecimento de energia ligado também à expansão de data centers no Brasil.

A Bahia prepara um novo projeto eólico de 872 MW de capacidade instalada, formado por 109 turbinas de grande porte no norte do estado. A Casa dos Ventos e a fabricante chinesa Goldwind anunciaram em setembro de 2026 acordos definitivos para o empreendimento Sento Sé, que também terá serviços de operação e manutenção dos aerogeradores contratados por 30 anos.

Cada equipamento será do modelo GWH182-8.0 MW, com potência individual de 8 MW. Multiplicadas pelas 109 unidades previstas, as máquinas chegam exatamente aos 872 MW anunciados para o parque.

O acordo coloca a Goldwind no centro de praticamente toda a etapa relacionada aos aerogeradores. A companhia ficará responsável pelo fornecimento, transporte, instalação e comissionamento das turbinas e, depois da implantação, continuará ligada ao projeto por três décadas através dos serviços de operação e manutenção.

Quando entrar em operação, o empreendimento deverá gerar aproximadamente 4,5 milhões de MWh de eletricidade por ano, ou 4,5 TWh, segundo estimativa divulgada pela fabricante.

Parte dessa energia já tem uma finalidade estratégica indicada pela Casa dos Ventos: abastecer oportunidades relacionadas aos data centers que a companhia desenvolve no Brasil, aproximando a expansão da geração renovável do crescimento de uma atividade que exige fornecimento elétrico contínuo e em grande escala.

Parque terá 109 turbinas de 8 MW cada

O porte dos aerogeradores é um dos principais números do projeto.

As 109 máquinas serão da plataforma GWH182, desenvolvida pela Goldwind para projetos terrestres e condições de vento elevadas. A versão contratada para Sento Sé terá potência nominal de 8 MW por turbina.

Para comparação dentro do próprio setor, equipamentos com essa potência permitem instalar uma grande capacidade usando um número menor de torres do que seria necessário com máquinas de gerações anteriores.

Isso não significa que cada turbina produzirá continuamente 8 MW. A potência representa a capacidade nominal do equipamento, enquanto a geração real varia conforme velocidade do vento, disponibilidade das máquinas, condições da rede e outros fatores operacionais.

A projeção das empresas é de aproximadamente 4,5 milhões de MWh produzidos anualmente quando o complexo estiver em funcionamento.

Segundo a Goldwind, essa geração também poderá evitar cerca de 920 mil toneladas de dióxido de carbono por ano. O número é uma estimativa divulgada pela própria fabricante e está relacionado à comparação entre a geração renovável e fontes com maior intensidade de carbono.

Goldwind ficará ligada ao projeto durante três décadas

O contrato não termina quando as turbinas forem instaladas.

Além de entregar, transportar e colocar os 109 equipamentos em funcionamento, a Goldwind assumirá serviços abrangentes de operação e manutenção durante 30 anos.

Na prática, esse tipo de contrato inclui atividades necessárias para manter os aerogeradores disponíveis ao longo da vida útil, como acompanhamento operacional, manutenção de componentes, suporte técnico, peças, atualizações e intervenções nos equipamentos.

A própria Goldwind informa que seus serviços de O&M incluem manutenção de componentes, fornecimento de peças, atualizações de software, melhorias técnicas e acompanhamento do desempenho dos ativos.

O contrato de Sento Sé, portanto, cria uma relação de longo prazo entre fabricante e empreendimento, em vez de limitar a participação da companhia chinesa à venda das turbinas.

É importante, porém, diferenciar os conceitos: os 30 anos anunciados referem-se aos serviços de operação e manutenção relacionados aos aerogeradores fornecidos pela Goldwind. O comunicado não informa que esse prazo corresponde necessariamente à duração integral da concessão ou da vida útil de todo o complexo.

Representantes da Goldwind e da Casa dos Ventos durante a assinatura dos acordos para o projeto eólico Sento Sé, de 872 MW, previsto para o norte da Bahia. -  Crédito: Goldwind / Divulgação
Representantes da Goldwind e da Casa dos Ventos durante a assinatura dos acordos para o projeto eólico Sento Sé, de 872 MW, previsto para o norte da Bahia. – Crédito: Goldwind / Divulgação

Energia do parque também poderá abastecer data centers

Um dos aspectos menos convencionais do anúncio está no destino de parte da eletricidade.

Lucas Araripe, diretor-executivo da Casa dos Ventos, afirmou que uma parcela da geração deverá fornecer energia renovável para oportunidades de data centers desenvolvidas pela empresa em diferentes regiões do Brasil.

O comunicado não detalha quais instalações receberão essa energia nem qual parcela dos 4,5 TWh anuais ficará vinculada aos projetos digitais.

Ainda assim, a informação acrescenta um componente diferente ao empreendimento. Sento Sé não está sendo apresentado apenas como uma expansão isolada da geração eólica, mas também como uma fonte de eletricidade associada a novos consumidores de grande porte.

Data centers precisam de disponibilidade constante de energia para manter servidores, sistemas de refrigeração e equipamentos auxiliares em funcionamento.

Por isso, grandes projetos digitais têm ampliado a discussão sobre novas fontes de geração e contratos de longo prazo para garantir o suprimento elétrico.

No caso de Sento Sé, a Casa dos Ventos ainda não divulgou volumes contratados nem informou quais data centers serão diretamente vinculados ao parque.

Bahia também fabrica a tecnologia que será usada no projeto

O empreendimento tem outra ligação importante com a Bahia.

A Goldwind mantém em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, sua primeira fábrica de equipamentos eólicos instalada fora da China. A unidade entrou oficialmente em operação em agosto de 2024 e ocupa aproximadamente 50 mil metros quadrados.

A planta foi preparada justamente para produzir equipamentos da família GWH182, a mesma plataforma selecionada para o projeto de Sento Sé.

Segundo a fabricante, a capacidade prevista da unidade é de até 150 turbinas por ano. A fábrica também conta com certificação ligada às regras do Finame, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, para equipamentos que atendem aos critérios aplicáveis.

O acordo divulgado para Sento Sé não especifica quantas das 109 turbinas serão integralmente produzidas ou montadas em Camaçari.

A Goldwind, no entanto, afirmou no anúncio do projeto que vem fortalecendo sua cadeia de fornecimento local e destacou a presença da fábrica baiana como parte de sua estratégia de expansão no mercado brasileiro.

Dessa forma, a Bahia aparece nos dois extremos da cadeia: concentra a região onde o parque será instalado e também abriga uma das estruturas industriais utilizadas pela fabricante para produzir equipamentos eólicos no Brasil.

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Sento Sé já é um polo importante de geração eólica

O norte da Bahia reúne condições de vento que atraem projetos de geração há vários anos.

Sento Sé já figurava entre os municípios com maior presença de empreendimentos eólicos no estado. Dados divulgados pelo governo baiano referentes a 2023 apontavam 58 empreendimentos e mais de 5,7 mil GWh de geração acumulada naquele ano, colocando o município na liderança estadual daquele levantamento.

O próprio histórico de desenvolvimento do projeto que leva o nome de Sento Sé passou por diferentes configurações.

Em 2021, Casa dos Ventos e Acciona Energía anunciaram um acordo envolvendo projetos denominados Sento Sé I e II, então projetados para atingir até aproximadamente 850 MW. A relação comercial entre as empresas referente àqueles ativos foi posteriormente encerrada, em fevereiro de 2025.

O novo acordo anunciado com a Goldwind em setembro de 2026 apresenta uma configuração de 872 MW e 109 aerogeradores de 8 MW, estabelecendo os números atualmente divulgados para o projeto.

Essa mudança de configuração também exige cautela ao comparar documentos antigos de licenciamento ou anúncios anteriores com o empreendimento atual.

Aerogeradores do Complexo Eólico Babilônia Centro, empreendimento da Casa dos Ventos na Bahia. A imagem ilustra a presença da companhia no setor eólico baiano. - Crédito: Casa dos Ventos / Divulgação.
Aerogeradores do Complexo Eólico Babilônia Centro, empreendimento da Casa dos Ventos na Bahia. A imagem ilustra a presença da companhia no setor eólico baiano. – Crédito: Casa dos Ventos / Divulgação.

Contrato é definitivo, mas cronograma completo ainda não foi divulgado

A assinatura com a Goldwind representa um avanço concreto porque define fornecedor, modelo, quantidade de turbinas e responsabilidades de instalação, comissionamento e manutenção.

Isso, porém, não significa que as 109 máquinas já estejam instaladas ou que o parque tenha iniciado operação comercial.

No comunicado mais recente, as empresas não divulgaram uma data definitiva para início das obras nem para entrada em operação do complexo de 872 MW.

Também não foi informado o investimento total atualizado necessário para implantar o parque na configuração anunciada em setembro de 2026.

Essas ausências são relevantes porque projetos eólicos de grande porte passam por diferentes etapas antes da geração comercial, incluindo engenharia, licenciamento, logística dos equipamentos, implantação das fundações, montagem das torres, conexão elétrica e comissionamento.

Por isso, o principal fato confirmado neste momento é a contratação definitiva das 109 turbinas GWH182-8.0 MW e dos serviços de longo prazo fornecidos pela Goldwind.

Projeto poderá gerar 4,5 TWh por ano no norte da Bahia

Caso a implantação avance conforme planejado, Sento Sé adicionará 872 MW de capacidade eólica ao sistema elétrico brasileiro.

A previsão de 4,5 milhões de MWh anuais mostra a escala pretendida para o empreendimento e coloca o projeto entre os grandes ativos renováveis atualmente em desenvolvimento no país.

Além da capacidade de geração, o acordo cria uma operação industrial que continuará por décadas: a Goldwind fornecerá os equipamentos e permanecerá responsável pela manutenção das turbinas por 30 anos.

Para a Casa dos Ventos, parte dessa produção também deverá integrar projetos associados a novos data centers, conectando a geração renovável baiana a um dos segmentos com maior demanda crescente por eletricidade.

O projeto ainda precisa percorrer etapas até a operação comercial, mas o contrato firmado em 2026 já define sua configuração central: 109 turbinas gigantes de 8 MW, 872 MW de capacidade total e uma relação operacional prevista para durar três décadas.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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