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Turbina eólica de 8 MW com rotor de 175 metros, maior que um campo de futebol e meio, é lançada pela Envision e promete de 2% a 12% mais energia no mesmo vento

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 27/09/2026 às 20:33 Atualizado em 27/09/2026 às 20:34
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Turbina eólica da Envision em área rural, em foto da página de turbinas do site oficial da fabricante.
Turbina eólica da Envision em área rural, em foto da página de turbinas do site oficial da fabricante. Foto: Divulgação/Envision Energy
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A turbina eólica Model T EN175/8.0 foi apresentada em 25 de setembro, na feira WindEnergy Hamburg, na Alemanha; é uma máquina terrestre feita para regiões de vento médio, relevo difícil e redes elétricas fracas, segundo a fabricante chinesa.

A Envision Energy lançou uma turbina eólica terrestre de 8 MW com rotor de 175 metros de diâmetro, a Model T EN175/8.0. Segundo a empresa, ela pode gerar de 2% a 12% mais energia do que modelos existentes, dependendo das condições do local.

O lançamento foi feito em 25 de setembro de 2026, na WindEnergy Hamburg, feira do setor eólico em Hamburgo, na Alemanha. O anúncio saiu no comunicado oficial da Envision Energy, distribuído pela PR Newswire.

O rotor de 175 metros é maior que um campo de futebol e meio. A conta está logo abaixo, junto com o que a fabricante diz que muda nessa turbina eólica e onde ela pode ser usada.

O tamanho do rotor da turbina eólica, na conta

O diâmetro do rotor é a distância de ponta a ponta do círculo que as pás desenham ao girar. Na EN175/8.0, são 175 metros, segundo a Envision.

Na mesma escala, o rotor de 175 metros passa em 17,5 metros a medida de um campo de futebol e meio.
Na mesma escala, o rotor de 175 metros passa em 17,5 metros a medida de um campo de futebol e meio. Foto: Arte CPG com dados da Envision Energy
Turbina da Envision em área de serra, em imagem do site oficial da fabricante.
Turbina da Envision em área de serra, em imagem do site oficial da fabricante. Foto: Divulgação/Envision Energy

Um campo de futebol de 105 metros de comprimento, a medida recomendada pela Fifa para partidas internacionais, cabe 1,67 vez nessa distância. A conta mostra: 175 dividido por 105 dá 1,666.

Um campo e meio soma 157,5 metros (105 mais 52,5). O rotor passa dessa marca em 17,5 metros.

Dito de outro jeito: deitado sobre o gramado, o círculo das pás iria de um gol a outro e ainda sobraria.

A área varrida pelas pás

Na energia eólica, o que mais pesa não é só o diâmetro, e sim a área que as pás cobrem ao girar. Essa área é um círculo, e dá para calcular.

Com 175 metros de diâmetro, o raio é de 87,5 metros. A área do círculo é pi vezes o raio ao quadrado: 3,1416 vezes 7.656,25, o que dá cerca de 24 mil metros quadrados.

Um campo de 105 por 68 metros tem 7.140 metros quadrados. A conta mostra que a área varrida pelas pás da EN175/8.0 equivale a 3,4 campos de futebol inteiros.

É essa superfície que captura o vento: quanto maior ela é, mais ar passa pelas pás. A Envision informa que a nova turbina eólica mira justamente locais de vento médio.

O que a Envision anunciou em Hamburgo

A EN175/8.0 é descrita pela Envision Energy como uma turbina eólica terrestre “inteligente” da classe de 8 MW. Ela foi projetada para locais de vento médio e para ambientes de operação complexos.

Ilustração de divulgação da turbina eólica EN175/8.0, lançada pela Envision na WindEnergy Hamburg.
Ilustração de divulgação da turbina eólica EN175/8.0, lançada pela Envision na WindEnergy Hamburg. Foto: Divulgação/Envision Energy

A Envision diz que a máquina junta três frentes: aerodinâmica avançada, trem de força integrado e um sistema de controle que usa inteligência artificial para se ajustar sozinho.

A meta declarada pela empresa é entregar mais energia, mais confiabilidade e mais valor ao longo da vida útil da turbina.

Os 2% a 12% a mais de energia

O ganho de energia é o número mais forte do lançamento. A Envision afirma que, em comparação com modelos existentes, a turbina pode entregar de 2% a 12% a mais, conforme as condições de cada local.

Segundo a Envision, a faixa depende das condições de cada local. É uma promessa da fabricante, e não um resultado medido em campo por terceiros.

Para dar escala, a conta mostra: um parque que produzisse 1.000 megawatts-hora num período passaria a 1.020 a 1.120 megawatts-hora, se o ganho anunciado se confirmar.

De onde vem o ganho, segundo a fabricante

A Envision atribui o ganho ao rotor de 175 metros combinado com os 8 MW de potência nominal, pensados para capturar mais energia em locais de vento médio.

A empresa também cita o próprio modelo de fabricação. Ela desenha e produz em casa as pás, as caixas de engrenagem e os geradores. Segundo o comunicado, isso permite otimizar as peças em conjunto. Também ajuda a controlar qualidade e custo durante toda a vida da turbina.

Pás mais silenciosas

Uma turbina eólica maior costuma levantar a dúvida do barulho. A Envision diz que a EN175/8.0 usa a sexta geração de perfis aerodinâmicos de baixo ruído da empresa.

As pás também ganharam bordas serrilhadas, um recorte em forma de dente na parte de trás da pá. Segundo o comunicado, essa solução foi validada em testes de túnel de vento.

A fabricante informa um nível de potência sonora de 107 dB(A) como meta da turbina. Para projetos perto de áreas sensíveis ao ruído, há modos de operação opcionais mais silenciosos.

Feita para serra, frio e gelo

A EN175/8.0 foi pensada para terrenos montanhosos e para ventos complexos, de acordo com a Envision. Há configurações para regiões com ventos extremos mais fortes.

Turbina terrestre da Envision sobre área de plantação, em imagem do site oficial da fabricante.
Turbina terrestre da Envision sobre área de plantação, em imagem do site oficial da fabricante. Foto: Divulgação/Envision Energy

Há também versão para clima frio, de acordo com o comunicado. Para lugares onde se forma gelo nas pás, existe um sistema opcional que impede o congelamento.

Esse sistema usa várias zonas de aquecimento, para controlar a temperatura com mais precisão, e é integrado à proteção contra raios da turbina, segundo o comunicado.

Ajuda para redes elétricas fracas

Um ponto técnico do lançamento é a relação com a rede. A Envision afirma que, na energia eólica, as turbinas precisam contribuir mais para a estabilidade do sistema elétrico, à medida que a fatia de energia renovável cresce.

A EN175/8.0 usa um conversor de potência total e controles do tipo grid-forming. Eles ajudam a formar a tensão e a frequência da rede, em vez de só acompanhá-las.

Pelo comunicado, isso dá suporte mais forte de tensão e frequência, resposta rápida a falhas na rede e operação confiável em locais onde a rede elétrica é fraca.

A inteligência artificial no controle

O diferencial que a Envision mais destaca é o controle por inteligência artificial. O sistema se chama Galileo e é alimentado por dois modelos da empresa: o Tianji, de clima, e o Dubhe, de energia.

De acordo com o comunicado, a turbina percebe as condições de operação, analisa dados em tempo real e ajusta a própria estratégia de controle. Em vez de seguir só regras fixas, o Galileo se adapta ao vento e à operação.

O resultado, diz a fabricante, é mais eficiência e estabilidade, com menos intervenção manual.

“A próxima geração da energia eólica não é só fazer turbinas maiores”, disse Lou Yimin, vice-presidente sênior e diretor de produto da Envision Energy, no comunicado. Segundo ele, a ideia é torná-las mais inteligentes e mais confiáveis ao longo da vida útil.

Uma plataforma com mais de 4 mil turbinas encomendadas

A EN175/8.0 não parte do zero. Ela é construída sobre a plataforma Model T, que, segundo a Envision, já soma mais de 4 mil unidades encomendadas e cerca de 1.500 instaladas.

Plataforma Model T tem mais de 4 mil turbinas encomendadas e cerca de 1.500 instaladas, segundo a Envision.
Plataforma Model T tem mais de 4 mil turbinas encomendadas e cerca de 1.500 instaladas, segundo a Envision. Foto: Arte CPG com dados da Envision Energy

A conta mostra o tamanho da fila: 1.500 dividido por 4.000 dá 37,5%. Como as encomendas passam de 4 mil, a fatia instalada é de pouco mais de um terço, no máximo.

Os números informados pela Envision valem para a plataforma Model T como um todo, e não só para a nova EN175/8.0.

Os resultados de testes de materiais e componentes alimentam o Galileo em forma de gêmeo digital, informa a Envision. É uma cópia virtual da turbina, usada para validar e ajustar o projeto.

Onde a nova turbina se encaixa na linha da Envision

O site oficial da Envision ajuda a comparar. Nela, a empresa descreve a plataforma 4.X, voltada a áreas de vento baixo e médio, com rotores de 156 a 192 metros.

A comparação mostra que os 175 metros não são o maior rotor da empresa. Na EN175/8.0, esse rotor vem junto com a classe de 8 MW numa turbina eólica terrestre, segundo o comunicado.

No site oficial da Envision, a empresa lista a turbina marítima EN-171/5.2, com rotor de 171 metros e 5,2 MW. A EN175/8.0, que fica em terra, tem rotor 4 metros maior e potência nominal cerca de 54% maior: 8 dividido por 5,2 dá 1,54.

Para as usinas no mar, a empresa apresenta a plataforma Model Y, de 7 a 16 MW, com rotores de 190 a quase 270 metros.

Outro dado da página: em dezembro de 2021, a Envision instalou em Sheyang, na província chinesa de Jiangsu, uma turbina com torre de aço de 160 metros. A empresa a apresentou como a turbina terrestre mais alta da China com rotor da classe 17X.

Do parque eólico ao sistema de energia

A Envision diz que a plataforma Model T foi desenhada para ir além da turbina isolada. A proposta é coordenar vento, sol, armazenamento em baterias e cargas industriais como um único sistema.

A Envision afirma que isso permitiria otimizar o valor em toda a cadeia, da geração à operação dos ativos, passando pela gestão da energia e pelas contas da usina.

“O valor de uma turbina não deve parar na eletricidade que ela gera”, afirmou Lou Yimin no comunicado, ao defender a ligação entre inteligência artificial, vento, baterias, sol e consumo.

O que 8 MW significam

A potência nominal é o máximo que a turbina entrega com vento forte o bastante. A conta mostra que, a 8 MW durante uma hora inteira, a EN175/8.0 produziria 8 megawatts-hora.

Na energia eólica, nenhuma turbina fica o tempo todo na potência máxima, porque o vento varia. A produção real ao longo do ano depende do local onde a máquina for instalada.

Para comparar dentro da própria empresa, os 8 MW são 78% mais que os 4,5 MW da turbina marítima EN-148/4.5. A Envision descreve essa máquina, em seu site, como o produto marítimo de maior histórico da marca.

A turbina eólica e o Brasil

O comunicado da Envision Energy trata do lançamento global da máquina, apresentado na WindEnergy Hamburg. O anúncio não cita o Brasil nem traz projeto brasileiro com a nova turbina.

Para quem acompanha a energia eólica no país, o que vale por ora é a ficha técnica: rotor de 175 metros, 8 MW e foco em vento médio, conforme a fabricante.

Um detalhe de medida ajuda a ler a ficha. O diâmetro de 175 metros inclui o cubo central onde as pás se prendem, e não equivale ao tamanho de uma pá.

Por que a notícia interessa a quem acompanha energia

Rotor maior e controle mais fino são a aposta da Envision Energy para produzir mais em lugares de vento médio, conforme o comunicado do lançamento.

A corrida por rotores maiores não é só da Envision, como mostra outro projeto de turbinas gigantes na Austrália.

Também há espaço para ganho em turbinas que já estão girando, como mostrou o ajuste de um aerogerador na Bahia.

A Envision apresentou a EN175/8.0 como parte de uma estratégia de tecnologias renováveis que juntam equipamento de alto desempenho, inteligência artificial e dados. Os números de desempenho da nova máquina, por enquanto, são os informados pela própria fabricante.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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