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Enquanto turbinas eólicas costumam ficar em campos abertos ou no mar, no Bahrein três hélices foram presas entre duas torres de 240 metros para transformar vento urbano em energia

Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 23/05/2026 às 17:08
Atualizado em 23/05/2026 às 17:11
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Imagem: Três hélices foram presas entre duas torres de 240 metros para transformar vento urbano em energia no Bahrein
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O Bahrain World Trade Center usa turbinas eólicas entre prédios, duas torres em forma de vela e vento do Golfo Pérsico para gerar parte da energia de um complexo comercial que virou referência rara em engenharia urbana sustentável

Enquanto turbinas eólicas costumam ficar em campos abertos ou no mar, no Bahrein três hélices foram presas entre duas torres de 240 metros para transformar vento urbano em energia. O projeto chama atenção porque usa o próprio formato dos prédios para conduzir o ar até as turbinas.

O complexo é o Bahrain World Trade Center, formado por duas torres comerciais de 50 andares. Entre elas, três passarelas sustentam três turbinas eólicas, criando uma imagem incomum para quem associa energia eólica apenas a parques no solo ou no mar.

As informações foram divulgadas por Otis, empresa de elevadores e tecnologia predial. A fonte detalha que as torres foram abertas em 2008 e receberam um desenho pensado para canalizar ventos offshore, ou seja, ventos vindos da região do mar, em direção às turbinas.

Por que as torres têm formato de vela e como isso ajuda o vento a chegar nas turbinas eólicas

O formato das torres não serve apenas para deixar o prédio bonito no horizonte. A forma lembra velas e também ajuda a guiar o vento para o vão central, onde ficam as turbinas.

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As duas torres têm desenho cônico e elíptico. Em linguagem simples, isso significa que elas têm linhas curvas e partes mais estreitas, o que ajuda o ar a seguir em direção ao meio da estrutura.

Esse desenho faz os prédios funcionarem como guias para o vento. Em vez de apenas enfrentar a força do ar, o Bahrain World Trade Center tenta aproveitar essa força para mover as hélices.

O resultado é um projeto em que arquitetura e energia renovável aparecem juntas. A forma do edifício participa diretamente da geração de energia, e não apenas da aparência externa.

Como três hélices foram presas entre duas torres de 240 metros sem ficarem ao lado do prédio

As turbinas não foram instaladas em um terreno próximo. Elas ficam no espaço entre os dois arranha céus, presas em passarelas que ligam uma torre à outra.

Cada passarela sustenta uma turbina. Assim, as três hélices ficam alinhadas no vão central, exatamente no caminho por onde o vento é canalizado pelas torres.

Essa solução torna o prédio diferente da maioria dos projetos comerciais. Em muitos edifícios, sistemas de energia ficam escondidos. No Bahrein, as turbinas eólicas viraram parte visível da construção.

O ponto mais importante é que tudo precisa trabalhar junto. Torre, passarela, vento e turbina fazem parte de uma mesma ideia, planejada para funcionar dentro das condições específicas do local.

Quanto da energia o Bahrain World Trade Center poderia gerar com as turbinas

As turbinas foram projetadas para fornecer entre 11% e 15% das necessidades de energia do centro comercial. Esse número mostra que o sistema ajuda, mas não substitui toda a eletricidade usada no complexo.

Mesmo assim, a proposta chama atenção porque mostra uma forma diferente de captar energia. O prédio não depende apenas de receber energia da rede, ele também tenta produzir uma parte do que consome.

Otis, empresa de elevadores e tecnologia predial, também informa que o complexo conta com 26 elevadores, incluindo 12 elevadores nas torres e 4 elevadores panorâmicos. Esses dados reforçam a escala do empreendimento.

A principal lição é simples. As turbinas entre prédios podem gerar energia, mas dependem de vento adequado, orientação correta e desenho pensado desde o começo.

Os desafios de colocar turbinas eólicas entre prédios altos ocupados por pessoas

Instalar turbinas em um arranha céu é bem diferente de colocar hélices em um campo aberto. O vento muda de velocidade e direção quando encontra prédios altos.

Por isso, projetos desse tipo precisam considerar vibração, ruído, manutenção e segurança. Uma turbina presa entre torres precisa operar sem comprometer o conforto e a estrutura do edifício.

Também existe o desafio do acesso. Como as hélices ficam suspensas entre os prédios, qualquer manutenção exige planejamento cuidadoso.

Esse é um dos motivos que tornam o Bahrain World Trade Center tão raro. Não basta colocar uma turbina em qualquer fachada. O prédio precisa nascer com essa função dentro do projeto.

Por que esse modelo de arranha céu com turbinas não virou padrão no mundo

A imagem das hélices entre as torres é marcante, mas o modelo não se espalhou como uma solução comum para grandes cidades. A razão está na dificuldade de repetir as mesmas condições em outros lugares.

Nem todo centro urbano tem vento constante, direção favorável e espaço adequado entre edifícios. Além disso, o formato do prédio precisa ajudar o vento, e não atrapalhar o movimento das hélices.

Outro ponto é que a geração prevista cobre apenas parte da demanda. No caso do Bahrain World Trade Center, o sistema foi projetado para suprir entre 11% e 15% da energia do centro comercial.

Por isso, o projeto não deve ser visto como solução universal. Ele funciona como exemplo específico de como uma construção pode usar o vento quando arquitetura, localização e engenharia se encaixam.

O que torna essa obra tão curiosa para o público brasileiro

No Brasil, energia eólica costuma lembrar grandes torres instaladas em áreas abertas, principalmente em regiões de vento forte. Por isso, a ideia de colocar três turbinas entre arranha céus parece fora do comum.

O Bahrain World Trade Center chama atenção porque muda essa lógica. As turbinas ficam no meio de duas torres comerciais de 240 metros, e o próprio desenho dos prédios ajuda a levar o vento até elas.

A obra mostra que a engenharia pode transformar um problema em oportunidade. O vento, que costuma ser um desafio para prédios altos, virou parte do funcionamento do complexo.

Mesmo com limitações, o projeto segue como um dos exemplos mais conhecidos de turbinas eólicas integradas a edifícios altos. Ele prova que energia renovável também pode aparecer dentro da paisagem urbana, quando o projeto é pensado para isso.

O Bahrain World Trade Center combina duas torres de 50 andares, três turbinas eólicas e um desenho em forma de vela para captar vento do Golfo Pérsico. A construção mostra que a aparência de um prédio pode ter função real quando a engenharia entra no centro da ideia.

O modelo não serve para qualquer cidade, mas provoca uma pergunta importante: se prédios altos já enfrentam vento todos os dias, quantos deles poderiam ser desenhados para aproveitar essa força em vez de apenas resistir a ela?

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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