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Esqueça os países ricos: a primeira ilha oceânica habitada da América Latina com energia totalmente limpa fica no Brasil e vai trocar combustíveis fósseis por mais de 30 mil painéis e baterias em projeto ousado de R$ 350 milhões em Fernando de Noronha

Escrito por Ana Alice
Publicado em 14/04/2026 às 07:43
Atualizado em 14/04/2026 às 09:57
Assista o vídeoFernando de Noronha avança na energia solar com baterias e busca cortar combustíveis fósseis na ilha com o novo projeto Noronha Verde. (Imagem: Ilustrativa)
Fernando de Noronha avança na energia solar com baterias e busca cortar combustíveis fósseis na ilha com o novo projeto Noronha Verde. (Imagem: Ilustrativa)
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Uma mudança planejada para o sistema elétrico de Fernando de Noronha coloca a ilha no centro do debate sobre transição energética, custos logísticos e preservação ambiental, enquanto o alcance exato da promessa ainda exige precisão nos dados oficiais.

Projeto Noronha Verde e a mudança na matriz energética

O governo federal, o governo de Pernambuco e a Neoenergia anunciaram o projeto Noronha Verde com a proposta de ampliar a participação da energia solar em Fernando de Noronha e reduzir a dependência de combustíveis fósseis no arquipélago.

Segundo a empresa, a iniciativa prevê a instalação de mais de 30 mil painéis solares e sistemas de armazenamento em baterias, com investimento informado de R$ 350 milhões.

Nas informações oficiais divulgadas até aqui, a meta apresentada é levar a geração renovável local a cerca de 85% e concluir a descarbonização da ilha no primeiro semestre de 2027.

Como funciona hoje o abastecimento de energia em Noronha

Hoje, Fernando de Noronha ainda depende de um sistema isolado de geração elétrica, baseado em usinas térmicas e no envio de combustível a partir do continente.

Esse modelo encarece a operação e mantém a ilha vinculada a uma fonte de energia mais poluente.

Em estudos técnicos do setor, a substituição gradual dessa estrutura aparece como uma das principais frentes para reduzir custos operacionais e emissões no arquipélago.

Energia solar com baterias no arquipélago

A proposta do Noronha Verde combina geração solar com baterias de grande capacidade.

Na prática, a energia produzida durante o dia poderá ser armazenada para uso à noite ou em períodos de menor incidência solar.

O desenho do projeto foi apresentado como uma forma de dar maior estabilidade ao abastecimento em um território que não está conectado ao Sistema Interligado Nacional e depende de soluções locais para equilibrar oferta e demanda.

O que já existe de energia renovável na ilha

O projeto não parte do zero.

Fernando de Noronha já conta com iniciativas anteriores de geração fotovoltaica, mas em escala insuficiente para substituir o modelo térmico que ainda predomina.

A nova etapa amplia essa estrutura e tenta consolidar a energia solar como base do fornecimento local.

Com isso, a expectativa do poder público e da empresa é reduzir a necessidade de transporte de combustível por via marítima para manter em funcionamento residências, hotéis, serviços públicos e atividades ligadas ao turismo.

Patrimônio Mundial e pressão por infraestrutura

Além da mudança no modelo energético, a iniciativa tem peso ambiental por ocorrer em uma área de proteção reconhecida internacionalmente.

Fernando de Noronha recebeu da Unesco, em 2001, o título de Patrimônio Mundial Natural.

Nesse contexto, qualquer alteração na infraestrutura da ilha costuma ser acompanhada com mais atenção por envolver preservação ambiental, atividade turística e limites operacionais próprios de um território insular.

População de Fernando de Noronha e demanda por energia

Os dados populacionais também ajudam a dimensionar o projeto.

Ao contrário do que aparece em parte de textos replicados na internet, o arquipélago não tem cerca de 30 mil moradores.

Segundo o IBGE, Fernando de Noronha registrou 3.167 habitantes no Censo de 2022 e tinha população estimada em 3.341 pessoas em 2025.

Embora o número de residentes seja menor, a demanda por serviços e energia cresce com a circulação de visitantes ao longo do ano e com a estrutura necessária para atender o turismo local.

Declarações da Neoenergia sobre custos e subsídios

A transição energética também foi apresentada pelas autoridades e pela concessionária como uma medida com impacto econômico.

Ao anunciar o projeto, o CEO da Neoenergia, Eduardo Capelastegui, afirmou que a iniciativa representa “um grande avanço para a ilha e para o setor elétrico nacional, na medida em que viabiliza a produção de energia renovável em um sistema isolado como o de Fernando de Noronha”.

Em outra manifestação pública sobre o tema, ele declarou que a ampliação da geração renovável também tende a reduzir encargos e subsídios associados à energia produzida com combustível fóssil em sistemas isolados.

O plano para substituir a geração térmica

O plano prevê, portanto, uma mudança estrutural no modo como a eletricidade é produzida em Noronha.

Em vez de depender majoritariamente de uma base térmica abastecida por combustível transportado do continente, a ilha passaria a operar com predominância de geração solar apoiada por armazenamento.

A proposta é tratada pelos responsáveis pelo projeto como um modelo para outras áreas isoladas, sobretudo em locais onde o custo logístico do abastecimento térmico é mais alto.

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O que está confirmado nas fontes oficiais

Nas fontes oficiais consultadas, o ponto confirmado é a implantação do Noronha Verde, com cronograma, investimento anunciado, expansão da infraestrutura fotovoltaica e meta de descarbonização.

O que se encontra com segurança é a descrição de uma transição acelerada para uma matriz majoritariamente renovável, com previsão de eliminar a geração fóssil local dentro do cronograma anunciado.

Há um empreendimento em execução, com metas públicas e participação direta de agentes do setor elétrico e do poder público.

Também há uma mudança concreta em curso na matriz energética da ilha.

Transição energética em área isolada

Fernando de Noronha reúne, ao mesmo tempo, restrições ambientais, custos logísticos elevados e pressão permanente por infraestrutura.

Nesse cenário, a substituição da geração térmica por fontes renováveis ganhou espaço como política energética e como pauta de gestão local.

O cronograma divulgado aponta para a entrada em operação das novas estruturas dentro da fase atual do projeto, enquanto a comprovação do resultado final dependerá da execução integral das obras e do desempenho do sistema quando ele estiver plenamente em funcionamento.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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