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Enquanto a seca ameaça milhões, a China avança com uma tecnologia capaz de transformar água do mar em água potável por menos de US$ 1, gerar hidrogênio verde e converter resíduos em energia e produtos valiosos, em uma solução que pode redefinir o futuro da escassez hídrica no mundo

Escrito por Ana Alice
Publicado em 28/04/2026 às 16:00
Atualizado em 28/04/2026 às 16:58
China testa tecnologia que transforma água do mar em água doce por menos de US$ 1 e ainda gera hidrogênio com calor industrial.
China testa tecnologia que transforma água do mar em água doce por menos de US$ 1 e ainda gera hidrogênio com calor industrial.
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Nova tecnologia chinesa usa água do mar e calor industrial para gerar água doce, hidrogênio e salmoura rica em minerais, com custo divulgado abaixo de US$ 1 por metro cúbico.

A China apresentou em Rizhao, na província de Shandong, um sistema experimental que usa água do mar e calor residual de indústrias próximas para produzir água doce, hidrogênio e salmoura rica em minerais.

Segundo o South China Morning Post, com base em informações da imprensa provincial chinesa, a instalação produz água a cerca de 2 yuans por metro cúbico, valor equivalente a aproximadamente US$ 0,28.

O projeto foi divulgado como uma unidade de integração entre dessalinização e produção de hidrogênio.

De acordo com a publicação, a planta opera com água do mar e calor de baixa temperatura liberado por siderúrgicas e petroquímicas da região, em vez de depender apenas de energia elétrica convencional.

Tecnologia chinesa combina água do mar, calor industrial e hidrogênio

A instalação em Shandong segue um modelo no qual a água do mar não é usada apenas como fonte para obtenção de água doce.

O sistema também aproveita o processo para gerar hidrogênio e separar uma salmoura com potencial de uso industrial, segundo a cobertura feita a partir de dados divulgados na China.

Na operação descrita pela imprensa, o calor residual de indústrias próximas é incorporado ao processo.

Esse reaproveitamento reduz a necessidade de descarte dessa energia térmica e permite que parte do tratamento da água seja integrada à produção de hidrogênio.

A eletrólise direta da água do mar é um desafio técnico porque sais e outros compostos presentes no ambiente marinho podem acelerar corrosão, danificar componentes e reduzir a estabilidade dos equipamentos.

Por isso, reportagens especializadas apontam que o teste chinês foi acompanhado com atenção por envolver operação contínua e uso direto de água marinha.

O sistema foi descrito como um projeto-piloto de 110 quilowatts.

Segundo a Hydrogen Insight, a unidade operou por mais de 500 horas e produziu hidrogênio diretamente da água do mar, sem a etapa convencional de dessalinização antes da eletrólise.

Custo da água dessalinizada depende da operação integrada

O valor de cerca de US$ 0,28 por metro cúbico é o principal dado associado ao projeto.

No entanto, esse custo foi apresentado dentro de um modelo integrado, em que a água doce é apenas um dos produtos obtidos no sistema.

Isso significa que a comparação com plantas tradicionais de dessalinização precisa considerar as condições específicas da instalação de Rizhao.

O uso de calor residual, a produção de hidrogênio e o aproveitamento da salmoura fazem parte do cálculo econômico divulgado pela imprensa chinesa e reproduzido por veículos internacionais.

Em plantas convencionais, a dessalinização costuma ser avaliada principalmente pelo volume de água produzido, pelo consumo de energia e pelos custos de operação e manutenção.

No caso chinês, o projeto acrescenta outras receitas potenciais ao processo, como o hidrogênio e materiais derivados da salmoura.

Por esse motivo, o custo informado não pode ser tratado como uma tarifa universal aplicável a qualquer região costeira.

A viabilidade econômica depende da proximidade com polos industriais, da disponibilidade de calor reaproveitável, da estabilidade dos equipamentos e da existência de demanda para os subprodutos.

Água doce, hidrogênio e salmoura saem do mesmo processo

Segundo o South China Morning Post, a unidade pode processar 800 toneladas de água do mar por ano e entregar 450 metros cúbicos de água doce ultrapura, 192 mil metros cúbicos padrão de hidrogênio e 350 toneladas de salmoura rica em minerais.

A mesma reportagem afirma que a água obtida poderia ser usada em resfriamento industrial ou em uso residencial.

A produção de hidrogênio também foi destacada nas informações divulgadas.

O consumo informado é de 4,2 quilowatts-hora por metro cúbico de hidrogênio, dado que indica desempenho próximo ao de processos convencionais de eletrólise, segundo a cobertura especializada.

Apesar disso, a classificação do hidrogênio como “verde” depende da origem da eletricidade usada no processo.

Em termos técnicos, esse rótulo costuma ser associado à eletrólise alimentada por fontes renováveis ou de baixa emissão.

Quando a energia vem de uma rede com participação relevante de combustíveis fósseis, a avaliação ambiental exige análise específica da matriz usada.

A salmoura, por sua vez, aparece no projeto como insumo para a indústria química marinha.

Em sistemas convencionais, esse resíduo exige controle ambiental, principalmente por causa da concentração de sais e da forma de descarte no ambiente costeiro.

No modelo divulgado em Rizhao, a proposta é reduzir o descarte e direcionar parte desse material para uso industrial.

A efetividade dessa etapa, porém, depende da composição da salmoura, da escala de produção e da capacidade de absorção pela indústria local.

© https://x.com/gujratsamachar
© https://x.com/gujratsamachar

Projeto de dessalinização no Chile tem outro desenho

O debate sobre a tecnologia chinesa ocorre em paralelo à expansão de projetos de dessalinização em países afetados por seca.

No Chile, a região de Coquimbo avançou com uma planta destinada ao abastecimento humano e a usos múltiplos, mas o projeto não é a mesma tecnologia apresentada em Shandong.

A Sacyr Water formalizou, em abril de 2026, a adjudicação da planta dessalinizadora de Coquimbo.

Segundo a empresa, o projeto prevê investimento próximo de US$ 318 milhões, capacidade inicial de 800 litros por segundo e possibilidade de expansão para 1.200 litros por segundo.

A companhia informa que a obra deve beneficiar mais de 540 mil pessoas nas comunas de La Serena e Coquimbo.

O projeto é promovido pela Direção Geral de Concessões do Ministério de Obras Públicas do Chile e busca reforçar o abastecimento em uma das regiões do país afetadas pela escassez hídrica.

A Infrastructure Finance & Investment também informou que o Ministério de Obras Públicas chileno concedeu à Sacyr Agua o contrato para projetar, financiar, construir e operar a planta.

O contrato prevê prazo de operação de 21 anos a partir da entrada provisória em funcionamento.

Empresas chinesas chegaram a ser citadas entre grupos interessados em concessões e projetos de infraestrutura no Chile, mas não há confirmação de que China Road and Bridge Corporation ou China Harbour Engineering Company participem da execução da planta de Coquimbo.

A informação confirmada é que a concessão da dessalinizadora foi adjudicada à Sacyr Agua.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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