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Enquanto a cidade de 42 milhões de pessoas afunda, governo aposta na selva para erguer nova capital de US$ 33 bilhões que ainda enfrenta atrasos e incertezas

Publicado em 16/05/2026 às 21:56
Atualizado em 16/05/2026 às 21:59
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Vista panorâmica dos edifícios do governo da Indonésia em Nusantara. – Imagem: Wikicommons
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Projeto de US$ 33 bilhões para trocar Jacarta por Nusantara avança devagar em Bornéu, enfrenta corte de financiamento, dúvidas legais, impactos ambientais e preocupação sobre virar uma cidade fantasma antes de 2030

Orçada em US$ 33 bilhões, Nusantara deveria substituir Jacarta como capital da Indonésia até 2030, mas o projeto lançado em 2019 avança lentamente na selva de Bornéu, entre cortes de financiamento, dúvidas legais e temores ambientais.

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Capital planejada na selva

A proposta do governo indonésio era erguer uma capital do zero, longe de Jacarta, para aliviar problemas administrativos, urbanos e ambientais da maior cidade do país, pensada perto do centro geográfico do arquipélago.

Jacarta concentra uma região metropolitana estimada em cerca de 42 milhões de habitantes. Além do trânsito crônico e da pressão sobre serviços públicos, a capital enfrenta enchentes recorrentes e afunda ano após ano.

Pelo plano anunciado no fim da década passada, a sede do poder seria transferida para Nusantara, área de Bornéu onde vivem apenas cerca de 10 mil pessoas. O prazo original previa conclusão em cerca de uma década.

Com poucos anos restantes até 2030, cresce a preocupação de que a cidade planejada não alcance o ritmo necessário e acabe associada à imagem de cidade fantasma.

Obras começaram depois do anúncio

O proejto foi lançado em 2019 pelo então presidente Joko Widodo, com a promessa de criar uma capital planejada. A pedra fundamental saiu no mesmo ano, mas a construção começou apenas em 2022.

Nos dois primeiros anos, o avanço foi consistente. Em 2024, já havia prédios governamentais importantes, edifícios comerciais, bancos, parques e um aeroporto construídos na área escolhida.

O cenário mudou após a posse de Prabowo Subianto, em outubro de 2024. O novo presidente determinou que Nusantara seria transformada na capital política do país em 2028, não na capital plena imaginada no começo.

A diferença gerou incerteza porque a categoria de capital política não existe na legislação indonésia. Como a proposta inicial previa transferência completa, a viabilidade institucional passou a ser questionada.

Financiamento menor e recuo privado

As dúvidas atingiram o orçamento. O financiamento anual, antes na casa dos bilhões de dólares, foi reduzido para apenas US$ 400 milhões. A iniciativa privada também recuou nos aportes.

Organizações internacionais passaram a demonstrar preocupção ambiental. A região de Bornéu escolhida para abrigar Nusantara era praticamente intocada antes das obras e reúne fauna e flora biodiversas, incluindo espécies ameaçadas.

Nos últimos dois anos, as obras desmataram mais de 2 mil hectares de manguezais. Também afetaram o povo Balik, com destruição de plantações, monumentos religiosos e perda de acesso a recursos naturais.

O governo afirma estar em sintonia com a comunidade local, que ainda deseja que Nusantara dê certo. Também sustenta que a construção não causará impactos ambientais significativos.

Defensores do empreendimento dizem que 75% dos 1.000 hectares do entorno urbano serão preservados. No discurso oficial, a promessa de concluir a capital segue mantida.

Promessas para 2028

O governo confirma que os prédios do Legislativo e do Judiciário ficarão prontos no próximo ano. Afirma que o presidente se mudará para a cidade em 2028.

Prabowo Subianto visitou Nusantara oficialmente pela primeira vez em janeiro de 2026. A ida foi apresentada como reafirmação do compromisso com o projeto herdado de Joko Widodo.

O desfecho ainda segue concentrado em 2028. Esse ano deve mostrar se a cidade assumirá papel real no governo ou se continuará cercada por dúvidas sobre prazo, função e financiamento.

Jacarta afunda e segue superlotada

No caso indonésio, a ideia era reduzir os problemas de Jacarta. A cidade cresceu de forma intensa, com ocupação desordenada, trânsito constante e pressão sobre serviços públicos.

As enchentes são agravadas por áreas costeiras abaixo do nível do mar. Chuvas extremas e mudanças climáticas aumentam a recorrência desses episódios.

O afundamento tem relação com a falta de saneamento. Milhões recorrem a poços artesianos, o que acelera a retirada de água dos aquíferos e reduz a sustentação do solo.

O problema envolve urbanização rápida, extração excessiva de água subterrânea, fatores geológicos naturais e sedimentos pouco consolidados. Cerca de 60% da população depende de poços artesianos.

Mesmo concluída, Nusantara pode não aliviar Jacarta, pois a mudança não deve reduzir sua população de forma relevante. A região metropolitana tem 40 milhões de habitantes, enquanto a nova capital foi planejada para pouco mais de 1 milhão.

Com informações de Seu Dinheiro.

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Romário Pereira de Carvalho

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