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Engenheiros da China iniciam construção de usina solar térmica de 50 MW a 4.550 metros de altitude e preparam complexo com 400 MW fotovoltaicos para integrar energia limpa estável no planalto tibetano

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 24/04/2026 às 16:58 Atualizado em 24/04/2026 às 17:09
China inicia usina solar térmica a 4.550 m e integra complexo de 400 MW fotovoltaicos para gerar energia limpa estável no Tibete.
China inicia usina solar térmica a 4.550 m e integra complexo de 400 MW fotovoltaicos para gerar energia limpa estável no Tibete.
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Projeto em altitude extrema combina geração solar térmica e fotovoltaica para garantir fornecimento contínuo de energia limpa no planalto tibetano, com armazenamento em sal fundido e desafios logísticos impostos por clima severo, baixa pressão atmosférica e janela curta de construção anual.

A China General Nuclear Power Group iniciou em Damxung, no município de Lhasa, na Região Autônoma de Xizang, a construção de uma usina solar térmica de 50 MW instalada a 4.550 metros de altitude.

A planta integra um complexo renovável que também prevê uma unidade fotovoltaica de 400 MW.

O projeto combina geração fotovoltaica e tecnologia solar térmica por calhas parabólicas, modelo em que espelhos concentram a radiação solar para produzir calor.

Segundo a Xinhua, o sistema usará óleo térmico como fluido de transferência e terá armazenamento em sal fundido com capacidade para até seis horas.

Essa estrutura permitirá que a usina térmica produza eletricidade mesmo sem incidência direta de sol, inclusive à noite.

A solução foi planejada para reduzir oscilações da geração fotovoltaica e aproveitar energia solar que poderia deixar de ser enviada à rede elétrica.

Tecnologia solar térmica e armazenamento de energia

A etapa termossolar terá um campo de espelhos de 242 mil metros quadrados, responsável por captar e concentrar a luz solar.

O calor gerado será transferido ao óleo térmico e depois armazenado em sal fundido, tecnologia usada para prolongar a produção elétrica além do período de maior insolação.

Diferentemente dos painéis fotovoltaicos, que convertem a luz diretamente em eletricidade, a usina solar térmica transforma radiação em calor antes de gerar energia.

Essa diferença explica o papel do projeto dentro do complexo, já que o armazenamento térmico ajuda a compensar variações naturais do sol.

A parte fotovoltaica, com capacidade projetada de 400 MW, começou a ser construída em setembro de 2025.

Com a nova frente termossolar, o empreendimento passa a operar como um sistema híbrido, desenhado para entregar energia limpa com maior previsibilidade.

Desafios de construção em alta altitude

A localização é um dos principais desafios da obra.

Damxung fica em uma área fria, elevada e com baixo nível de oxigênio, condição que afeta tanto os trabalhadores quanto a operação de máquinas e equipamentos.

De acordo com a Xinhua, o período anual de construção no local vai apenas de abril a outubro.

Essa janela reduzida obriga as equipes a concentrar etapas importantes em poucos meses, com planejamento logístico adaptado ao clima e à altitude.

Para manter as atividades no canteiro, foram instalados sistemas de aquecimento, fornecimento de oxigênio e uma câmara hiperbárica.

A estrutura busca proteger a saúde dos trabalhadores em um ambiente onde o ar rarefeito pode comprometer o desempenho físico e a segurança operacional.

Capacidade de geração e impacto ambiental

O empreendimento é investido e desenvolvido pela CGN New Energy (Damxung) Co., Ltd. A previsão divulgada é que o complexo integrado entre em operação total até 2027.

Quando estiver em funcionamento, a expectativa oficial é de geração anual de cerca de 719 milhões de kWh.

O volume, segundo a agência chinesa, poderá economizar aproximadamente 216,9 mil toneladas de carvão equivalente e reduzir 652,3 mil toneladas de dióxido de carbono.

Além da geração elétrica, a obra já produziu impacto econômico local. A Xinhua informou que o projeto criou mais de 2 mil empregos e movimentou mais de 5,2 milhões de yuans em receita regional por meio do uso de mão de obra e equipamentos.

Expansão da energia renovável em Xizang

A usina de Damxung faz parte de uma estratégia mais ampla para aproveitar recursos solares, eólicos e hídricos em Xizang.

A região, apesar das dificuldades ambientais, tem sido tratada como área relevante para a expansão de bases integradas de energia limpa.

Segundo o relatório de trabalho do governo regional citado pela Xinhua, Xizang pretende elevar sua capacidade instalada de geração de 13 milhões de kW em 2025 para 20 milhões de kW em 2026.

A meta envolve projetos que combinam diferentes fontes renováveis em pontos estratégicos do território.

Nesse contexto, o complexo de Damxung reúne três elementos centrais para a expansão elétrica chinesa em áreas extremas: grande capacidade solar, armazenamento térmico e integração com a rede.

A proposta é transformar a alta radiação do planalto tibetano em fornecimento mais estável, sem depender apenas da produção instantânea dos painéis solares.

A construção também mostra como regiões de difícil acesso passaram a ser incorporadas aos planos de infraestrutura energética.

Em áreas antes associadas principalmente ao frio, à altitude e à logística complexa, a disponibilidade de recursos naturais tornou-se um fator estratégico para projetos de grande escala.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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