1. Início
  2. / Construção
  3. / Engenheiro constrói casa com mais de 100 mil jornais velhos e impressiona pela resistência; conhecida como Paper House, o imóvel tem paredes com 215 camadas de jornal envernizado e móveis onde ainda é possível ler manchetes de mais de um século atrás
Tempo de leitura 6 min de leitura Comentários 0 comentários

Engenheiro constrói casa com mais de 100 mil jornais velhos e impressiona pela resistência; conhecida como Paper House, o imóvel tem paredes com 215 camadas de jornal envernizado e móveis onde ainda é possível ler manchetes de mais de um século atrás

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 12/06/2026 às 16:27
Assista o vídeoEngenheiro constrói casa com mais de 100 mil jornais velhos e impressiona pela resistência; conhecida como Paper House
paredes com jornais antigos e verniz
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo

Construída em 1922 por Elis Stenman, a Paper House usa mais de 100 mil jornais nas paredes e móveis e segue de pé em Rockport, nos Estados Unidos.

Em 1922, o engenheiro mecânico sueco Elis F. Stenman começou a construir uma casa de verão em Rockport, Massachusetts, com uma ideia que parecia absurda até para os padrões da época: usar jornal como material de construção. Segundo a Roadtrippers e o site oficial da Paper House, o projeto começou com estrutura convencional de madeira, mas mudou completamente quando Stenman decidiu testar se folhas de jornal, prensadas, coladas e envernizadas, poderiam funcionar como paredes reais. Mais de um século depois, a casa continua de pé e se transformou em uma das atrações mais curiosas da costa de Massachusetts.

A construção é estimada em mais de 100 mil jornais. O que torna a história ainda mais impressionante é que Stenman não parou nas paredes. Ele também criou boa parte da mobília com o mesmo material, transformando a residência em uma cápsula do tempo feita de papel, verniz e improviso engenhoso.

Segundo a Roadtrippers, a pergunta mais comum dos visitantes continua sendo a mesma há décadas: por que alguém faria isso. O próprio acervo histórico da casa mostra que ninguém respondeu isso de forma totalmente definitiva.

Elis Stenman transformou jornal em material de construção ao testar uma ideia de engenharia

Elis Stenman não era artista nem arquiteto experimental. Segundo o site oficial da Paper House, ele era um engenheiro mecânico que projetava máquinas usadas para fabricar clipes de papel. Isso ajuda a entender por que a casa nasceu mais como um experimento técnico do que como um gesto estético. Ele queria saber até onde um material barato, abundante e descartável poderia ir quando tratado com método e paciência.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Segundo o relato preservado pela família no site oficial, Stenman misturava uma cola caseira feita de farinha, água e substâncias pegajosas como casca de maçã, depois colava camada sobre camada de jornal até formar painéis densos. A intenção original era usar o papel apenas como isolamento, mas quando percebeu a rigidez que o material ganhava depois de seco, decidiu manter as superfícies expostas em vez de recobri-las com tábuas externas.

O resultado foi uma casa com paredes de papel endurecido e protegido por verniz marítimo impermeável. Essa cobertura foi o que permitiu que o material resistisse ao clima litorâneo de Cape Ann durante décadas, preservando até hoje textos e manchetes impressas em várias partes da estrutura.

As paredes da Paper House foram feitas com centenas de camadas de jornal prensado

Segundo o site oficial da Paper House, a casa tem estrutura de madeira, piso de madeira e telhado convencional, mas o material das paredes é basicamente papel prensado com cerca de uma polegada de espessura, pouco mais de 2,5 centímetros.

A lógica construtiva era simples e ao mesmo tempo improvável: empilhar e colar sucessivas folhas de jornal até criar uma massa rígida e estável.

Engenheiro constrói casa com mais de 100 mil jornais velhos e impressiona pela resistência; conhecida como Paper House
paredes da casa de papel – Reprodução

No interior da estrutura, Stenman também usou rolos de jornal para preencher espaços entre as partes de madeira, reforçando a função de isolamento. O papel, tratado dessa forma, passou a atuar como preenchimento, parede e acabamento visual ao mesmo tempo. Isso deu à casa uma característica única: ela não apenas foi feita de jornal, como ainda exibe parte desse jornal até hoje.

A durabilidade do resultado é o ponto que mais impressiona. O que deveria ser um material frágil e temporário resistiu por mais de cem anos com manutenção relativamente simples, baseada sobretudo em novas camadas de verniz ao longo do tempo.

Móveis de jornal transformaram a casa em cápsula do tempo dos anos 1920 e 1930

Depois de concluir a estrutura principal, Stenman decidiu levar a ideia até o fim. Segundo a Roadtrippers e o site oficial da casa, ele produziu mesa, cadeiras, luminárias, escrivaninha, sofá, relógio de pé, estante e outras peças usando pequenos rolos de jornal cortados em diferentes tamanhos, colados e pregados para formar peças funcionais.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Alguns desses móveis preservam jornais ligados a acontecimentos históricos marcantes. A escrivaninha, por exemplo, foi associada a exemplares que cobriam o voo de Charles Lindbergh a Paris em 1927, enquanto o relógio de pé exibe jornais dos 48 estados que formavam os Estados Unidos naquele período.

As cortinas também seguiram a lógica do papel, feitas por Esther Stenman com tiras trançadas de capas de revista.

Engenheiro constrói casa com mais de 100 mil jornais velhos e impressiona pela resistência; conhecida como Paper House
mobilia feita de revistas

As exceções mais conhecidas são o piano, que foi apenas revestido com jornal, e a lareira, que é de tijolo e podia ser usada normalmente. Essa combinação entre funcionalidade e excentricidade ajudou a transformar a casa em atração ainda enquanto estava sendo concluída.

Paper House virou atração em Rockport antes mesmo de ficar pronta

Segundo o site oficial da Paper House, visitantes curiosos começaram a aparecer ainda nos anos 1920, quando a notícia de que um homem estava construindo uma casa de papel em Rockport começou a circular pela região. O projeto virou assunto local e passou a atrair pessoas interessadas em ver de perto a construção improvável.

Engenheiro constrói casa com mais de 100 mil jornais velhos e impressiona pela resistência; conhecida como Paper House
paper house por fora – Reprodução

A casa acabou sendo aberta como museu ainda na primeira metade do século XX e permanece até hoje sob administração ligada à família Stenman.

Ela funciona em Pigeon Cove, em Rockport, e recebe visitantes durante a temporada mais quente do ano, preservando não só a estrutura, mas também a atmosfera de um experimento doméstico transformado em marco histórico.

O aspecto mais curioso é que, por fora, a Paper House parece relativamente discreta. Sem a identificação adequada, ela poderia passar despercebida em meio às outras casas da rua. O que a diferencia está justamente no material e no fato de que suas paredes ainda podem ser lidas em vários trechos.

A casa de jornal prova que técnica e paciência podem transformar lixo em estrutura durável

A Paper House sobreviveu por mais de um século e virou prova concreta de que um material considerado descartável pode ganhar vida longa quando tratado com técnica, método e proteção adequada. O jornal que deveria ir para o lixo foi transformado em parede, móvel, revestimento e memória preservada.

Engenheiro constrói casa com mais de 100 mil jornais velhos e impressiona pela resistência; conhecida como Paper House
paredes com jornais antigos e verniz

Mais do que uma curiosidade arquitetônica, a casa também funciona como arquivo físico de uma época. Manchetes, anúncios, tipografias e páginas inteiras ficaram congelados sob camadas de verniz, como se o papel impresso tivesse encontrado uma forma improvável de escapar da própria obsolescência.

No fim, a obra de Elis Stenman responde à pergunta central sem precisar de explicação direta. Ele construiu uma casa de jornal porque queria testar até onde um material comum podia ir. O que ficou de pé em Rockport mostra que a resposta era muito mais longe do que qualquer visitante imaginaria em 1922.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x