Mantis, criado por Matt Denton, pesa 1,9 tonelada, tem seis pernas hidráulicas e entrou para o Guinness como o maior robô hexápode pilotável do mundo.
Quando tinha sete anos, o engenheiro britânico Matt Denton saiu do cinema impressionado com os veículos gigantes vistos em Star Wars. Décadas depois, essa fascinação virou uma máquina real. O resultado foi o Mantis, um robô hexápode gigante capaz de carregar um piloto humano e caminhar sobre seis pernas independentes. Segundo o Guinness World Records, o Mantis é o maior robô hexápode pilotável do mundo, com 2,8 metros de altura, 5 metros de diâmetro e cerca de 1,9 tonelada.
O projeto chamou atenção porque une engenharia mecânica pesada, hidráulica, software de controle e uma aparência que lembra uma aranha metálica saída da ficção científica. Mais do que um robô cenográfico, o Mantis foi construído como uma máquina funcional, capaz de ser pilotada de dentro do cockpit ou operada remotamente por Wi-Fi.
Matt Denton levou anos para transformar a ideia do Mantis em um robô funcional
Segundo o Guinness World Records, Matt Denton começou a construir o Mantis em 2009 e o projeto segue recebendo melhorias desde então. Antes dele, Denton já havia desenvolvido diversos robôs menores, o que ajudou a formar a base técnica necessária para criar um hexápode em escala gigante.
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Matt Denton
A construção exigiu anos de pesquisa, testes e correções. O desafio não estava apenas em fazer a máquina andar, mas em coordenar peso, equilíbrio, articulações, fluxo hidráulico e resposta aos comandos do operador em uma estrutura de quase duas toneladas. O Mantis não nasceu pronto. Ele foi refinado ao longo do tempo até atingir o nível que o colocou no livro dos recordes.
Esse processo também reflete a trajetória profissional do criador. Segundo a página oficial de Matt Denton na Micromagic Systems, ele passou cerca de 30 anos trabalhando na indústria britânica de cinema e televisão, especializado em sistemas de controle animatrônico e robótica para produções de grande porte.
Seis pernas hidráulicas e 18 graus de liberdade permitem ao Mantis caminhar sem rodas
O que diferencia o Mantis de um veículo convencional é a ausência total de rodas. Segundo o Guinness World Records, a máquina usa seis pernas hidráulicas com 18 graus de liberdade, controladas por dois joysticks de três eixos e 28 botões. Essa arquitetura permite que cada perna se mova de forma coordenada, mantendo estabilidade durante a caminhada.
Esse tipo de locomoção é muito mais complexo do que dirigir um veículo com pneus ou esteiras. Em vez de simplesmente girar rodas, o sistema precisa calcular a posição e o movimento de cada perna em sequência, garantindo que o robô não perca o equilíbrio nem sobrecarregue uma articulação específica.
É justamente essa complexidade que faz do Mantis um projeto tão incomum dentro da robótica pilotável.
A vantagem dessa configuração está na capacidade de avançar em superfícies irregulares e manter uma presença visual e mecânica muito diferente da de qualquer veículo comum. O Mantis não foi desenhado para velocidade, mas para demonstrar como um grande robô caminhante pode ser controlado em escala real.
Motor Perkins turbo diesel move quase duas toneladas de estrutura robótica
Segundo o Guinness World Records, o Mantis é movido por um motor Perkins turbo diesel de 2,2 litros. Esse conjunto alimenta o sistema hidráulico responsável por acionar as pernas e manter o robô em operação.
Apesar do porte impressionante, a velocidade máxima passa de pouco mais de 1 km/h, algo em torno de 0,6 mph. Esse número pode parecer modesto, mas faz sentido dentro da proposta da máquina. O objetivo nunca foi construir um robô rápido, e sim um hexápode gigante estável, controlável e estruturalmente viável.
A velocidade reduzida também ajuda a preservar a segurança e a integridade do sistema, já que a coordenação de seis pernas hidráulicas em uma máquina de 1,9 tonelada exige controle fino, precisão e resposta confiável do software e dos atuadores.
Computador com Linux funciona como cérebro do Mantis
Segundo o Guinness World Records, o cérebro do Mantis é um PC com Linux, responsável por interpretar os comandos do operador e coordenar continuamente os movimentos da máquina. O sistema conecta cockpit, joysticks, sensores e atuadores hidráulicos em uma mesma lógica de controle.
Essa camada de software é essencial porque um robô hexápode de grande porte não pode depender apenas de comando mecânico direto.

Matt Denton
Cada passo exige sincronização de múltiplos pontos de movimento, correção de postura e distribuição adequada de carga. O Linux entra nesse contexto como base estável para o sistema computacional embarcado.
Além da pilotagem interna, o Mantis também pode ser operado remotamente por conexão sem fio, ampliando seu valor como demonstração técnica, veículo de exibição e plataforma robótica experimental.
Criador do Mantis trabalhou em Star Wars, Harry Potter e Jurassic World
O Mantis não foi criado por um engenheiro desconhecido. Segundo a página oficial de Matt Denton na Micromagic Systems, ele construiu carreira em animatrônicos e sistemas robóticos para cinema e televisão, com participação em franquias como Star Wars, Harry Potter e Jurassic World.

Matt Denton
A mesma página também destaca que Denton recebeu reconhecimento importante por seu trabalho no droide BB-8, de Star Wars, e menciona diretamente seu recorde no Guinness com o Mantis. Isso ajuda a explicar por que o projeto mistura tão bem impacto visual, engenharia funcional e apelo cinematográfico.
Em outras palavras, o Mantis não nasceu apenas da cultura maker ou da curiosidade técnica. Ele também carrega a experiência de décadas de um profissional acostumado a construir máquinas que precisam parecer impressionantes, mas também funcionar de verdade.
Mantis virou prova de que uma obsessão de infância pode se transformar em robótica real
O que torna o Mantis tão marcante não é só o tamanho. É o fato de que ele conseguiu unir escala, pilotagem humana, locomoção hexápode e presença visual extrema em uma única máquina. Segundo o Guinness World Records, isso foi suficiente para colocá-lo oficialmente no topo da categoria de maior robô hexápode pilotável do mundo.
Ao mesmo tempo, o projeto ajuda a mostrar como grandes ideias de engenharia nem sempre nascem apenas em laboratórios governamentais ou multinacionais.
Às vezes, elas começam com uma obsessão de infância, passam por décadas de experiência profissional e acabam materializadas em aço, hidráulica, software e diesel.
No caso do Mantis, a criança que saiu do cinema imaginando uma máquina gigante acabou construindo uma de verdade. E essa máquina não ficou restrita ao imaginário da ficção científica. Ela caminhou até o livro dos recordes.

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