Estudo publicado na Nature Energy por pesquisadores da Universidade de Tsinghua e outros institutos modela um sistema elétrico global de emissões líquidas zero, estima demanda horária em diferentes regiões e aponta que solar, eólica, transmissão internacional e redução de barreiras comerciais seriam decisivas para viabilizar eletricidade limpa até 2050
Estudo publicado na Nature Energy calcula que um sistema elétrico global de emissões líquidas zero até 2050 exigiria entre 15 e 20 TW de energia renovável variável, ampla expansão solar e eólica, transmissão internacional e redução de barreiras comerciais para baixar custos.
Renovável em escala global exigiria até 20 TW, indica estudo
Entre 15 e 20 TW de energia renovável variável seriam necessários para sustentar, até 2050, um sistema elétrico global de emissões líquidas zero, tecnicamente capaz de atender padrões decentes de vida em todas as regiões.
A estimativa vem de estudo publicado na Nature Energy por pesquisadores da Universidade de Tsinghua e outros institutos. O trabalho modelou como a eletricidade limpa poderia ser produzida, armazenada, transmitida e usada em escala mundial.
-
Mais de 60 tratores tomaram as ruas de Lopera quando parques solares passaram a disputar espaço com olivais e o número de árvores afetadas foi de 13 mil a até 100 mil nas contas rivais
-
Sem decreto, o hidrogênio verde espera há 18 meses para destravar projetos bilionários no Nordeste, enquanto empresas aguardam para avançar com investimentos e contratos
-
Brasil fecha maior leilão de energia da história, contrata 18,97 GW e movimenta R$ 64,5 bilhões para garantir abastecimento até 2031
-
Como a Noruega gera mais energia do que consome usando quase 1.800 hidrelétricas e mais de 1.100 reservatórios
A análise parte de uma questão central para governos, engenheiros e planejadores: se o planeta pode operar apenas com eletricidade limpa, equilibrando emissões e remoções de gases de efeito estufa. Esse equilíbrio é chamado de emissões líquidas zero.
Modelo cruzou demanda horária, território e infraestrutura
O estudo desenvolveu um sistema global resolvido no espaço e no tempo, com grade de 0,25° por 0,25° e 8.760 horas. Na prática, a equipe estimou a demanda elétrica de diferentes regiões durante todas as horas de um ano.
A partir dessa leitura, o modelo avaliou onde poderiam ser instaladas tecnologias renováveis, principalmente solar e eólica, considerando disponibilidade de terra e proximidade com áreas habitadas. A distância até centros de carga foi tratada como fator essencial.
O objetivo foi desenhar um sistema integrado, capaz de cootimizar expansão de capacidade e operação. Isso significa calcular onde construir, quanto instalar e como operar a infraestrutura para atender a demanda.
As tecnologias consideradas incluem células solares, turbinas eólicas, hidrelétricas, produção de hidrogênio verde, captura e armazenamento de carbono, além de transmissão em ultra-alta tensão. O estudo também avaliou cenários de demanda e avanço sociotecnológico.
Energia renovável aparece como viável, mas com grandes exigências
Os resultados indicam que sistemas elétricos globais de emissões líquidas zero são tecnicamente viáveis. Essa conclusão, porém, depende de uma implantação ampla de energia renovável variável e de infraestrutura capaz de conectar produção e consumo.
Um dado central é a necessidade de 15 a 20 TW de VRE, sigla usada para energia renovável variável. Essa categoria reúne fontes como solar e eólica, que dependem de condições naturais e exigem planejamento operacional detalhado.
A equipe também calculou que mais de 80% desses recursos renováveis estariam a até 200 quilômetros dos centros de carga. Essa proximidade sugere potencial técnico relevante, mas não elimina desafios de transmissão, operação e coordenação internacional.
A energia solar fotovoltaica, sozinha, exigiria mais de 9 milhões de hectares. O número mostra que o uso da terra é um ponto crítico para transformar a viabilidade técnica em implantação real, especialmente em regiões densamente ocupadas.
África poderia ganhar acesso mais econômico à eletricidade
O estudo aponta que recursos abundantes de energia renovável variável podem ampliar o acesso econômico à eletricidade em regiões de baixa renda, com destaque para partes da África. A expansão poderia contribuir para justiça climática e inclusão energética.
A lógica é que áreas com bons recursos solares e eólicos poderiam produzir eletricidade limpa de forma competitiva, reduzindo barreiras históricas de acesso. O modelo relaciona a transição energética não apenas à mitigação climática, mas também à equidade.
Esse ponto é relevante porque emissões líquidas zero não dependem apenas de tecnologia. O desenho do sistema precisa atender necessidades universais de eletricidade associadas a padrões de vida decentes, sem concentrar benefícios em regiões já mais ricas.
Custos caem com demanda flexível e cooperação internacional
Além da viabilidade técnica, o estudo identificou estratégias para reduzir custos. A gestão do lado da demanda, com mudanças em quando e como a eletricidade é usada, poderia cortar 6,5% dos custos do sistema, cerca de US$ 182 bilhões por ano.
A expansão da transmissão internacional teria potencial para reduzir custos em 5,6%, aproximadamente US$ 157 bilhões anuais. Já a remoção de barreiras comerciais a tecnologias renováveis poderia gerar queda de 12,2%, equivalente a US$ 345 bilhões por ano.
Esses resultados indicam que a transição renovável global não depende apenas de instalar painéis solares e turbinas eólicas. Ela exige redes maiores, comércio menos restritivo, coordenação internacional e planejamento de consumo.
Para formuladores de políticas públicas, o estudo oferece um mapa técnico de prioridades. Investimentos em transmissão internacional, redução de tarifas e remoção de obstáculos comerciais podem influenciar diretamente o custo de um sistema elétrico líquido zero.
Estudo publicado em Nature Energy.
