1. Início
  2. / Economia
  3. / Empresários montam contra-ataque ao fim da jornada 6×1, pressionam por adiamento após a eleição e colocam na mesa 40 horas e remuneração por hora
Tempo de leitura 6 min de leitura Comentários 0 comentários

Empresários montam contra-ataque ao fim da jornada 6×1, pressionam por adiamento após a eleição e colocam na mesa 40 horas e remuneração por hora

Escrito por Geovane Souza
Publicado em 22/02/2026 às 19:55
Atualizado em 22/02/2026 às 19:56
Empresários montam contra-ataque ao fim da jornada 6x1, pressionam por adiamento após a eleição e colocam na mesa 40 horas e remuneração por hora
Setor empresarial quer adiar votação e propõe alternativas como 40 horas e remuneração por hora. PEC de Erika Hilton avança com apoio na Câmara
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo

Entidades empresariais e frentes no Congresso articulam freio à mudança da jornada 6×1 com foco em adiar a votação, ampliar o debate técnico e testar saídas como 40 horas semanais e remuneração por hora.

Associações empresariais, líderes setoriais e frentes parlamentares organizaram um plano em três frentes para tentar frear o fim da jornada 6×1. A estratégia combina o adiamento da votação para depois das eleições, a produção de estudos e campanhas para expor custos e riscos, e a apresentação de alternativas legislativas. De acordo com O Tempo, em 22 de fevereiro de 2026, o movimento ganhou tração após o governo Lula decidir enviar um projeto ao Congresso e a Câmara abraçar uma PEC sobre o tema.

Segundo o jornal, a principal aposta é empurrar a votação para após outubro, quando termina o processo eleitoral. Empresários avaliam que será difícil barrar mudanças no primeiro semestre pelo forte apelo junto ao eleitorado, cenário semelhante ao da ampliação da isenção do IR para quem ganha até R$ 5.000, aprovada mesmo com críticas ao novo tributo sobre rendas acima de R$ 50 mil. O cálculo político pesa diretamente sobre o ritmo da tramitação.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), encampou a PEC da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), o que, na avaliação das entidades, dá mais tempo ao debate pela via constitucional. Em nota, a CNI defendeu separar o debate técnico do calendário eleitoral e pediu uma discussão “orientada por evidências”. Já o presidente da CNT, Vander Costa, disse que não se trata de atrasar, mas de “discutir no tempo certo, sem afogadilho”.

Segundo informações de Folhapress, a Câmara pode votar o tema em maio, caso prevaleça a agenda do presidente da Casa. O governo, porém, tenta um projeto em regime de urgência, o que encurtaria prazos. Enquanto isso, frentes parlamentares preparam mais de dez pedidos de audiências públicas para alongar o debate na CCJ.

Plano empresarial prioriza adiar votação depois de outubro e articular alternativas no Congresso

A diretriz central é impedir que a mudança caminhe no primeiro semestre, quando o apelo eleitoral tende a amplificar o apoio à proposta. Dirigentes avaliam que, como ocorreu com a isenção do IR até R$ 5.000, a pressão das ruas empurra a votação, mesmo contra críticas técnicas. Por isso, a palavra de ordem é ganhar tempo.

A escolha de Hugo Motta pela via de PEC reforça essa aposta, já que o rito constitucional exige mais etapas e quórum mais alto. O plano empresarial começa pela CCJ, onde serão questionados eventuais conflitos com cláusulas pétreas, enquanto frentes articulam mais de dez audiências para ampliar o contraditório. Depois, uma comissão especial deve debater ajustes de mérito.

O presidente da Frente Parlamentar do Empreendedorismo, deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), considera provável que a votação ocorra ainda no primeiro semestre e, por isso, defende apresentar alternativas viáveis. Ele critica a jornada 4×3 prevista na proposta de Erika Hilton e admite que um modelo 5×2 “já começa a melhorar”, mas ainda prefere tratar de redução de horas, não apenas de dias.

Propostas em discussão reduzem jornada ou flexibilizam regras com foco em custos e adaptação

Para Joaquim Passarinho, a jornada 4×3 “é uma bomba” e pode “quebrar até o governo”, por exigir contratações e reajustes acelerados. Como alternativa, ele sugere reduzir a carga semanal de 44 para 40 horas, diminuindo uma hora por ano a partir de 2027, com meta de chegar a 2030 de forma gradual. O objetivo é dar previsibilidade e tempo de adaptação.

Se o governo insistir em extinguir o 6×1, outra saída ventilada é combinar a mudança com a PEC de Mauricio Marcon (PL-RS), que autoriza modelo de jornada flexível com remuneração por hora, inspirado nos Estados Unidos. A proposta permitiria calibrar custos pelo efetivo número de horas trabalhadas. Também entrou no radar uma desoneração ampla da folha para mitigar o impacto de contratações adicionais.

Relator de subcomissão que discutiu o tema em 2025, o deputado Luiz Gastão (PSD-CE), ligado ao comércio e serviços, defende reduzir para 40 horas semanais sem limitar o número de dias trabalhados. Na avaliação dele, impor dois dias fixos de descanso desestruturaria rotinas de empresas com operação contínua.

Como contraponto, o então presidente da Comissão de Trabalho, deputado Léo Prates (PDT-BA), propôs elevar de 8 para 10 horas a jornada máxima diária, com limite de cinco dias por semana. “A bandeira do movimento é acabar com a jornada 6×1, ter dois dias de descanso para o trabalhador. O resto é acessório”, afirmou, sintetizando a prioridade social da pauta.

Setores temem impacto em custos, preços e informalidade e preparam ofensiva pública

Entidades organizam estudos, campanhas e pesquisas de opinião para rebater argumentos pró-mudança e dimensionar efeitos práticos. Um manifesto em elaboração, que já reúne cerca de 90 entidades, deve ser entregue em 3 de março aos presidentes de várias frentes parlamentares e apresentado a Hugo Motta em seminário. As peças enfatizam risco de repasse de custos ao consumidor, alta da informalidade e pressão sobre salários.

No setor de bares e restaurantes, o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, avalia contratar pesquisa para testar o apoio quando os impactos forem conhecidos. Ele projeta 20% de aumento nos gastos para cobrir folgas extras com novas contratações e estima alta de 7% nos preços ao cliente. “É difícil propor trabalhar menos e a pessoa ser contra, mas não está claro o peso para os serviços”, diz.

Falta de mão de obra pressiona lógica de transição e negociação coletiva ganha força

O presidente da CNT, Vander Costa, alerta que o Congresso deve avaliar se este é o momento adequado para reduzir jornada, diante da escassez de profissionais. “Tem caminhão e ônibus parados por falta de motorista”, afirma, defendendo que tudo seja construído via negociação coletiva, evitando uma regra única num país de dimensões continentais.

Em nota, a CNI cobrou um debate sereno, guiado por evidências e voltado a resultados duradouros. A combinação de gargalos de qualificação, calendário eleitoral e impacto fiscal reforça, para as entidades, a necessidade de um desenho de transição que minimize choques no curto prazo.

Calendário eleitoral e comparação com a isenção do IR ajudam a explicar a pressa e a cautela

A lembrança recente da ampliação da isenção do IR até R$ 5.000 é citada como exemplo de pauta com forte apelo popular. Mesmo com críticas ao novo imposto sobre rendas acima de R$ 50 mil, a oposição apoiou o projeto, evidenciando a força do tema perante os eleitores. O paralelo ajuda a entender por que há pressa de um lado e cautela de outro.

No caso do fim do 6×1, a leitura é semelhante. Como a proposta de mais folgas tende a ser bem recebida, empresários veem poucas chances de reversão substancial no primeiro semestre. Daí a movimentação para empurrar a apreciação para após outubro e, nesse intervalo, consolidar estudos, simulações e alternativas.

Os próximos passos incluem a análise de admissibilidade na CCJ, seguida de comissão especial e, a depender do acordo, votação possivelmente em maio. Paralelamente, o manifesto de cerca de 90 entidades chega às frentes no dia 3 de março, enquanto o governo insiste no envio de um projeto em urgência para acelerar o processo.

O que você acha mais sustentável para o país neste momento, acabar já com o 6×1, migrar para um 5×2, reduzir para 40 horas até 2030 ou apostar na remuneração por hora? Deixe seu comentário e diga qual caminho melhor equilibra emprego, preços e produtividade. O debate está aberto e a controvérsia é parte essencial de uma boa decisão pública.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Geovane Souza

Especialista em criação de conteúdo para internet, SEO e marketing digital, com atuação focada em crescimento orgânico, performance editorial e estratégias de distribuição. No CPG, cobre temas como empregos, economia, vagas home office, cursos e qualificação profissional, tecnologia, entre outros, sempre com linguagem clara e orientação prática para o leitor. Universitário de Sistemas de Informação no IFBA – Campus Vitória da Conquista. Se você tiver alguma dúvida, quiser corrigir uma informação ou sugerir pauta relacionada aos temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: gspublikar@gmail.com. Importante: não recebemos currículos.

Compartilhar em aplicativos
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x