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Empresa terá que pagar indenização de R$ 3.197,18 a empregada acusada de falsificar atestado odontológico

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 23/12/2025 às 14:27
TRT aponta abuso de poder e violação à dignidade após acusação de crime no trabalho, com indenização de R$ 3.197,18
Caso de atestado odontológico vira disputa trabalhista e resulta em indenização de R$ 3.197,18 por exposição e perda de credibilidade
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Decisão da 5ª Turma do TRT da 5ª Região reconheceu assédio moral após acusação pública e fixou indenização por danos morais

A 5ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região, na Bahia, determinou o pagamento de R$ 3.197,18 por danos morais a uma auxiliar de saúde bucal acusada de apresentar atestado odontológico falso.

A conclusão foi de que houve constrangimento público, perda de credibilidade entre colegas e abalo emocional, situação que acabou levando à dispensa da trabalhadora.

A decisão também apontou que a forma como a acusação foi conduzida extrapolou o ambiente de cobrança profissional e atingiu diretamente a dignidade da empregada.

O que aconteceu e por que isso chamou atenção

A auxiliar afirmou que realizou um procedimento odontológico em um posto de saúde da rede pública, foi atendida por uma cirurgiã dentista, recebeu um atestado e entregou o documento à empresa no dia seguinte.

Mesmo assim, a autenticidade do atestado foi colocada em dúvida e a situação gerou exposição diante de outras pessoas no ambiente de trabalho.

O caso ganhou relevância porque a acusação envolveu uma suspeita de crime, com impacto direto na reputação e no vínculo profissional da trabalhadora.

Como a acusação virou um problema para a empresa

A decisão registrou que a gerente da clínica, superior hierárquica da trabalhadora, questionou o documento e foi pessoalmente ao posto de saúde para confrontar a profissional que o emitiu.

Em juízo, a própria dentista confirmou que foi confrontada pela gerente diante da hipótese de falsificação.

Esse tipo de abordagem foi tratado como conduta incompatível com um ambiente de trabalho saudável, por expor a empregada e reforçar a suspeita sem o devido cuidado.

Por que a Justiça entendeu que houve assédio moral

O colegiado considerou que a trabalhadora sofreu assédio moral, entendido como prática que causa humilhação, constrangimento e desgaste psicológico no trabalho.

A relatora, desembargadora Tânia Magnani, enquadrou a conduta como abuso de poder, com violação à dignidade e acusação indevida de crime.

Também ficou registrado que o episódio ultrapassou o campo dos aborrecimentos comuns do cotidiano profissional, por atingir a honra e a imagem da empregada.

O que significa indenização por danos morais nesse tipo de caso

A indenização por danos morais busca compensar o sofrimento e o impacto emocional causados por uma conduta ofensiva, especialmente quando há exposição e perda de credibilidade.

Nesse cenário, o foco não é apenas o desconforto, mas a repercussão na vida profissional e pessoal, como o abalo psicológico e a quebra de confiança no ambiente de trabalho.

A condenação se conecta ao entendimento de que a empresa tem dever de preservar respeito, dignidade e condições mínimas de convivência no trabalho.

Como funciona o processo quando há discussão sobre atestado

Em disputas desse tipo, o processo costuma avaliar o contexto da entrega do documento, a forma de apuração e o comportamento de superiores e colegas no ambiente profissional.

Quando há confronto direto e exposição, a análise tende a se concentrar no efeito prático da conduta, como constrangimento público e consequências na relação de emprego.

No caso, a confirmação em juízo de que houve confronto com a dentista reforçou a compreensão de que a abordagem extrapolou a cautela esperada.

O que pode acontecer a partir de agora

Ao julgar o recurso, a 5ª Turma fixou a indenização em R$ 3.197,18, considerada adequada diante das circunstâncias do caso.

O reconhecimento do assédio moral também serve como sinal de que práticas de exposição e acusações sem cuidado podem gerar responsabilização trabalhista.

A decisão reforça que a apuração de suspeitas no ambiente de trabalho exige prudência para evitar acusações indevidas e danos à reputação do trabalhador.

A condenação determina o pagamento de R$ 3.197,18 à auxiliar de saúde bucal, após a Justiça entender que a acusação de atestado falso gerou exposição e abalo emocional.

O caso evidencia que a forma de condução de uma suspeita pode ser tão relevante quanto a suspeita em si, especialmente quando envolve hierarquia, reputação e dignidade no trabalho.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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