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Empresa dos EUA desenvolve robô humanoide para atuar como soldado, já tem contratos milionários com Forças Armadas, testa modelo em cenários reais e quer usar máquinas para reduzir riscos em missões perigosas e operações militares complexas

Publicado em 23/03/2026 às 21:59
robô humanoide Phantom MK1 usa telepresença e realidade virtual; contrato militar impulsiona testes em cenários reais e debate ético.
robô humanoide Phantom MK1 usa telepresença e realidade virtual; contrato militar impulsiona testes em cenários reais e debate ético.
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Desenvolvido em São Francisco pela Foundation Future Industries, o robô humanoide Phantom MK1 combina telepresença em realidade virtual, assistência de IA e arquitetura “tarefa para movimento” para executar apoio, vigilância e logística. Com US$ 24 milhões em contratos, a empresa mira testes operacionais e produção em escala até 2027 global.

O robô humanoide Phantom MK1, criado pela Foundation Future Industries, está sendo desenhado para ocupar um espaço que até pouco tempo parecia ficção: atuar como “soldado” em missões de apoio e segurança, reduzindo a exposição direta de militares a cenários perigosos. A proposta central é transferir para máquinas tarefas arriscadas, repetitivas e sujas, sem colocar uma vida em risco.

Ao mesmo tempo, a iniciativa escancara dilemas difíceis: quando uma plataforma com IA entra no campo militar, o debate deixa de ser só tecnológico e vira também político, operacional e ético. Entre contratos com Forças Armadas, testes em ambientes reais e um plano agressivo de escala, a pergunta que cresce é o que muda quando “presença” pode ser remota e a decisão, assistida por algoritmos.

O que é o Phantom MK1 e por que ele chama atenção

O Phantom MK1 foi revelado publicamente no início de 2025 como uma plataforma de robótica humanoide com 1,80 m de altura e cerca de 80 kg, projetada para operar em ambientes humanos de fábricas e locais de desastre a cenários de defesa. Em termos de capacidade física, a empresa descreve que o robô humanoide pode transportar até 20 kg e se deslocar a aproximadamente 6 km/h, números que ajudam a entender o tipo de missão imaginada: presença no terreno, suporte e deslocamentos curtos com carga.

Por trás do corpo mecânico, a ambição é que o robô humanoide execute tarefas complexas por meio da integração de modelos de linguagem grandes (LLMs) com uma arquitetura de “tarefa para movimento”, além do uso de atuadores cicloidais. A promessa é transformar instruções e objetivos em ações físicas, numa tentativa de aproximar a interação com o robô do modo como humanos coordenam equipes em campo.

Contratos milionários e o caminho para virar fornecedor militar

A Foundation Future Industries afirma já ter contratos de pesquisa no valor de US$ 24 milhões (R$ 127 milhões) com Exército, Marinha e Força Aérea dos Estados Unidos. Entre eles, aparece a menção a um SBIR Fase 3, etapa associada à comercialização que a coloca como fornecedor militar aprovado um detalhe importante porque, no universo de defesa, isso costuma sinalizar transição do protótipo para aplicações com tração institucional.

Esse tipo de contrato não é apenas dinheiro: é validação de interesse e abertura de portas dentro de um ecossistema que exige requisitos, testes e conformidade. Quando uma empresa passa a ser tratada como potencial fornecedora, ela entra no radar de demandas reais, onde a conversa deixa de ser “o que dá para construir” e passa a ser “o que funciona sob pressão, com segurança e previsibilidade”.

Como o robô humanoide é operado e quais tarefas pretende assumir

Um ponto que a empresa enfatiza é que o Phantom não é descrito como um “combatente autônomo”. A operação seria feita por telepresença via realidade virtual, com assistência de inteligência artificial formulação que sugere um humano comandando a plataforma à distância, enquanto a IA ajuda em navegação, execução e tomada de ações dentro de parâmetros. Essa distinção é central porque muda a discussão sobre responsabilidade e controle.

Na lista de aplicações mencionadas, o robô humanoide aparece associado a funções como vigilância, logística, reconhecimento, desarmamento de bombas e atuação em ambientes perigosos ou contaminados. Em outras palavras, o foco declarado recai sobre atividades em que a presença humana é especialmente vulnerável. A narrativa é de “substituir o risco”, não “substituir o soldado” ainda que, na prática, a linha entre apoio e protagonismo possa se deslocar com o tempo.

Testes em cenários reais e o recado por trás da “linha de frente”

Em fevereiro, segundo reportagem da revista Time, dois robôs Phantom foram enviados para a Ucrânia, inicialmente para apoio de reconhecimento na linha de frente. Esse detalhe muda o peso do projeto: uma coisa é testar em campo controlado; outra é colocar a tecnologia em um cenário real, onde comunicação, terreno, interferências e imprevisibilidade são parte do pacote. A decisão de testar em ambiente de guerra comunica urgência e aceleração.

A empresa também se prepara para iniciar testes ligados ao curso de “métodos de entrada” do Corpo de Fuzileiros Navais, treinando os Phantoms para lidar com procedimentos de entrada forçada que podem envolver explosivos em portas um tipo de operação descrita com o objetivo de aumentar a segurança das tropas em invasões. O ponto-chave aqui não é o método, e sim a intenção: empurrar o robô humanoide para tarefas em que o perigo é imediato e o erro custa caro.

Uma corrida tecnológica, uma frase forte e um investidor com sobrenome político

O contexto mais amplo, apresentado pela própria Foundation, é o interesse contínuo do Pentágono em protótipos humanoides militarizados que operem ao lado de combatentes em ambientes complexos e de alto risco. A empresa sustenta que, diante de adversários como Rússia e China desenvolvendo robôs com foco em defesa, os EUA e aliados precisariam manter o ritmo. É a lógica clássica de “se eu não fizer, alguém fará”.

Nessa moldura, o CEO Sankaet Pathak afirmou à Time que uma corrida armamentista de soldados humanoides “já está acontecendo”. E há ainda um elemento que chama atenção fora do laboratório: Eric Trump, filho do presidente Donald Trump, é citado como investidor e conselheiro estratégico. Quando tecnologia militar encontra influência e nomes politicamente reconhecíveis, o debate tende a ganhar outra temperatura e muito mais escrutínio público.

Escalar até 50 mil unidades: ambição industrial com impacto militar

A Foundation declara que pretende escalar a produção de robôs humanoides e que a meta é construir até 50 mil unidades do Phantom até 2027, mirando tanto uso industrial quanto militar. É um salto enorme, porque escala não depende só de projeto: envolve cadeia de suprimentos, custo, manutenção, treinamento de operadores, atualização de software e confiabilidade em lotes grandes. Escala é onde promessas tecnológicas costumam ser desafiadas pela realidade.

Se esse plano avançar, o impacto potencial não é apenas “mais robôs”, mas uma mudança de padrão operacional: mais plataformas disponíveis significam mais cenários de uso, mais dados de campo, mais iterações e, possivelmente, mais funções delegadas ao robô humanoide. Ao mesmo tempo, crescer rápido também amplia riscos: falhas, uso indevido, vulnerabilidades e incidentes deixam de ser exceção e viram estatística. Quanto maior a frota, maior a responsabilidade.

Questões éticas e riscos operacionais que não cabem no marketing da inovação

O uso de “soldados humanoides” levanta preocupações recorrentes: redução de barreiras éticas para iniciar ou prolongar conflitos, dúvidas sobre responsabilização por abusos e a possibilidade de desumanização da guerra, quando a presença física humana se distancia do terreno. Mesmo quando há teleoperação, a dinâmica psicológica muda: estar longe pode alterar percepção de risco, urgência e consequência. A tecnologia, aqui, mexe com incentivos e incentivos mexem com decisões.

Há também riscos operacionais mencionados no debate: vulnerabilidade a ataques cibernéticos e limites da IA na avaliação de situações complexas. Em ambientes de alto risco, “assistência inteligente” pode ser útil — mas também pode gerar dependência, erros de interpretação e decisões ruins se os sistemas forem enganados, interrompidos ou usados fora do contexto previsto. No fim, a pergunta mais dura é simples: quem responde quando a cadeia humano-máquina falha?

O Phantom MK1 entra no debate militar com uma promessa poderosa: reduzir a exposição humana ao perigo em missões que misturam risco, repetição e imprevisibilidade. Mas a mesma ideia que protege pode também empurrar limites tecnológicos, legais e morais em direção a uma nova normalidade, onde presença física e decisão operacional se separam cada vez mais.

Com informações do portal CNN Brasil

Agora vale ouvir você: um robô humanoide em operações militares é um avanço necessário para salvar vidas ou um passo arriscado que facilita conflitos e dilui responsabilidades? Comente com sua opinião e, se puder, diga qual seria o limite que não deveria ser ultrapassado.

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Anderson Pereira Gomes
Anderson Pereira Gomes
25/03/2026 20:03

E uma pergunta boba mas quem vai estar do outro lado da guerra também vai ser humanoide ?

FLAVIO
FLAVIO
24/03/2026 10:40

Realmente sucederían las 2 situaciónes

Mamoel leal
Mamoel leal
24/03/2026 04:55

A tecnologia se for bem usada merece ser empregada

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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