Fragmentos de tijolos antigos, argamassa e restos de demolição são reprocessados para criar um tijolo sem forno, com alto teor de reciclagem e proposta de reduzir o impacto climático associado à fabricação tradicional
A indústria da construção civil é responsável por uma parcela significativa das emissões globais de carbono e pela geração de grandes volumes de resíduos. Todos os anos, milhões de toneladas de entulho provenientes de demolições e obras acabam em aterros sanitários, enquanto a produção de materiais tradicionais — como o tijolo cerâmico cozido — exige altas temperaturas e elevado consumo de energia.
Diante desse cenário, uma empresa escocesa desenvolveu uma alternativa que busca enfrentar esses dois problemas ao mesmo tempo: um tijolo fabricado quase integralmente com resíduos de construção e demolição e que não precisa passar por processo de queima em forno.
Um tijolo sem forno e com mais de 90% de material reciclado
A empresa Kenoteq, originada como spin-out da Heriot-Watt University, na Escócia, produz o chamado K-BRIQ, um tijolo “unfired” (sem queima) que utiliza mais de 90% de agregados reciclados provenientes de resíduos de construção e demolição, incluindo fragmentos de tijolos antigos, entulho e argamassas.
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De acordo com a própria empresa, quando são considerados outros insumos reciclados utilizados na fabricação — como placas de gesso recicladas e pigmentos inertes reciclados — o percentual total de materiais reciclados pode ultrapassar 95%.
Diferentemente do tijolo tradicional de argila, que precisa ser queimado a temperaturas superiores a 1.000°C, o K-BRIQ é produzido por meio de um processo de compressão e cura em baixa temperatura. A eliminação da etapa de queima é fundamental para reduzir o consumo energético e, consequentemente, as emissões associadas à fabricação do material.

Redução significativa do carbono incorporado
Um dos principais diferenciais apontados pela empresa é a possibilidade de redução expressiva do carbono incorporado em comparação ao tijolo cerâmico convencional. Informações publicadas sobre o produto indicam que o K-BRIQ pode alcançar reduções próximas a 95% no carbono incorporado quando comparado ao modelo tradicional cozido em forno.
O conceito de carbono incorporado refere-se às emissões geradas ao longo do ciclo de produção do material, incluindo extração de matérias-primas, processamento, fabricação e transporte. No caso dos tijolos convencionais, a etapa de queima representa uma parcela significativa desse impacto ambiental.
Ao utilizar resíduos já existentes como matéria-prima e evitar o uso de fornos de alta temperatura, o novo tijolo busca diminuir substancialmente a pegada climática do setor.
Economia circular aplicada à construção civil
Além da redução de emissões, a proposta do K-BRIQ está alinhada aos princípios da economia circular. Em vez de extrair novas matérias-primas, a empresa reaproveita resíduos do próprio setor da construção para fabricar um novo produto que retorna ao mercado.
A construção civil é um dos setores que mais geram resíduos no mundo. Transformar esses materiais descartados em insumos para novos tijolos pode contribuir para a redução da pressão sobre aterros e para a diminuição da extração de recursos naturais, como a argila.
Esse modelo também pode trazer vantagens logísticas quando a produção ocorre próxima às fontes de resíduos, reduzindo distâncias de transporte e favorecendo cadeias de suprimento mais locais.
Certificações e produção em escala comercial
No setor da construção, a viabilidade de um novo material depende fortemente de certificações técnicas e conformidade regulatória. O K-BRIQ obteve certificação do British Board of Agrément (BBA) no Reino Unido e certificação nos Estados Unidos por meio da DrJ Engineering, permitindo sua aplicação em projetos que exigem validação técnica formal.
A empresa opera uma instalação em East Lothian, na Escócia, e, segundo publicações do setor, possui capacidade de produção na casa de milhões de unidades por ano, com possibilidade de expansão conforme a demanda.
Esses avanços indicam que o produto já ultrapassou a fase puramente experimental e começa a se posicionar como alternativa viável dentro do mercado de materiais de construção.
Desafios e pontos de atenção
Como acontece com qualquer inovação no setor, profissionais como arquitetos, engenheiros e incorporadores analisam cuidadosamente alguns fatores antes de adotar um novo material:
- Desempenho e durabilidade ao longo do tempo.
- Resistência mecânica e comportamento frente à umidade.
- Consistência do material, considerando que a matéria-prima provém de resíduos com características variáveis.
- Declarações ambientais baseadas em análises de ciclo de vida verificáveis.
A adoção em larga escala dependerá não apenas das vantagens ambientais, mas também da competitividade econômica e do desempenho técnico comprovado em projetos reais.
Pode transformar o mercado do tijolo?
O tijolo é um dos materiais mais antigos e utilizados na construção civil moderna. No entanto, seu processo tradicional de fabricação envolve elevado consumo de energia. Em um contexto em que governos e empresas buscam reduzir emissões e cumprir metas climáticas, alternativas de baixo carbono podem ganhar espaço.
Se demonstrar escalabilidade, estabilidade de qualidade e aceitação de mercado, o modelo pode representar um passo importante rumo à descarbonização do setor e à consolidação de práticas mais circulares na construção civil.
O desafio é significativo: transformar um mercado historicamente conservador e altamente regulamentado exige tempo, confiança técnica e competitividade. Ainda assim, a pressão global por soluções mais sustentáveis tende a impulsionar iniciativas que combinem inovação, reaproveitamento de resíduos e redução de impacto ambiental.
Este artigo foi elaborado com base em informações publicadas por Stone Specialist (perfil sobre a Kenoteq), além de dados institucionais divulgados pela própria Kenoteq e referências relacionadas à Heriot-Watt University, instituição ligada ao desenvolvimento inicial da tecnologia.


Those bricks and blocks,recycled from demolition debris/scrap. Fall apart alot quicker than blocks that are done in a kiln….
Similar technology already exist which eliminates the use of a kiln to fire brick stone, by using mortar and earth soil to create earth stones that are durable strong eco-friendly and pocket friendly
New ideas are important in the construction industry.
Yes but there must be a long term benefit that isn’t in kiln blocks or bricks and the longevity just isn’t there yet.