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Com comunidades sem energia dependendo de água contaminada, estudante do Reino Unido criou sistema solar que ferve e condensa água usando uma lente de Fresnel; projeto venceu voto popular em prêmio mundial de jovens cientistas

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 06/07/2026 às 18:45 Atualizado em 06/07/2026 às 18:55
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Projeto de Divyasri Kothapalli usa lente de Fresnel para concentrar luz solar, ferver água contaminada e condensar vapor em água limpa, em solução de baixo custo reconhecida no Stockholm Junior Water Prize e voltada a comunidades rurais sem acesso confiável à energia.

Um sistema de purificação de água movido apenas pela luz solar levou uma estudante do Reino Unido a receber o People’s Choice Award do Stockholm Junior Water Prize, competição internacional voltada a projetos estudantis criados para enfrentar grandes desafios hídricos.

No centro da proposta está uma lente de Fresnel, usada para concentrar a radiação solar em um recipiente metálico, ferver água contaminada e conduzir o vapor por tubos de silicone até a condensação em água limpa.

Desenvolvido por Divyasri Kothapalli, o projeto foi apresentado com o nome Sun-based water distillation system e propõe um destilador solar de baixo custo para comunidades rurais e locais fora da rede elétrica.

Segundo a Stockholm Water Foundation, a solução busca melhorar o acesso à água potável sem bombas, produtos químicos ou ligação à energia, usando um processo físico conhecido e materiais simples para transformar calor solar em purificação.

Destilação solar transforma água contaminada em água limpa

A lógica do equipamento parte de um princípio físico conhecido: ao ser aquecida até formar vapor, a água se separa de impurezas presentes no líquido original, já que esses resíduos não acompanham a evaporação da mesma forma.

Depois de deixar o recipiente aquecido, o vapor passa por um tubo próprio para contato com alimentos, resfria durante o percurso e retorna ao estado líquido, permitindo que a água destilada seja coletada em outro reservatório.

O diferencial do projeto aparece na forma como o calor é obtido, porque a estudante substituiu fogão, eletricidade ou combustíveis por uma lente capaz de concentrar a luz do sol sobre uma panela metálica.

Mais fina e leve que lentes convencionais de grande espessura, a lente de Fresnel direciona a radiação para uma área menor e aumenta a intensidade do calor no ponto escolhido para aquecer a água.

Lente de Fresnel concentra calor sem uso de eletricidade

Pensado para áreas rurais e comunidades off-grid, expressão usada para locais sem acesso regular à rede elétrica, o sistema busca funcionar em contextos onde métodos tradicionais de tratamento de água podem ser caros ou difíceis de manter.

Nessas regiões, equipamentos que dependem de energia constante, reposição frequente de materiais ou infraestrutura complexa tendem a encontrar barreiras práticas, especialmente quando a água disponível não é segura para consumo direto.

A proposta também foi associada ao desafio de ampliar o acesso à água limpa sem elevar emissões de carbono, já que o funcionamento descrito pela organização depende da luz solar durante o processo de purificação.

Ao reunir materiais simples, energia renovável e condensação, o projeto transforma um mecanismo físico conhecido em uma alternativa experimental voltada a lugares onde saneamento, eletricidade e transporte de equipamentos representam obstáculos concretos.

A estrutura apresentada por Kothapalli usa uma panela metálica como câmara de aquecimento, uma lente de Fresnel para concentrar luz, tubos de silicone de grau alimentício para transportar vapor e um recipiente para recolher a água condensada.

Por depender de componentes reconhecíveis, a ideia se aproxima de contextos nos quais soluções complexas de saneamento podem ser difíceis de instalar, operar ou manter de forma contínua em comunidades isoladas.

Testes avaliaram luz, clima e volume de água

Nos testes descritos pela Stockholm Water Foundation, a estudante realizou três experimentos com variáveis como volume inicial de água, intensidade luminosa e condições climáticas naturais, elementos diretamente ligados ao desempenho de qualquer sistema solar.

Mesmo em clima moderado, como o do Reino Unido, o sistema apresentou resultados consistentes, ponto relevante para uma tecnologia frequentemente associada apenas a regiões de insolação intensa ou ambientes muito secos.

A pesquisa nasceu de uma questão prática: transformar uma fonte de calor disponível, a luz solar, em um método de purificação acessível para lugares onde existe água, mas não há segurança no consumo.

Por meio da evaporação e da condensação, a destilação solar busca separar a água de substâncias indesejadas sem exigir uma infraestrutura industrial de tratamento, o que amplia o interesse por soluções compactas e de baixo custo.

O reconhecimento internacional veio no Stockholm Junior Water Prize, competição voltada a estudantes de 15 a 20 anos que desenvolvem projetos ligados a grandes desafios da água em diferentes áreas da ciência e da tecnologia.

Na edição em que Kothapalli participou, finalistas nacionais de vários países apresentaram pesquisas avaliadas em um ambiente dedicado a soluções para problemas hídricos, climáticos e de infraestrutura.

A estudante recebeu o People’s Choice Award, categoria definida por voto do público global, pelo projeto de destilação solar apresentado pelo Reino Unido na competição internacional organizada pela Stockholm Water Foundation.

Esse resultado colocou uma solução de aparência simples ao lado de pesquisas estudantis de alcance internacional, destacando uma proposta que combina água limpa, energia solar e materiais acessíveis em um mesmo sistema experimental.

A relevância da ideia cresce porque o problema enfrentado não se limita a uma região específica, já que comunidades rurais, áreas costeiras, locais isolados e regiões com infraestrutura precária podem conviver com água imprópria para consumo.

Em situações assim, a etapa crítica não é apenas encontrar uma fonte de água, mas torná-la segura de modo viável, especialmente onde energia elétrica e equipamentos tradicionais não podem ser tratados como garantias.

Água potável em áreas sem rede elétrica

No projeto de Kothapalli, a energia solar substitui equipamentos que exigiriam rede elétrica ou combustíveis, enquanto a lente concentra luz no recipiente, aquece a água, gera vapor e permite a coleta do líquido após a condensação.

Essa sequência torna o processo visualmente fácil de compreender e ajuda a explicar por que invenções escolares baseadas em princípios físicos simples costumam atrair atenção quando enfrentam problemas ambientais concretos.

Objetos comuns também contribuem para aproximar a pesquisa do cotidiano, pois panela, tubo, lente e recipiente formam um sistema experimental capaz de demonstrar como a ciência pode reorganizar materiais simples para responder a necessidades básicas.

Em projetos juvenis premiados, esse tipo de inovação aparece com frequência justamente porque não depende apenas de equipamentos sofisticados, mas da aplicação cuidadosa de conhecimento científico a problemas reais e reconhecíveis.

Ainda segundo a Stockholm Water Foundation, o trabalho apresentou produção consistente em diferentes condições de teste, com variáveis como intensidade da luz e clima natural avaliadas durante os experimentos conduzidos pela estudante.

Esse detalhe reforça o interesse técnico do projeto, pois soluções solares precisam demonstrar desempenho fora de ambientes totalmente controlados, onde mudanças de luminosidade e temperatura podem interferir no resultado final.

A água limpa obtida pela condensação surge de uma cadeia simples, mas organizada: a radiação solar concentrada gera aquecimento, o aquecimento produz vapor, o vapor se desloca pelo tubo e o resfriamento permite a coleta.

Ao receber o voto popular em uma premiação internacional, o sistema de Kothapalli ganhou visibilidade pela clareza do problema que tenta enfrentar: água contaminada em lugares onde energia elétrica não pode ser tratada como garantia.

O que mais surpreende em uma invenção como essa: a tecnologia usada ou o fato de ela partir de materiais tão simples?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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