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Em vez de alisar o concreto enquanto ainda existe água na superfície, acabamento deve esperar marca de 3 a 6 milímetros — cimento seco pode enfraquecer o piso e juntas rasas deixam fissuras fora de controle

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Escrito por Caio Aviz Publicado em 06/08/2026 às 15:20 Atualizado em 06/08/2026 às 15:22
Trabalhador alisa laje de concreto enquanto a água de exsudação ainda cobre e deixa a superfície brilhante.
Alisar o concreto antes do desaparecimento da água de exsudação pode prender umidade, formar bolhas e enfraquecer a superfície do piso.
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Esperar a água de exsudação desaparecer antes do acabamento reduz defeitos que podem surgir somente depois do endurecimento da laje

O brilho sobre o concreto recém-lançado pode transmitir a impressão de que a superfície está pronta para receber o acabamento. Trabalhar a laje nesse momento, porém, pode comprometer todo o serviço.

A água visível costuma resultar da exsudação, fenômeno no qual parte da umidade presente na mistura sobe até a superfície. Fechar o concreto antes do fim desse processo consegue aprisionar água e ar sob a camada superficial.

Os problemas podem aparecer somente depois que o piso endurece e começa a receber tráfego. Bolhas, descascamento, formação de pó, pequenas fissuras e separação superficial estão entre as consequências possíveis.

A execução correta também depende do adensamento, da cura, da compactação da base e do dimensionamento das juntas. Um corte raso demais pode não direcionar as fissuras para os pontos planejados.

Acabamento precisa esperar o brilho desaparecer

A National Ready Mixed Concrete Association, conhecida pela sigla NRMCA, orienta que o nivelamento inicial aconteça logo após o lançamento do concreto.

Essa primeira etapa precisa ocorrer antes do aparecimento da água de exsudação. Os serviços posteriores devem esperar até que o brilho desapareça e a superfície apresente condições adequadas.

Uma referência prática envolve observar a marca deixada pelo pé. O acabamento final costuma começar quando a pisada produz uma impressão com profundidade entre 3 e 6 milímetros.

O teste não funciona como uma regra isolada. Temperatura, vento, umidade e composição da mistura interferem diretamente no tempo necessário para o concreto atingir o ponto correto.

Uma equipe experiente avalia esses fatores antes de iniciar o desempenamento. Antecipar o serviço apenas porque a superfície parece firme pode fechar a camada superior enquanto ainda existe água subindo.

Cimento seco esconde a água sem resolver o problema

Espalhar cimento seco sobre uma laje molhada parece uma solução rápida para absorver a umidade. Na prática, o procedimento altera a composição da camada superficial.

O material lançado sobre a água forma uma pasta diferente do concreto existente no restante da placa. Essa camada pode apresentar menor resistência, soltar pó e descascar com o uso.

A NRMCA orienta que água ou cimento não sejam acrescentados à superfície com a finalidade de facilitar o acabamento.

O cimento seco apenas esconde temporariamente a água de exsudação. A origem da umidade permanece, enquanto a parte superior da laje passa a ter uma proporção diferente entre água e cimento.

O defeito nem sempre fica evidente durante a concretagem. Os primeiros sinais podem aparecer depois do endurecimento, principalmente quando pessoas, máquinas ou veículos começam a circular pelo piso.

Trabalhador espalha cimento seco sobre uma laje de concreto ainda coberta por água de exsudação.
Espalhar cimento seco sobre a laje molhada apenas esconde a água de exsudação e pode enfraquecer a camada superficial do piso.

Vibração incorreta deixa vazios ou separa materiais

O adensamento ajuda o concreto a preencher as formas, envolver as armaduras e eliminar parte do ar aprisionado. Quando a vibração é insuficiente, a mistura pode deixar espaços sem preenchimento.

Falhas nas bordas, vazios internos e regiões conhecidas como ninhos de concretagem estão entre os problemas relacionados à consolidação inadequada.

O excesso de vibração também oferece riscos, especialmente em concretos muito fluidos. O agregado graúdo pode descer, enquanto uma camada com maior concentração de argamassa sobe até a superfície.

O vibrador deve consolidar o concreto no ponto onde ele foi lançado. Usar o equipamento para empurrar a mistura por grandes distâncias dentro da forma favorece a separação dos componentes.

Juntas criam caminhos planejados para as fissuras

A retração faz parte do comportamento do concreto e pode provocar fissuras durante o endurecimento e ao longo da vida útil da estrutura.

Exemplos de fissuras em pisos e lajes de concreto, com esquema mostrando trincas entre parede e fundação.
Diferentes padrões de fissuras mostram como a retração e as variações de temperatura podem afetar lajes, paredes e fundações de concreto.

O American Concrete Institute explica que as juntas são necessárias porque o concreto sofre mudanças de volume, principalmente devido à retração e às variações de temperatura.

As juntas de contração criam regiões planejadas para acomodar parte dessas movimentações. Em vez de eliminar totalmente as fissuras, elas ajudam a direcioná-las para pontos definidos.

A referência técnica apresentada pela NRMCA indica que o corte tenha profundidade correspondente a um quarto ou um terço da espessura da laje.

Uma placa com 10 centímetros, por exemplo, precisaria de juntas com aproximadamente 2,5 a 3,3 centímetros de profundidade. Um corte muito superficial pode não cumprir sua função.

O espaçamento também depende da espessura. A referência varia entre 24 e 36 vezes essa medida. Em uma laje de 10 centímetros, a distância ficaria aproximadamente entre 2,4 e 3,6 metros.

Corte correto não compensa falhas no restante da obra

As juntas ajudam a controlar a localização de determinadas fissuras, mas não resolvem todos os problemas de uma laje.

Base mal compactada, excesso de água na mistura, cura insuficiente, variações térmicas e cargas não previstas também interferem no comportamento do piso.

O controle começa ainda no preparo, pois o traço de concreto 1:2:3 ajuda a organizar cimento, areia, brita e água, enquanto o excesso de líquido pode reduzir a resistência da mistura.

A distribuição dos cortes precisa considerar o formato da área, os encontros com pilares e paredes e as especificações estabelecidas no projeto.

Um acabamento resistente começa antes do desempenamento. Controle da água, adensamento correto, espera pelo fim da exsudação e execução adequada das juntas trabalham em conjunto.

A tentativa de acelerar uma única etapa pode criar defeitos que permanecem escondidos até o concreto endurecer. Nesse momento, corrigir o problema tende a ser mais complexo do que respeitar o tempo da mistura.

Você esperaria a água desaparecer naturalmente ou já viu cimento seco ser espalhado sobre uma laje para acelerar o acabamento?

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Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

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