A empresa nasceu do conserto de rádios logo depois da Segunda Guerra e foi fundada com 190 mil ienes, algo em torno de US$ 1.500 em valores atuais. O nome que ela usa hoje só apareceu em 1955, escolhido para funcionar fora do Japão.
A Sony começou como uma oficina de conserto de rádios instalada no terceiro andar de uma loja de departamentos danificada em Tóquio, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, conforme material publicado pelo site GSMArena. A empresa foi criada em 1945 por Masaru Ibuka, sob o nome de Instituto de Pesquisa de Telecomunicações de Tóquio.
O primeiro produto próprio não deu certo. Era uma panela elétrica de arroz feita com eletrodos de alumínio interligados e fixados ao fundo de uma tina de madeira, aparelho que produzia arroz cru ou empapado dependendo do tipo de grão e da quantidade de água, e que nunca chegou ao mercado.
A sociedade que fundou a empresa de verdade

O passo decisivo veio em maio de 1946, quando Ibuka se uniu ao ex-tenente da marinha Akio Morita para lançar um novo negócio, a Tokyo Telecommunications Engineering Corporation, conhecida como Totsuko.
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Aos 12 anos atrás do balcão de um açougue, aos 16 pediu para ser emancipado para abrir a própria empresa e em 1998 viu um incêndio destruir tudo, e recomeçou para criar a Marfrig, maior produtora de hambúrguer do mundo, hoje num grupo de R$ 152 bilhões por ano
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A nova empresa foi instalada em Nihonbashi, em Tóquio, e absorveu o negócio de conserto de rádios que já existia, junto com toda a equipe. O foco passou a ser pesquisa e fabricação de equipamentos de telecomunicações e medição.
O capital inicial dá a dimensão do começo. Foram 190 mil ienes, valor equivalente a algo em torno de US$ 1.500 em poder de compra atual, quantia que hoje não bancaria sequer o estoque de uma loja pequena.
Do megafone à primeira fita de gravação do Japão

A primeira criação comercial da nova empresa foi colocada à venda em outubro de 1947, e não tinha nada de sofisticado: um megafone de alta potência.
Três anos depois veio um produto de outra natureza. A companhia lançou a primeira fita de gravação japonesa, feita à base de papel revestido com magnetita.
Poucos meses adiante chegou o equipamento que usaria essa fita. Foi lançado o primeiro gravador de fita magnética do país, batizado de tipo G, letra que vinha da destinação prevista para o aparelho: uso governamental.
O produto que ninguém sabia para que servia
O gravador não vendeu bem no início, e o motivo não era preço nem qualidade. As pessoas simplesmente não conheciam o equipamento nem imaginavam para que ele poderia servir.
A resposta dos dois fundadores foi ir a campo pessoalmente. Eles visitaram agências governamentais, escolas e universidades para demonstrar o produto e convencer cada cliente de que precisava de um.
O esforço deu resultado e as vendas cresceram. No ano seguinte, a empresa lançou o tipo P, versão portátil, menor, mais leve e mais barata. Foi o primeiro sucesso comercial da companhia, e a lição sobre criar demanda para um produto desconhecido se repetiria em outros lançamentos.
O transistor que eles foram buscar nos Estados Unidos

Em 1952, durante uma viagem aos Estados Unidos, os dois tomaram conhecimento do transistor, desenvolvido pelos Laboratórios Bell. Solicitaram a licença de uso e a obtiveram em 1953.
A vantagem do componente era clara para quem fabricava eletrônicos naquele momento. O transistor era menor, mais durável e mais barato que as válvulas usadas até então nos produtos da empresa.
A aplicação escolhida definiu o rumo da companhia. Eles decidiram desenvolver um rádio pequeno o bastante para ser levado na mão ou no bolso, formato que não existia no mercado e que dependia justamente da miniaturização permitida pelo novo componente.
O nome inventado para ser pronunciado em qualquer idioma
Com a meta de vender fora do Japão, os fundadores concluíram que precisavam de uma marca curta e fácil de memorizar em qualquer língua.
A solução foi combinar duas referências. A palavra latina sonus, que significa som, e sonny, apelido americano para meninos bastante usado nos anos 1950.
O nome estreou em 1955, no lançamento do TR-55, primeiro rádio transistorizado do país, com apenas 14 por 8,9 por 3,4 centímetros. O sucesso foi tão grande que a própria empresa adotou a marca como razão social em 1958, passando a se chamar Sony Corporation.
A década que consolidou a marca

Nos anos seguintes vieram a televisão transistorizada e os primeiros escritórios comerciais nos Estados Unidos e na Suíça.
No início da década de 1960, a linha de produtos baseados em transistor se ampliou com um gravador com amplificador, a menor e mais leve televisão do mundo à época, o primeiro amplificador estéreo do país e um gravador com ajuste automático.
A segunda metade da década trouxe o primeiro gravador de fita cassete da empresa, o primeiro rádio de circuito integrado do mundo e televisores em cores. Foi também nesse período que a companhia firmou uma sociedade meio a meio com a americana CBS, arranjo que décadas depois daria origem à divisão de música do grupo.
Betamax: a briga judicial que virou vitória e derrota

Em 1975, a empresa lançou um videocassete de meia polegada chamado Betamax, voltado diretamente ao consumidor final, diferente dos modelos anteriores destinados a emissoras.
O produto rendeu processo movido pelos principais estúdios de cinema dos Estados Unidos, preocupados com pirataria. A decisão final foi favorável à companhia japonesa.
A vitória nos tribunais, porém, não se repetiu no mercado. A empresa não conseguiu estabelecer o Betamax como padrão da indústria, e concorrentes desenvolveram o VHS, formato que acabou ultrapassando o rival em popularidade até torná lo obsoleto.
O Walkman nasceu de um pedido pessoal

A origem do produto mais icônico da companhia foi uma inconformidade doméstica. No fim da década de 1970, o cofundador Ibuka queria ouvir música em um aparelho mais portátil do que os tocadores de cassete que a empresa já tinha.
A tarefa coube a Norio Ohga, contratado em 1950 quando ainda era estudante de ópera e que havia entrado na empresa justamente por sugerir melhorias aos gravadores. Já como vice-presidente executivo, ele começou a trabalhar em um cassete compacto.
O TPS-L2 chegou ao mercado em 1979, acompanhado de fones de ouvido, capa de couro e uma segunda entrada para fones. O produto foi lançado com nomes diferentes nos Estados Unidos e no Reino Unido antes de a empresa padronizar a marca Walkman, termo que se popularizou a ponto de entrar no dicionário Oxford em 1986.
CD, Discman, Handycam e a compra de um estúdio de cinema

Em 1982 a companhia lançou o primeiro leitor de discos compactos do mundo, vendido no Japão por US$ 1.000 e levado aos Estados Unidos poucos meses depois.
Dois anos mais tarde veio o primeiro reprodutor de CD portátil, do tamanho aproximado de quatro caixas de disco, que ganharia o nome de Discman. Em 1985 foi lançada a primeira câmera de vídeo de 8 milímetros do mundo, pesando 1,97 quilo, e em 1989 chegou a versão compacta apelidada de Handycam, do tamanho de um passaporte.
O ano de 1989 também marcou uma aquisição de outra ordem. A empresa comprou a produtora americana Columbia Pictures por US$ 3,4 bilhões em dinheiro, maior compra feita nos Estados Unidos por uma companhia japonesa até então.
O PlayStation e a virada dos anos 1990

O início da década de 1990 foi difícil. A desaceleração das maiores economias do mundo atingiu a companhia, e o lucro líquido caiu 50% em 1994.
Foi nesse contexto que a divisão de jogos ganhou corpo. A Sony Computer Entertainment foi fundada em 1993, e no ano seguinte chegou ao mercado japonês o PlayStation de 32 bits, que desembarcou nos Estados Unidos um ano depois e virou sucesso imediato.
A linha se consolidou na virada do século. O PlayStation 2, lançado em 2000, funcionava como central de entretenimento doméstico, reproduzindo CDs de áudio e filmes em DVD e permitindo conexão à internet, formato que o transformou em um dos consoles mais vendidos da história.
O celular que perdeu o bonde da tela sensível ao toque

A empresa entrou na telefonia móvel em 2001, com a criação de uma sociedade com a sueca Ericsson voltada a aparelhos multimídia.
Os primeiros anos renderam produtos de sucesso, entre eles um modelo lançado em 2002 que apareceu em um filme da franquia James Bond, e outro de 2005 que inaugurou a linha de celulares musicais, com autonomia de até 30 horas no modo música.
O problema veio em 2007, com o lançamento do primeiro iPhone. Assim como boa parte da concorrência, a sociedade não reagiu com rapidez à chegada da tela sensível ao toque, e a linha Android da marca só estrearia em 2010. A joint venture foi comprada integralmente pela companhia japonesa por US$ 1,5 bilhão no fim de 2011 e a marca conjunta desapareceu no ano seguinte.
De uma panela que não funcionava a US$ 137 bilhões

O valor de mercado atual da companhia gira em torno de US$ 137 bilhões, com variação conforme a fonte e o dia de apuração, resultado de uma trajetória iniciada em uma oficina de conserto de rádios.
Entre um ponto e outro houve produtos que definiram categorias inteiras, como o rádio de bolso, o tocador portátil de fita e o console de videogame, e também derrotas expressivas, como a perda da disputa de formato de vídeo e o atraso na resposta ao smartphone.
Masaru Ibuka morreu em dezembro de 1997, aos 89 anos, e Akio Morita faleceu em outubro de 1999, aos 78 anos

O detalhe que atravessa toda essa história está no começo. A primeira invenção da empresa foi um fracasso que sequer chegou às lojas, e a companhia seguiu adiante mesmo assim, num país que saía da guerra em ruínas.

E você, teve algum aparelho dessa marca que marcou sua adolescência? Acha que empresas de tecnologia sobrevivem mais pela capacidade de errar e recomeçar ou por acertarem o produto certo na hora certa? Conta nos comentários qual eletrônico antigo você guarda até hoje.
