Emylla de Sousa concluiu Enfermagem em Teresina segurando um abacaxi, símbolo da plantação mantida pelos pais em São Domingos, no Maranhão; a família percorreu mais de 240 quilômetros para vender a fruta, custeou despesas da graduação e viu a homenagem transformar a cerimônia em agradecimento pelo esforço de muitos anos.
O abacaxi que Emylla de Sousa carregou durante sua colação de grau não era um simples adereço. Aos 23 anos, a jovem maranhense atravessou o palco da formatura em Enfermagem, realizada em Teresina, no Piauí, segurando a fruta que ajudou sua família a pagar moradia, materiais acadêmicos e outras despesas acumuladas durante os anos de graduação.
A história foi publicada pelo portal Só Notícia Boa em 3 de dezembro de 2021, com informações também atribuídas ao jornal O Povo. A cerimônia ocorreu na sexta-feira anterior à publicação, mas o material fornecido não apresenta a data exata do evento. A homenagem foi dedicada aos pais agricultores, que ampliaram a plantação e percorreram mais de 240 quilômetros para comercializar a produção.
Abacaxi representava o sustento da família
Emylla nasceu em São Domingos, no interior do Maranhão, onde seus pais trabalhavam na agricultura e sustentavam a casa com o cultivo e a venda de alimentos. Quando a filha manifestou o desejo de estudar em Teresina, a família começou uma pequena plantação de abacaxi.
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Com o passar do tempo, a produção foi ampliada para acompanhar as necessidades financeiras da estudante. Cada abacaxi vendido passou a representar uma contribuição para que a jovem pudesse permanecer em outra cidade, estudar e avançar na formação profissional.
Pais percorreram mais de 240 quilômetros

A família levava a produção até a Central de Abastecimento de Teresina, conhecida como Ceasa, onde comercializava as frutas. O percurso citado na reportagem ultrapassava 240 quilômetros.
Emylla acompanhava os pais durante essas viagens e participava da rotina de venda. O deslocamento entre o interior do Maranhão e a capital piauiense tornou-se parte do esforço necessário para transformar o desejo de cursar uma faculdade em um projeto possível.
Sonho de estudar começou ainda na infância
Segundo Erislandia Alves de Sousa, mãe de Emylla, a filha demonstrava desde pequena o desejo de continuar os estudos. Para a realidade da comunidade rural onde viviam, porém, frequentar uma faculdade em outra cidade parecia difícil.
As viagens para Teresina intensificaram essa vontade. Ao observar o movimento da cidade e acompanhar os pais na comercialização do abacaxi, a jovem começou a imaginar uma vida acadêmica e profissional distante da roça onde havia crescido.
Escolha pela Enfermagem ocorreu no ensino médio
Durante o ensino médio, Emylla realizou testes vocacionais e pesquisou diferentes possibilidades profissionais antes de decidir cursar Enfermagem.
A escolha não foi apresentada como uma decisão impulsiva. A jovem procurou entender as atribuições da área e encontrou na profissão uma possibilidade de cuidar de pessoas e construir uma trajetória ligada à saúde.
Bolsa cobriu parte da mensalidade
Emylla conseguiu financiamento pelo Fundo de Financiamento Estudantil, o Fies, e uma bolsa de 70% do Programa Universidade para Todos, o Prouni.
Por causa desses benefícios, a mensalidade não foi paga integralmente com a renda da plantação. A venda do abacaxi, entretanto, continuou essencial para cobrir moradia, cópias de materiais, deslocamentos e outros gastos que acompanhavam a rotina universitária.
Estudante também vendeu frutas na faculdade

A participação de Emylla no esforço familiar não se limitou às viagens até o Ceasa. Ela contou que vendeu muitos abacaxis para colegas dentro da própria faculdade.
A iniciativa ajudava a transformar a produção dos pais em recursos para as despesas do curso. Antes de carregar a fruta na formatura, a estudante já a havia levado diversas vezes ao ambiente acadêmico como mercadoria e fonte de renda.
Homenagem foi planejada para os pais
Ao entrar na cerimônia com o abacaxi nas mãos, Emylla transformou um produto agrícola em símbolo da história da família.
A fruta lembrava o trabalho no campo, as viagens longas, a ampliação da plantação e os gastos pagos ao longo da graduação. O gesto permitiu que o esforço realizado longe do palco fosse reconhecido diante de professores, colegas e familiares.
Professora destacou dedicação da estudante
Karla Joelma Bezerra, professora doutora e coordenadora do curso de Enfermagem frequentado por Emylla, afirmou que a jovem se destacava pela dedicação.
O reconhecimento acadêmico ajuda a mostrar que a conclusão do curso não dependeu somente dos recursos financeiros reunidos pela família. A permanência na graduação também exigiu disciplina, aproveitamento das oportunidades educacionais e comprometimento com a formação.
Mudança para Teresina trouxe desafios pessoais
Sair de São Domingos e passar a morar sozinha em Teresina representou uma transformação importante na vida da estudante.
Além das dificuldades financeiras e da adaptação a uma cidade diferente, Emylla precisou enfrentar consequências de uma violência sofrida durante a infância. O episódio foi tratado no relato como parte de uma experiência pessoal que influenciou sua escolha por uma área específica da Enfermagem.
Estomaterapia tornou-se área de interesse
Dentro da graduação, Emylla direcionou seus estudos para a estomaterapia, especialidade relacionada aos cuidados com feridas, fístulas e outras condições que exigem acompanhamento específico.
A jovem declarou que pretendia usar a Enfermagem para ajudar meninas que tivessem enfrentado abuso sexual durante a infância ou a adolescência. A formação profissional passou, assim, a representar não apenas uma conquista pessoal, mas também uma possibilidade de acolher outras pessoas.
Agricultura sustentou uma trajetória educacional
A história evidencia como uma atividade rural de pequena escala pode assumir importância decisiva dentro de uma família.
Os pais de Emylla começaram com uma quantidade reduzida de abacaxis, aumentaram a área cultivada e organizaram viagens para alcançar um mercado maior. A plantação não eliminou todas as dificuldades, mas ajudou a manter a estudante em Teresina até a conclusão do curso.
Fruta uniu campo e universidade
O abacaxi percorreu diferentes etapas da trajetória: saiu da propriedade rural, foi levado ao Ceasa, chegou aos colegas da faculdade e, por fim, apareceu na colação de grau.
Essa sequência deu à fruta um significado que ultrapassou seu valor comercial. Ela passou a representar a ligação entre o trabalho agrícola dos pais e o diploma conquistado pela filha.
Diploma também pertenceu à família
Embora o certificado tenha sido entregue a Emylla, a homenagem mostrou que a formação foi construída coletivamente.
Os pais contribuíram com o cultivo, a venda e os deslocamentos; a jovem participou do comércio, conseguiu bolsa, estudou e concluiu a graduação. O resultado reuniu diferentes formas de esforço em torno de um mesmo objetivo familiar.
Gesto transformou cerimônia em agradecimento
Ao atravessar o palco segurando um abacaxi, Emylla levou para a formatura uma parte visível da rotina que sustentou seus estudos.
O gesto chamou atenção porque resumiu anos de trabalho em uma imagem simples, sem apagar a participação da bolsa nem atribuir toda a graduação exclusivamente à plantação. Na sua opinião, homenagens como essa ajudam a valorizar o trabalho silencioso das famílias que sustentam estudantes longe de casa? Conte nos comentários.
