Em pleno apagão de mão de obra em Santa Catarina, a divisão Heli Brasil, do Grupo KMR, em Itajaí, ostenta retenção de 96,8 por cento com 20 benefícios que vão do horário flexível ao tobogã no escritório, micro market, apoio à família e programas de desenvolvimento interno para reter talentos-chave
Em agosto, quando Itajaí liderou a geração de empregos formais em Santa Catarina com saldo positivo de 918 novas vagas, a disputa por profissionais qualificados escancarou o atual apagão de mão de obra no Estado. Nesse ambiente em que empresas competem vaga a vaga, a Heli Brasil, divisão de empilhadeiras do Grupo KMR, decidiu dobrar a aposta na gestão de pessoas para não perder talentos justamente no momento de maior aquecimento do mercado.
Hoje, enquanto boa parte da indústria ainda tenta entender como segurar gente experiente dentro de casa, a operação com sede em Itajaí exibe taxa de retenção de 96,8 por cento e turnover de apenas 3,2 por cento entre os 230 colaboradores, espalhados entre a sede catarinense, São Paulo e lideranças regionais. A receita passa por uma combinação pouco convencional: cultura forte, benefícios agressivos, tobogã dentro do escritório e foco explícito em bem-estar.
Itajaí em destaque no meio do apagão de mão de obra

O bom desempenho da indústria brasileira no mercado de trabalho vem acelerando a disputa por profissionais, e polos de alta empregabilidade como Itajaí sentem esse efeito com força.
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Em agosto, o município liderou a geração de empregos formais em Santa Catarina, com saldo positivo de 918 novas vagas, o que aumenta a pressão sobre empresas que precisam manter times especializados em alta performance.
Nesse contexto, a divisão de empilhadeiras Heli Brasil, do Grupo KMR, transformou a gestão de pessoas em vantagem competitiva.
A companhia, que integra um grupo com mais de 150 distribuidores de máquinas, peças e serviços de pós-venda em todo o país, precisa manter uma base interna estável para sustentar o atendimento nacional. Por isso, reter talentos virou métrica estratégica, tão importante quanto vender e entregar equipamentos.
Cultura que começa pelo bem-estar e pela saúde
Para enfrentar o apagão de mão de obra e reduzir a evasão de trabalhadores experientes, a empresa estruturou um pacote robusto de benefícios ligados à saúde e à qualidade de vida.
Todos os colaboradores, independentemente do cargo, contam com plano de saúde extensivo a dependentes e plano odontológico, algo ainda incomum em muitas operações industriais.
O grupo também oferece auxílio para quiropraxia, parceria com o programa Totalpass, que libera acesso a academias e atividades físicas, e acompanhamento com especialista em ergonomia para ajustar postos de trabalho e reduzir problemas físicos.
A mensagem é clara: cuidar do corpo e da mente é parte central da estratégia de retenção, não apenas um bônus de marketing interno.
Flexibilidade, carreira e apoio direto ao desenvolvimento
Outro eixo da resposta ao apagão de mão de obra está nas políticas de apoio e crescimento profissional. A Heli Brasil adotou horário flexível, permitindo que a equipe ajuste a jornada de acordo com demandas pessoais e picos de trabalho, o que reduz desgaste e melhora a percepção de equilíbrio entre vida pessoal e carreira.
No campo financeiro, a empresa opera um programa de participação nos resultados (PPR), conectando remuneração ao desempenho da equipe e do negócio.
Em paralelo, há auxílio educação, que inclui inclusive cursos de inglês voltados aos negócios, fortalecendo a qualificação de quem precisa lidar com fornecedores e clientes internacionais.
Programas específicos, como apoio a gestantes, reforçam a ideia de que o vínculo com a empresa deve atravessar diferentes fases da vida.
Ambiente de trabalho pensado como experiência, não só como escritório
Se a disputa por talentos é acirrada, o ambiente físico virou carta importante. A sede da Heli Brasil em Itajaí investe em uma estrutura de conveniência e descompressão que foge do padrão tradicional da indústria.
Há micro market OKEO dentro do escritório, permitindo que os colaboradores comprem lanches e itens básicos sem sair do prédio, e áreas planejadas para pausas ao longo do dia.
O símbolo mais visível dessa proposta é um tobogã instalado dentro da sede, que conecta ambientes e reforça a ideia de um espaço menos engessado, onde convivência e descontração fazem parte do cotidiano.
Para a liderança, o que muitos veem como “bondade ingênua” é, na prática, método de gestão: quanto maior o engajamento diário, menor a chance de perder talentos para concorrentes em um ambiente de apagão de mão de obra.
Retenção como indicador de eficiência operacional e financeira
De acordo com a fundadora e presidente do Grupo KMR, Kelly Rech, investir em ambiente e benefícios não é apenas uma questão de clima organizacional.
A retenção de 96,8 por cento é tratada internamente como indicador de eficiência operacional e financeira, já que trocar profissionais experientes por novos constantemente gera custo elevado com recrutamento, integração e curva de aprendizado.
Esse raciocínio encontra respaldo em pesquisa da MIT Sloan Management Review Brasil em parceria com a Unico Skill, que mostra que cerca de 70 por cento dos profissionais brasileiros consideram o pacote de benefícios fator decisivo para permanecer em uma empresa.
Em um cenário de apagão de mão de obra, ignorar bem-estar, flexibilidade e apoio à família significa abrir espaço para que a concorrência leve embora justamente a mão de obra mais qualificada.
Apagão de mão de obra como teste para o futuro da gestão
O caso da Heli Brasil ilustra uma mudança silenciosa em curso na gestão industrial brasileira: quem quiser sobreviver ao apagão de mão de obra precisará tratar pessoas como ativo central da estratégia, e não apenas como custo na folha.
Benefícios abrangentes, espaços de descompressão, flexibilidade de horário e planos de carreira claros deixam de ser “mimos” e passam a ser ferramentas de sobrevivência.
Ao transformar cultura organizacional em principal política de atração e fidelização, a empresa envia um recado ao mercado: investir em gente pode sair mais barato do que conviver com turnover crônico, perda de know-how e dificuldade constante de reposição.
E você, em meio ao apagão de mão de obra na sua área, trocaria de empresa por um pacote de benefícios e ambiente de trabalho como esse?

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