Reassentamento em São Bernardo transforma antiga área de risco em moradia definitiva para famílias que esperavam endereço regular, com apartamentos entregues no Alves Dias e novos projetos previstos para atender moradores removidos da Estrada Eiji Kikuti, após anos em condições precárias.
A Prefeitura de São Bernardo do Campo e o Governo de São Paulo entregaram, na quarta-feira (01), 296 apartamentos a famílias que viviam havia mais de duas décadas em condições precárias no antigo galpão da Estrada Eiji Kikuti, na região do Cooperativa.
Construídas no Conjunto Habitacional Cores, no bairro Alves Dias, as novas moradias foram viabilizadas por meio de parceria entre o município e a CDHU, dentro da política habitacional voltada ao reassentamento de famílias removidas de área de risco.
Depois da saída determinada pela Justiça em 2024, a entrega marcou a primeira etapa de atendimento definitivo aos moradores que deixaram o espaço e passaram a receber auxílio-aluguel custeado pela Prefeitura e pelo Estado até a conclusão das unidades.
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Apartamentos entregues no Alves Dias
No Alves Dias, o empreendimento reúne dois edifícios de 21 pavimentos cada e recebeu investimento total de R$ 62,9 milhões, sendo R$ 10,9 milhões correspondentes à contrapartida municipal, segundo publicação regional creditada à Prefeitura de São Bernardo.
Com dois dormitórios, sala, cozinha, banheiro, área de serviço e terraço, os apartamentos integram um condomínio que também conta com quadra poliesportiva, salão de festas, churrasqueira, playground, jardins, áreas de convivência e sistema de captação de energia solar.
Durante a cerimônia de entrega das chaves, o prefeito Marcelo Lima afirmou que a data ficaria marcada para as famílias atendidas e destacou o simbolismo da mudança para quem vivia nos galpões da Eiji Kikuti.
“Esse é um dia para ser para sempre lembrado”, disse o prefeito, ao citar os moradores que viviam nos galpões da Eiji Kikuti.

Também presente no ato, o governador Tarcísio de Freitas participou da entrega em meio à continuidade do plano de reassentamento da comunidade removida da área de risco, que ainda prevê novas unidades habitacionais para famílias sem atendimento definitivo.
Histórico da ocupação na Eiji Kikuti
Na Estrada Eiji Kikuti, a ocupação começou em 2003 e ganhou força a partir de 2013, segundo as informações divulgadas sobre o histórico do local, onde moradias foram erguidas sem infraestrutura adequada e em ambiente considerado insalubre.
Sem condições seguras de moradia, o antigo galpão concentrava riscos de incêndio, alagamentos e problemas sanitários, em uma área que pertence ao Governo do Estado desde 2005, após um processo de execução fiscal.
Com a desocupação determinada judicialmente em 2024, cerca de 600 famílias deixaram a área e foram incluídas em um programa de apoio temporário, enquanto aguardavam a conclusão dos empreendimentos habitacionais previstos para o grupo.
Em julho de 2024, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação informou que a CDHU atenderia mais de 600 famílias removidas da área conhecida como Galpão, por meio do Programa Casa Paulista, na modalidade Carta de Crédito Associativo.
Na mesma ocasião, o governo estadual indicou investimento previsto de R$ 121,9 milhões para os empreendimentos destinados às famílias removidas, dentro de uma estratégia de reassentamento voltada a áreas de risco em São Bernardo do Campo.
Atendimento habitacional pela CDHU
Pela modalidade Carta de Crédito Associativo, a CDHU compra unidades diretamente de incorporadoras e depois financia os imóveis com condições sociais, em um modelo voltado a famílias com renda de até cinco salários mínimos.
Preferencialmente, esse atendimento contempla moradores oriundos de áreas de risco ou já incluídos em auxílio-moradia, reduzindo o intervalo entre a remoção de uma área vulnerável e a mudança definitiva para um imóvel regularizado.
Durante o período de obras, as famílias beneficiárias ficam isentas de encargos e passam a pagar a primeira prestação somente depois da entrega das chaves, conforme as regras divulgadas pela Secretaria estadual responsável pela política habitacional.
No reassentamento da comunidade da Eiji Kikuti, a entrega do Conjunto Habitacional Cores representa a primeira parte do atendimento definitivo, enquanto um segundo empreendimento ainda deve ampliar o número de famílias beneficiadas.
Chamado Eiji Kikuti, o próximo conjunto deverá reunir 381 unidades habitacionais e tem previsão de entrega até o primeiro semestre de 2027, conforme informações divulgadas durante a entrega das moradias no Alves Dias.

Recomeço após anos em moradia precária
Entre as famílias contempladas está Alexandra Lopes, de 46 anos, que relatou ter vindo sozinha da Paraíba em busca de melhores condições de vida, antes de comprar um barraco no antigo galpão.
Segundo Alexandra, antes de chegar ao imóvel precário, ela viveu por dois anos em situação de rua e trabalhou como faxineira, até juntar dinheiro para comprar uma moradia dentro da ocupação.
Ao lembrar do antigo endereço, a moradora citou cheiro de esgoto e alagamentos em dias de chuva, cenário que contrasta com a mudança para um apartamento regularizado e com estrutura de condomínio.
Depois de receber as chaves, Alexandra afirmou que começaria “uma nova história” em um local seguro e com endereço próprio, encerrando um ciclo marcado por instabilidade habitacional e condições precárias de moradia.
Em janeiro de 2025, a Prefeitura informou que discutia com o Estado a entrega de cerca de 2.000 unidades habitacionais, incluindo o Condomínio Cores São Bernardo e outros empreendimentos em diferentes regiões do município.
Antigo galpão pode receber Centro TEA
Durante a entrega das chaves, o governador Tarcísio de Freitas anunciou a intenção de usar a área dos antigos galpões para um novo equipamento voltado à inclusão social, apresentado como Centro TEA.
Segundo o governador, o espaço poderá ser destinado ao atendimento de famílias atípicas, em uma proposta anunciada ao lado do prefeito Marcelo Lima, ainda sem detalhamento público sobre projeto, prazo, investimento e modelo de funcionamento.
Até a divulgação desses dados, a iniciativa permanece como anúncio de intenção do governo estadual para a área desocupada, enquanto o reassentamento das famílias removidas segue com novas unidades habitacionais previstas em São Bernardo.
Depois de mais de 20 anos de espera, a entrega das chaves no Alves Dias muda o endereço de centenas de famílias; qual deve ser a próxima prioridade habitacional para quem ainda aguarda moradia definitiva em São Bernardo?
