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Em escavações a 2.100 m de altitude, arqueólogos encontram “cidade de ferro” medieval de 120 hectares do auge da Rota da Seda, com urbanismo complexo nas terras altas da Ásia Central

Publicado em 26/01/2026 às 12:20
Atualizado em 26/01/2026 às 12:24
Assista o vídeoCidade medieval, Ferro, Rota da Seda
Vista composta por tecnologia LiDAR de Tugunbulak / Crédito: SAIElab/J.Berner/M.Frachetti
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Escavações em Tugunbulak identificam assentamento de 120 hectares a 2.100 metros, com urbanização complexa, metalurgia e conexões políticas, econômicas e comerciais regionais documentadas historicamente

Uma equipe internacional de arqueólogos identificou, nas montanhas do Uzbequistão, um vasto assentamento medieval em alta altitude que pode corresponder à lendária Marsmanda, citada no século 10 como polo produtor de ferro, alterando a compreensão sobre urbanismo, economia e poder nas terras altas da Ásia Central.

O sítio arqueológico, conhecido atualmente como Tugunbulak, está localizado a cerca de 2.100 metros acima do nível do mar e ocupa aproximadamente 120 hectares, dimensão comparável ao dobro da área urbana preservada de Pompeia.

As escavações são codirigidas por Michael Frachetti, da Universidade de Washington em St. Louis, Farhod Maksudov, do Centro Nacional de Arqueologia do Uzbequistão, e Sanjyot Mehendale, da Universidade da Califórnia, Berkeley.

O projeto combina escavações tradicionais com mapeamento por drones equipados com sensores LiDAR, permitindo identificar estruturas extensas e sutis distribuídas por uma paisagem montanhosa aberta e de difícil leitura visual.

Cidade medieval, Ferro, Rota da Seda
Fotografia aérea da área de Tugunbulak / Crédito: Divulgação/Michael Frachetti

Estrutura urbana em altitude extrema

Os levantamentos revelaram um assentamento com urbanização complexa, incluindo muralhas, torres defensivas, edifícios monumentais e centenas de construções organizadas em terraços adaptados ao relevo íngreme.

Os pesquisadores identificaram pelo menos quatro setores distintos, entre eles uma área fortificada com múltiplas construções robustas, sugerindo planejamento urbano e funções administrativas ou militares definidas.

Escavações pontuais revelaram edifícios construídos em taipa, com paredes espessas, associados a fornos industriais e grandes volumes de escória, indicando produção metalúrgica em larga escala.

As evidências apontam que a atividade metalúrgica estava presente desde pelo menos o século 6 d.C., período associado à expansão do Primeiro Canato Turco na região.

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Produção de ferro e revisão histórica na cidade medieval

Vestígios arqueológicos sugerem que Tugunbulak atuava como centro de extração, fundição e processamento de ferro, capaz de produzir armas, ferramentas agrícolas e possivelmente aço de qualidade inferior.

A quantidade expressiva de resíduos metalúrgicos indica capacidade industrial significativa, contrariando visões tradicionais que descrevem sociedades nômades da Ásia Central como tecnologicamente dependentes de centros urbanos sedentários.

Para os pesquisadores, o sítio demonstra que comunidades pastorais de altitude dominavam técnicas complexas de produção e organização econômica, integrando conhecimento técnico, controle territorial e circulação regional.

A equipe também identificou sepultamentos incomuns, incluindo o de um guerreiro turco enterrado com um cavalo e diversos artefatos associados ao status militar.

Entre os objetos encontrados estão armas, joias e moedas, uma delas com inscrição em sogdiano, datada do século 7 d.C., reforçando conexões comerciais regionais, repercute a Smithsonian Magazine.

Esses achados são raros na região e indicam a presença de elites militares ligadas a tradições turcas, inseridas em redes políticas e econômicas mais amplas.

Cidade medieval, Ferro, Rota da Seda
Vista composta por tecnologia LiDAR de Tugunbulak / Crédito: SAIElab/J.Berner/M.Frachetti

Relação com o sítio de Tashbulak

A poucos quilômetros de Tugunbulak, os arqueólogos haviam escavado anteriormente o sítio de Tashbulak, um assentamento menor ocupado entre aproximadamente 730 e 1050 d.C.

Tashbulak abrigava uma população estimada em cerca de 500 pessoas, com crescimento sazonal associado à chegada de pastores, refletindo dinâmica populacional flexível nas terras altas.

O local possuía cidadela, oficinas metalúrgicas, áreas residenciais e um grande cemitério islâmico, indicando adoção relativamente precoce do Islã fora dos grandes centros urbanos.

As novas evidências sugerem que Tashbulak funcionava como assentamento associado ou subordinado a Tugunbulak, possivelmente ocupado por comunidades com práticas religiosas distintas.

A descoberta de Tugunbulak alterou a interpretação inicial de Tashbulak, revelando que ambos integravam um sistema urbano mais amplo e articulado nas montanhas.

A cidade de Marsmanda e a Rota da Seda

Fontes históricas árabes descrevem Marsmanda como cidade montanhosa de clima rigoroso, conhecida por seus prados e, sobretudo, por sua produção de ferro que atraía pessoas distantes.

Essas descrições coincidem com as características identificadas em Tugunbulak, embora a confirmação definitiva ainda dependa de análises adicionais em curso.

A descoberta reforça novas interpretações sobre a Rota da Seda, indicando que pastores das terras altas desempenhavam papel ativo na circulação de mercadorias, tecnologias e crenças.

Evidências de comércio de grãos, frutas e outros produtos apontam forte integração entre comunidades montanhosas e cidades das terras baixas, como Samarcanda.

Há debate sobre o controle político do assentamento, entre hipóteses de elite turca autônoma ou domínio sogdiano com guerreiros turcos mercenários.

Independentemente disso, Tugunbulak prosperou por séculos antes de ser praticamente abandonado por volta de 1050 d.C., possivelmente por secas, desmatamento ou concorrência metalúrgica regional.

Com informações de Aventuras na História.

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Luiz
Luiz
26/01/2026 20:01

Muita coisa a ser revelada ainda, legal!!

Romário Pereira de Carvalho

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