Descoberta na Regio IX expõe um ambiente refinado de 15 metros, com paredes escuras, cenas mitológicas, piso de mosaico e detalhes que ajudam a entender os banquetes e a vida privada na antiga Pompeia
Uma sala de banquetes com afrescos bem preservados inspirados na Guerra de Troia foi descoberta em Pompeia, no sul da Itália, durante escavações na Regio IX realizadas em 2024. O ambiente, localizado em uma antiga residência particular na Via di Nola, mede 15 metros de comprimento por seis de largura e traz cenas mitológicas usadas para recepção e conversa entre convidados.
Sala de banquetes foi encontrada em antiga residência de Pompeia
A descoberta ocorreu em uma área de escavação da Regio IX, distrito de Pompeia que reunia casas e oficinas.
A sala ficava dentro de uma antiga propriedade particular na Via di Nola, considerada a rua mais longa da cidade antiga.
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O ambiente passou a ser chamado de “quarto negro” por causa da cor das paredes. Segundo especialistas, o tom escuro provavelmente ajudava a disfarçar a fuligem deixada pelas lâmpadas de óleo usadas no local.
A sala era descrita como um espaço refinado para receber convidados em momentos de convivência. Além do tamanho incomum, o estado de preservação dos afrescos chamou atenção dos arqueólogos envolvidos na investigação.
O piso também reforça o caráter sofisticado do espaço. Ele é formado por um mosaico com mais de um milhão de pequenos azulejos brancos, detalhe que mostra o cuidado aplicado na construção e na decoração do cômodo.

Afrescos mostram Helena, Páris, Apolo e Cassandra
As paredes da sala de banquetes em Pompeia trazem personagens da mitologia grega, com cenas ligadas à Guerra de Troia. Um dos afrescos mostra Helena de Troia encontrando Páris, príncipe troiano, pela primeira vez.
Na mesma composição aparecem um cachorro e uma inscrição em grego com o nome “Alexandros”, outra forma de identificar Páris. Pela tradição grega, a fuga de Helena e Páris desencadeou a Guerra de Troia no século XII a.C.
Outro afresco retrata o deus Apolo tentando conquistar Cassandra, sacerdotisa associada às narrativas troianas.
Segundo a lenda, Apolo lhe deu o poder de prever o futuro, mas a amaldiçoou para que ninguém acreditasse em suas previsões depois de ser rejeitado.
Gabriel Zuchtriegel, diretor do parque arqueológico de Pompeia, afirmou que essas figuras tinham função clara dentro do espaço. Elas serviam para entreter os convidados e oferecer temas de conversa durante os banquetes.

Imagens serviam como tema de conversa nos jantares
Para Zuchtriegel, os casais mitológicos representados nas paredes não tinham apenas aparência romântica.
Eles abriam espaço para conversas sobre destino, escolhas individuais, guerra e acontecimentos trágicos ligados às narrativas antigas.
O diretor citou Cassandra, que podia ver o futuro, mas não era ouvida; Apolo, que apoiava os troianos sem garantir a vitória; e Helena e Páris, cuja relação aparece como causa ou pretexto para a guerra.
Zuchtriegel também destacou o efeito visual das pinturas no ambiente. Segundo ele, os jantares aconteciam depois do pôr do sol, e a luz instável das lâmpadas dava a impressão de movimento às imagens, especialmente durante encontros regados ao vinho da Campânia.
As obras foram classificadas como pertencentes ao “terceiro estilo”, também chamado de estilo ornamentado. A datação indicada para esse conjunto artístico fica entre 15 a.C. e 40-50 d.C.
O diretor afirmou ainda que é difícil avaliar a qualidade de uma obra antiga, mas destacou o cuidado com detalhes, expressões e sombras. Para ele, o tema das pinturas também torna o conjunto impressionante.

Escavações na Regio IX já revelaram outros achados
A sala dá para um pátio com uma longa escadaria que levava ao primeiro andar da propriedade. Sob essa escada, os arqueólogos encontraram uma grande pilha de materiais de construção.
Nos arcos da escadaria, havia desenhos feitos a carvão. Eles mostravam dois pares de gladiadores e uma figura descrita pelos arqueólogos como um grande falo estilizado.
As escavações na Regio IX começaram em fevereiro do ano passado e já revelaram outros achados importantes.
Entre eles, está uma casa com uma padaria apertada, onde se acredita que pessoas escravizadas eram mantidas em cárcere privado e exploradas na produção de pão.
Em um dos cômodos da padaria, foram encontrados os restos mortais de três vítimas da erupção do Vesúvio, ocorrida em 79 d.C. Em outra área da residência, um afresco de natureza-morta representando uma pizza foi identificado em uma parede do corredor.
Em dezembro, arqueólogos também encontraram 13 estatuetas em posição vertical, provavelmente sobre uma prateleira no corredor de uma casa.
Segundo os pesquisadores, essas figuras indicavam evidências de rituais pagãos em Pompeia antes da destruição da cidade pelo Vesúvio.
O ministro da Cultura italiano, Gennaro Sangiuliano, afirmou que Pompeia continua sendo um tesouro capaz de surpreender a cada nova escavação.
As ruínas foram descobertas no século XVI, e as primeiras escavações começaram em 1748. Hoje, Pompeia é o segundo sítio arqueológico mais visitado do mundo.
Esta matéria foi elaborada com base nas informações fornecidas sobre as escavações em Pompeia, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.


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