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Em 1977, estudante americano criou projeto funcional de bomba nuclear usando apenas livros e chamou atenção do FBI e da CIA

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 14/04/2025 às 09:37
Atualizado em 14/04/2025 às 09:39
Assista o vídeoEm 1977, estudante americano criou projeto funcional de bomba nuclear usando informações públicas e chamou atenção do FBI e da CIA
Foto: Aluno fazendo bomba nuclear para trabalho escolar – IA
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Trabalho escolar de universitário de 21 anos em Princeton mostrou passo a passo para construir uma bomba atômica — tudo usando apenas livros e dados públicos disponíveis na época.

Em pleno ano de 1977, durante os tempos tensos da Guerra Fria, um estudante universitário dos Estados Unidos atraiu os olhos do FBI e da CIA ao entregar um trabalho acadêmico que ia muito além dos limites da sala de aula. John Aristotle Phillips, então com 21 anos e aluno de física na renomada Universidade de Princeton, apresentou um projeto funcional de bomba nuclear usando exclusivamente informações públicas. O episódio ganhou repercussão internacional e gerou debates que seguem atuais até hoje, especialmente em torno da ética científica e da segurança nacional.

A proposta inusitada de Phillips para o trabalho final da disciplina era intitulada “Como construir sua própria bomba atômica”. Embora muitos possam considerar o tema provocativo ou até mesmo absurdo, ele foi tratado com seriedade. Usando fontes acessíveis a qualquer cidadão — incluindo livros científicos, arquivos desclassificados e até correspondência com empresas como a DuPont —, Phillips construiu um plano técnico teoricamente viável para criar uma bomba similar à lançada sobre Nagasaki durante a Segunda Guerra Mundial.

Projeto de John Aristotle Phillips tinha 40 páginas que detalhava construção de bomba atômica e alarmou autoridades americanas

O documento entregue por Phillips consistia em um relatório de 40 páginas que descrevia passo a passo a construção de uma bomba nuclear. Embora o projeto fosse inteiramente teórico, especialistas consultados na época afirmaram que, com a adição de plutônio — o único elemento ausente —, o artefato seria funcional.

O que mais impressionou autoridades e acadêmicos foi o fato de que todo o conhecimento reunido por Phillips estava disponível em fontes públicas, demonstrando a facilidade com que informações sensíveis poderiam ser utilizadas para fins perigosos.

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Ao contrário do que se poderia imaginar, Phillips não era um estudante excepcional. Ele possuía um desempenho mediano em física, mas se dedicou de forma intensa à pesquisa, explorando bibliotecas, publicações científicas e até informações técnicas de acesso comum.

Seu objetivo era provar que o conhecimento necessário para construir uma bomba nuclear funcional já estava, em partes, disponível a quem tivesse curiosidade suficiente — e isso ficou provado de forma contundente.

FBI e CIA intervieram após interesse de agentes estrangeiros pelo projeto da bomba nuclear funcional desenvolvido por Phillips

A situação tomou proporções ainda maiores quando a imprensa noticiou o caso, apelidando o jovem de “o garoto da bomba A”. A comoção pública foi tão intensa que agentes estrangeiros teriam tentado obter cópias do projeto, o que levou o FBI e a CIA a agir rapidamente. As autoridades federais confiscaram todos os documentos e materiais utilizados, inclusive um modelo físico inofensivo que Phillips havia montado em seu dormitório.

A partir de então, o conteúdo passou a ser considerado confidencial. Embora o projeto não envolvesse materiais nucleares reais, o caso levantou preocupações sérias sobre a proliferação do conhecimento nuclear e a possibilidade de que indivíduos ou grupos mal-intencionados pudessem reproduzir o feito com intenções perigosas. Para muitos, a atitude de Phillips foi irresponsável; para outros, um alerta necessário.

Estudante abandonou a ciência e passou a atuar como ativista antinuclear nos Estados Unidos

Apesar da polêmica, o episódio marcou profundamente a vida de John Aristotle Phillips. Ele abandonou os planos de seguir carreira na física e se tornou um militante ativo contra armas nucleares. Publicou um livro sobre sua experiência e chegou a se candidatar ao Congresso dos Estados Unidos, sem sucesso eleitoral. Ainda assim, seu nome permanece registrado na história como protagonista de um dos casos mais emblemáticos da interseção entre ciência, política e segurança.

A história de Phillips é frequentemente revisitada em congressos, debates acadêmicos e até obras de ficção. Seu trabalho é considerado um exemplo clássico de como a curiosidade científica pode ultrapassar fronteiras éticas e políticas, especialmente quando envolve tecnologias de destruição em massa. O episódio também contribuiu para o endurecimento de políticas de controle de informações técnicas nos Estados Unidos e em outras potências nucleares.

Caso é referência até hoje em debates sobre ética científica e segurança da informação nuclear

Mais de quatro décadas depois, o caso John Phillips continua relevante, especialmente em tempos de hiperconectividade e ampla circulação de dados. Atualmente, o acesso ao conhecimento técnico e científico está a poucos cliques de qualquer pessoa com conexão à internet. E

Especialistas em não proliferação nuclear costumam citar o caso Phillips como evidência de que a barreira entre curiosidade e ameaça real pode ser muito tênue. Ao mesmo tempo, seu trabalho expôs uma fragilidade no sistema de proteção de informações sensíveis, mostrando que a censura não é a única forma de evitar riscos — mas que a educação ética e a vigilância internacional também são fundamentais.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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