Elon Musk condicionou sua remuneração na SpaceX a metas que nenhum executivo na história corporativa ousou estabelecer. O conselho da empresa aprovou um pacote de 200 milhões de ações que só será liberado se a SpaceX atingir valor de mercado de R$ 37,5 trilhões e mantiver uma colônia humana permanente com pelo menos 1 milhão de pessoas em Marte. As condições não têm prazo e foram reveladas em registro confidencial enviado à SEC e analisado pela Reuters.
Elon Musk transformou a colonização de Marte em meta corporativa vinculada à sua própria remuneração. Um registro confidencial enviado à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) revela que o empresário só receberá um novo pacote de ações da SpaceX se a empresa conseguir manter uma colônia humana permanente com pelo menos 1 milhão de pessoas no planeta vermelho e alcançar valor de mercado equivalente a R$ 37,5 trilhões. Hoje, Musk recebe salário fixo de US$ 54.080 por ano na SpaceX, cerca de R$ 270 mil, um montante considerado simbólico para o homem mais rico do mundo.
As condições aprovadas pelo conselho em janeiro não têm prazo para serem cumpridas, o que torna o pacote único na história corporativa. O plano prevê a entrega de 200 milhões de ações restritas com direito a voto ampliado: cada papel da Classe B concede dez votos, o que aumentaria o controle de Musk sobre a companhia à medida que as metas forem atingidas. Se nenhuma das exigências for cumprida, o empresário não recebe nada além do salário simbólico. A aprovação ocorreu enquanto a SpaceX se prepara para abrir capital em uma operação que pode avaliá-la em cerca de US$ 1,75 trilhão.
O que significa montar uma colônia de 1 milhão de pessoas em Marte
Segundo informações divulgadas pelo portal IG, a meta de estabelecer uma colônia permanente com 1 milhão de pessoas em Marte é, por qualquer métrica, a exigência mais ambiciosa já incluída em um plano de remuneração corporativa. Nenhum ser humano pisou em Marte, nenhuma base permanente foi construída fora da Terra, e a logística de transportar e sustentar 1 milhão de pessoas a 225 milhões de quilômetros de distância exige tecnologia que ainda não existe. A própria NASA prevê a primeira missão tripulada ao planeta vermelho apenas para a década de 2040.
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Para Musk, a colonização de Marte não é apenas uma meta de remuneração: é a razão declarada pela qual a SpaceX foi fundada. O empresário afirma há anos que tornar a humanidade multiplanetária é a missão central da empresa, e o pacote de ações transforma essa visão em compromisso financeiro formal. Se a colônia nunca for estabelecida, Musk abre mão de um pagamento que pode valer centenas de bilhões de dólares.
O valor de R$ 37,5 trilhões e o IPO que se aproxima
A segunda condição do pacote é que a SpaceX atinja valor de mercado equivalente a R$ 37,5 trilhões (cerca de US$ 7,5 trilhões). Para efeito de comparação, a empresa mais valiosa do mundo hoje, a Apple, vale cerca de US$ 3 trilhões, o que significa que a SpaceX precisaria valer mais do que o dobro da maior companhia do planeta para liberar as ações de Musk.
A empresa se prepara para abrir capital por volta de 28 de junho, em uma operação que pode avaliá-la em cerca de US$ 1,75 trilhão, aproximadamente R$ 8,75 trilhões. Esse valor já colocaria a SpaceX entre as cinco empresas mais valiosas do mundo no primeiro dia de negociação, mas ainda representaria menos de um quarto da meta necessária para o pagamento de Musk. O crescimento de US$ 1,75 trilhão para US$ 7,5 trilhões exigiria expansão sem precedentes que depende não apenas de Marte, mas de toda a operação da SpaceX em lançamentos comerciais, internet Starlink e contratos governamentais.
As metas extras: data centers no espaço e energia de escala nuclear
Além da colônia marciana, há um segundo bloco de exigências que libera ações adicionais. Musk pode receber até 60,4 milhões de ações extras se a SpaceX operar centros de dados no espaço com capacidade de pelo menos 100 terawatts, volume de energia equivalente a cerca de 100 mil reatores nucleares de um gigawatt funcionando simultaneamente. A meta dimensiona uma infraestrutura computacional orbital que não tem paralelo nem em ficção científica.
As ações desse segundo bloco são liberadas em etapas conforme o valor da empresa sobe, seguindo marcos de valorização definidos no acordo. Sem atingir os marcos, não há pagamento, mantendo a lógica de que Musk só ganha se entregar resultados que expandam as fronteiras do que a SpaceX pode fazer. A combinação de colônia em Marte e data centers espaciais cria um plano de remuneração que é, na prática, um roteiro para a transformação da civilização humana.
A disputa entre SpaceX e Tesla pela atenção de Musk
O pacote aumenta uma tensão que já preocupa investidores das duas empresas. Elon Musk também comanda a Tesla, onde possui cerca de 20% das ações e outro plano de remuneração ligado a metas de desempenho. Especialistas ouvidos pela Reuters afirmam que as duas empresas passam a disputar a atenção do empresário, que já divide seu tempo entre SpaceX, Tesla, X (antigo Twitter), Neuralink e xAI.
Eric Hoffmann, da Farient Advisors, questionou se as metas têm precedente: “Isso já foi feito na história da humanidade?” Courtney Yu, da Equilar, observou que metas fora do padrão financeiro, como colonização de Marte e infraestrutura espacial, são extremamente raras em planos de remuneração corporativa. A SpaceX e a Tesla não responderam aos pedidos de comentário, deixando o mercado interpretar sozinho o que o pacote significa para o futuro de ambas as companhias.
O que acontece se Marte ficar fora do alcance
O cenário em que Musk nunca recebe as ações é tão plausível quanto o de sucesso. A colonização de Marte enfrenta desafios de radiação cósmica, gravidade reduzida, produção de alimentos, geração de energia e sustentação psicológica que a ciência atual não resolveu. Mesmo que a SpaceX consiga pousar humanos no planeta vermelho na próxima década, a transição de base científica para colônia de 1 milhão de pessoas exige séculos de desenvolvimento, não anos.
Para investidores que comprarão ações da SpaceX no IPO, a questão é se as metas de Musk são visionárias ou impossíveis. O patrimônio do empresário, estimado pela Forbes em US$ 776 bilhões, sugere que ele pode se dar ao luxo de apostar, mas o mercado terá que decidir se uma empresa cujo CEO condiciona seu pagamento à colonização de outro planeta é uma oportunidade de investimento ou um exercício de megalomania com roupagem corporativa.
Você acha que Elon Musk vai conseguir colocar 1 milhão de pessoas em Marte ou que essa meta é impossível mesmo sem prazo? Conte nos comentários se investiria na SpaceX sabendo que o plano do CEO inclui colonizar outro planeta e operar data centers no espaço.

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