Privatizada em 2022, a companhia iniciou a venda de 12 termelétricas e agora quer sair de ativos não operacionais como hotel e cinema ligados a antigas obras de geração.
A Eletrobras, maior empresa de energia da América Latina, avança em um plano de simplificação: depois de fechar a venda de 12 usinas termelétricas para a Âmbar Energia (J&F) por R$ 4,7 bilhões, a companhia se prepara para se desfazer de um hotel e até de um cinema herdados do período estatal. O movimento integra a estratégia de focar em geração e transmissão e reduzir custos.
Privatizada em 14 de junho de 2022, por meio de oferta na B3 que diluiu a participação da União e manteve golden share, a empresa reorganiza o portfólio para ganhar eficiência operacional e financeira.
Os ativos incomuns remontam às décadas de 1950 e 1960, quando, para erguer grandes hidrelétricas, a Eletrobras construiu cidades inteiras e estruturas de apoio. Parte desse legado inclui aeroporto, hotéis e um cinema na região de Furnas (MG) e um hospital no polo hidrelétrico de Paulo Afonso (BA), já destinado à universidade local.
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Por que a Eletrobras tem hotel e cinema no balanço
A origem está no ciclo de grandes obras do século passado. Para viabilizar hidrelétricas como Furnas, a estatal estruturou vilas operárias e serviços, prática comum no país desenvolvimentista, que acabaram permanecendo na carteira. É um legado físico de um modelo antigo de expansão.
Em São José da Barra (MG), próximo à UHE Furnas, a companhia ainda detém um aeroporto, dois hotéis e um cinema. O aeroporto e um dos hotéis estão arrendados à Marinha do Brasil, mas a empresa tenta vender o outro hotel e vender ou doar o cinema para encerrar despesas com manutenção.
No Complexo Paulo Afonso (BA), o hospital erguido para apoiar as obras foi encaminhado para a Univasf e será um hospital universitário sob gestão da Ebserh, reduzindo obrigações assistenciais fora do core business. É a conversão de um passivo histórico em benefício público.
O que já foi vendido: termelétricas e a estratégia com a Âmbar Energia
Em 10 de junho de 2024, a Eletrobras assinou acordo para vender sua carteira termelétrica à Âmbar Energia (J&F) por R$ 4,7 bilhões, com R$ 1,2 bilhão em earn-out e cerca de 2 GW de capacidade instalada. A operação transfere à compradora o risco de crédito dos contratos e apoia a meta de descarbonização até 2030.
A transferência parcial dos ativos começou em 15 de maio de 2025, com etapas de fechamento por usina. A térmica Santa Cruz (500 MW), no RJ, segue condicionada a aprovações regulatórias, o que mantém um cronograma fatiado de closing.
Há contestações pontuais: um recurso na Aneel questiona a venda das usinas Mauá 3 e Aparecida, no Amazonas, sem efeito suspensivo até aqui. O mérito ainda é analisado, mas o processo não impediu os fechamentos parciais.
Próximos passos: desinvestimentos, governança e foco no core
A administração indica mais desinvestimentos em ativos não essenciais e redução de participações minoritárias. Também busca encerrar pendências antigas, como o envolvimento no projeto Angra 3, após acordo com o governo que redefiniu representação no conselho e trouxe previsibilidade.
Em abril de 2025, a companhia informou ter votos suficientes para aprovar o arranjo de governança que permite ao governo indicar três dos dez conselheiros, sem romper a lógica de capital pulverizado pós-privatização. O objetivo é reduzir litígios e liberar agenda para eficiência.
No front de alienações, a Eletrobras contratou assessoria para vender sua participação remanescente na Eletronuclear, reforçando o foco em geração renovável e transmissão de alta tensão, áreas em que detém escala e expertise.
E você, o que pensa? A Eletrobras deve vender esses bens culturais, como o cinema, ou doá-los à comunidade local? Isso é eficiência empresarial ou perda de patrimônio histórico? Deixe seu comentário e diga qual destino considera mais adequado para esses ativos.

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