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El Niño já dá sinais no Pacífico e pode se formar a partir de maio trazendo chuvas acima do normal para o Sul do Brasil enquanto Norte e Nordeste enfrentam o risco de seca prolongada

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 28/04/2026 às 13:31
Atualizado em 28/04/2026 às 13:35
El Niño pode se formar em maio e trazer chuvas acima do normal no Sul do Brasil enquanto Norte e Nordeste enfrentam risco de seca. OMM alerta para intensificação.
El Niño pode se formar em maio e trazer chuvas acima do normal no Sul do Brasil enquanto Norte e Nordeste enfrentam risco de seca. OMM alerta para intensificação.
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A OMM aponta alta probabilidade de El Niño entre maio e julho de 2026, com chuvas acima da média no Sul do Brasil e risco de seca prolongada no Norte e Nordeste, após o Pacífico Equatorial registrar aquecimento rápido das águas superficiais no fim da neutralidade climática, segundo o Inmet.

O Pacífico Equatorial está esquentando mais rápido do que os modelos previam, e os sinais apontam para a formação do El Niño já a partir de maio, fenômeno que pode redistribuir as chuvas no Brasil de forma desigual nos próximos meses. A OMM confirmou que as temperaturas da superfície do mar na faixa equatorial do Pacífico central e oriental estão subindo rapidamente após um período de neutralidade no início do ano, e o chefe de previsão climática da entidade, Wilfran Moufouma Okia, afirmou que os modelos climáticos “estão fortemente alinhados” na indicação de que o fenômeno terá início seguido de intensificação progressiva. Para o Brasil, isso significa que as chuvas vão aumentar em algumas regiões e diminuir em outras, padrão que historicamente se repete toda vez que o El Niño se estabelece.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) detalha como as chuvas devem se comportar em cada parte do país. No Sul do Brasil, a tendência é de precipitação acima da média, cenário que eleva o risco de enchentes, deslizamentos e transbordamentos de rios em regiões que já são vulneráveis a eventos extremos. Nas áreas do Norte e Nordeste, o efeito é inverso: o El Niño costuma reduzir o volume de chuvas e causar seca prolongada, condição que ameaça reservatórios, agricultura de sequeiro e comunidades que dependem de chuvas regulares para abastecimento de água. O impacto concreto dependerá da intensidade do fenômeno, da época do ano e da interação com outros sistemas climáticos que atuam sobre o território brasileiro.

O que indica que o El Niño está se formando e vai alterar as chuvas

El Niño pode se formar em maio e trazer chuvas acima do normal no Sul do Brasil enquanto Norte e Nordeste enfrentam risco de seca. OMM alerta para intensificação.

A formação do El Niño é declarada quando as águas do Pacífico Equatorial central e oriental permanecem mais quentes que a média por período prolongado, alteração que modifica os padrões de circulação atmosférica em escala global.

O aquecimento observado nas últimas semanas representou mudança significativa em relação ao início do ano, quando o oceano mantinha condições neutras, e a velocidade da transição surpreendeu parte dos analistas porque comprimiu em poucas semanas um processo que em anos anteriores levou meses para se consolidar.

Os modelos climáticos da OMM agora convergem para a mesma conclusão: o El Niño deve se estabelecer entre maio e julho, com probabilidade alta de intensificação no segundo semestre de 2026.

O alinhamento dos modelos é o que confere confiança à previsão. Quando diferentes sistemas de modelagem climática operados por agências distintas ao redor do mundo chegam à mesma conclusão, a margem de erro diminui consideravelmente, e Moufouma Okia destacou que o nível de concordância entre os modelos neste momento é elevado.

A OMM ressalva que ainda existem limitações nas previsões feitas neste período por causa da chamada “barreira de previsibilidade da primavera” no Hemisfério Norte, fenômeno estatístico que reduz a precisão dos modelos durante a transição sazonal, mas mesmo com essa cautela a indicação de El Niño para 2026 é robusta.

Como as chuvas devem se comportar no Sul do Brasil com o El Niño

O Sul é a região brasileira mais diretamente afetada pelo aumento de chuvas que o El Niño provoca. O fenômeno altera a posição da corrente de jato subtropical, direcionando massas de ar úmido da Amazônia e do Pacífico para os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná com frequência e intensidade superiores ao normal.

Na prática, isso se traduz em precipitação acumulada acima da média durante meses consecutivos, condição que satura o solo, eleva o nível dos rios e cria ambiente propício para enchentes que no passado recente causaram destruição em escala catastrófica.

O trimestre entre maio e julho será o período inicial do impacto. A OMM prevê que as temperaturas ficarão acima da média em grande parte do planeta nesse intervalo, e no Sul do Brasil o calor combinado com umidade elevada pode resultar não apenas em mais volume de chuvas, mas em maior frequência de eventos severos como temporais, vendavais e formação de granizo.

Para estados que ainda se recuperam dos efeitos do El Niño de 2015 e das enchentes recentes, o retorno do fenômeno exige preparação antecipada que inclui limpeza de canais de escoamento, reforço de encostas e planejamento de evacuações em comunidades ribeirinhas.

O que Norte e Nordeste podem esperar com a redução das chuvas

No outro extremo do espectro, as regiões Norte e Nordeste do Brasil enfrentam perspectiva oposta. O El Niño reduz as chuvas nessas áreas ao alterar a posição da Zona de Convergência Intertropical, sistema atmosférico que normalmente leva umidade para a faixa equatorial do país e que durante o fenômeno se desloca para norte, afastando-se do território brasileiro.

O resultado é prolongamento da estação seca, queda nos níveis de reservatórios e estresse hídrico que afeta tanto a agricultura quanto o abastecimento urbano em cidades que dependem de chuvas regulares para manter seus sistemas de captação funcionando.

A vulnerabilidade dessas regiões à redução de chuvas é historicamente documentada. Secas prolongadas associadas ao El Niño já provocaram crises de abastecimento no Nordeste em episódios anteriores, e comunidades rurais que praticam agricultura de sequeiro (sem irrigação) são as mais expostas porque uma safra perdida por falta de água pode significar insegurança alimentar para famílias inteiras.

O Inmet monitora as condições e emitirá alertas conforme o fenômeno se desenvolve, mas a preparação nas regiões de risco precisa começar antes que as chuvas parem de cair.

O que se sabe sobre a intensidade do El Niño em 2026

A OMM indica que o evento pode ser significativo ao longo de 2026, embora não utilize o termo “super El Niño” por não se tratar de classificação técnica padronizada.

A intensidade final dependerá de variáveis que incluem a velocidade de aquecimento do Pacífico nos próximos meses, a interação com padrões de circulação atmosférica regionais e a influência de oceanos mais quentes que, segundo a organização, podem amplificar os efeitos do fenômeno sem necessariamente aumentar sua frequência. A próxima atualização oficial da OMM sobre o cenário climático está prevista para o fim de maio, momento em que dados mais recentes permitirão refinar as projeções.

Para o Brasil, a incerteza sobre a intensidade não diminui a necessidade de preparação. Se o El Niño for moderado, as chuvas no Sul ficarão acima da média e a seca no Norte e Nordeste será perceptível mas administrável.

Se for forte, os extremos se amplificam e o país pode enfrentar simultaneamente enchentes no Sul e crise hídrica no Norte, cenário que exige coordenação nacional de defesa civil e recursos que raramente estão disponíveis quando são mais necessários. A diferença entre um El Niño gerenciável e um desastroso está na preparação feita antes que ele atinja intensidade máxima.

E você, mora em região que costuma ser afetada pelo El Niño? Já sentiu mudança no padrão de chuvas na sua cidade? Deixe sua opinião nos comentários.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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