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Durante 50 anos, este gigante de concreto armazenou grãos no porto de Copenhague, até ganhar novos pisos, fachada metálica e janelas panorâmicas para abrigar 38 apartamentos com até 400 m²

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 15/07/2026 às 15:51 Atualizado em 15/07/2026 às 15:54
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O antigo silo de grãos de Copenhague foi preservado e adaptado com cortes no concreto
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O antigo silo de grãos de Copenhague foi preservado e adaptado com cortes no concreto, novos pavimentos, isolamento externo e varandas. A conversão criou 38 apartamentos com até 400 m², manteve a aparência industrial e abriu áreas públicas com vista para a cidade e o mar.

Durante 50 anos, um enorme silo de concreto foi usado para armazenar grãos em Nordhavn, antiga área industrial do porto de Copenhague, na Dinamarca. Depois de perder sua função original, a estrutura de 17 andares passou por uma conversão completa para receber moradias e espaços públicos.

O edifício, oficialmente chamado The Silo, ganhou novos pisos, janelas panorâmicas, varandas e uma fachada metálica. Dentro dele foram criados 38 apartamentos, com áreas aproximadas entre 100 e 400 metros quadrados e ambientes que chegam a 7 metros de altura.

A COBE, escritório dinamarquês de arquitetura responsável pelo projeto, detalhou uma transformação realizada entre 2013 e 2017. A obra preservou o núcleo de concreto e adaptou uma construção industrial que não havia sido projetada para receber moradores.

Um silo de grãos funciona de maneira diferente de um prédio residencial

Um edifício residencial comum possui andares regulares, corredores, janelas e cômodos definidos desde o início. Um silo de grãos precisa armazenar e movimentar grandes volumes de produtos agrícolas, por isso sua organização interna segue outra lógica.

O edifício, oficialmente chamado The Silo, ganhou novos pisos, janelas panorâmicas, varandas e uma fachada metálica.
O edifício, oficialmente chamado The Silo, ganhou novos pisos, janelas panorâmicas, varandas e uma fachada metálica.

A construção tinha paredes grossas de concreto, compartimentos estreitos, grandes vazios e pouca entrada de luz. Alguns trechos não possuíam pisos adequados para formar apartamentos, enquanto outros apresentavam alturas muito superiores às encontradas em moradias comuns.

Essas características impediam uma conversão baseada apenas em acabamentos internos. Antes da instalação de cozinhas, quartos e salas, a estrutura precisou receber novas divisões, aberturas e caminhos de circulação.

O desafio consistia em tornar os espaços habitáveis sem esconder completamente a origem do prédio. Por isso, o projeto manteve partes do concreto industrial aparente dentro das novas unidades.

Cortes nas paredes e novos pisos criaram os apartamentos

As antigas células de armazenamento eram fechadas e inadequadas para a permanência de pessoas. A obra abriu partes do concreto para ligar ambientes, criar passagens e permitir a instalação de janelas maiores.

Nos trechos onde os pisos não atendiam ao novo uso, foram construídos novos pavimentos. Essa intervenção dividiu grandes vazios verticais e organizou os espaços necessários para formar os apartamentos.

O concreto cortado continuou visível em vários pontos. Em vez de cobrir todas as superfícies, o projeto preservou marcas da antiga estrutura e criou um contraste entre paredes industriais e elementos residenciais.

Essa solução também permitiu aproveitar as diferenças existentes dentro do silo. As unidades receberam formatos variados porque os compartimentos originais não apresentavam as mesmas dimensões em todos os andares.

Fachada metálica protege o antigo núcleo de concreto

O exterior do silo precisava atender às exigências de conforto de um prédio residencial. A solução foi instalar uma nova camada de isolamento sobre a estrutura antiga, formando uma proteção contra as condições do clima.

Fachada metálica protege o antigo núcleo de concreto
Fachada metálica protege o antigo núcleo de concreto

Placas metálicas foram colocadas sobre esse isolamento. A nova pele externa protege o concreto e mantém uma ligação visual com o passado industrial e portuário de Nordhavn.

A fachada possui superfícies anguladas que refletem a luz e a água próxima. Ao mesmo tempo, ela serve de apoio para as novas janelas e varandas instaladas ao redor do edifício.

Essa intervenção alterou o desempenho do prédio sem eliminar seu formato alto e estreito. O antigo reservatório continuou reconhecível na paisagem, mas passou a oferecer proteção, iluminação e conforto para uso residencial.

Janelas panorâmicas levaram luz aos espaços antes fechados

Um silo não precisa oferecer vista nem iluminação natural para armazenar grãos. Já uma moradia depende de aberturas que permitam a entrada de luz, ventilação e contato com o lado externo.

Todos os apartamentos receberam janelas do piso ao teto e varandas. Os caixilhos foram posicionados pelo lado externo das paredes existentes, deixando o concreto aparente no interior e ampliando o campo de visão.

As novas aberturas oferecem vistas para Copenhague, para a costa de Øresund e para o mar. Assim, espaços originalmente fechados passaram a ter fachadas abertas e iluminadas.

A mudança foi essencial para tornar os antigos compartimentos industriais adequados à moradia. As janelas não cumprem apenas uma função estética, pois também resolvem uma das principais limitações da estrutura original.

Os 38 apartamentos mantêm diferenças criadas pelo uso industrial

A conversão resultou em 38 apartamentos com áreas aproximadas entre 100 e 400 metros quadrados. As unidades apresentam plantas diferentes porque cada parte do silo possuía dimensões próprias.

Alguns apartamentos ocupam um único nível, enquanto outros aproveitam alturas maiores. Em determinados espaços, a distância entre o piso e o teto alcança 7 metros, medida superior à encontrada em residências comuns.

A COBE, escritório dinamarquês de arquitetura responsável pelo projeto, preservou essa variedade em vez de impor uma divisão igual em todos os andares. O concreto cortado permaneceu como um detalhe visível em diferentes ambientes.

Essa escolha transformou uma dificuldade da obra em parte da organização residencial. Os antigos vazios, as paredes espessas e as diferenças de altura passaram a definir apartamentos que não repetem a mesma planta.

Áreas públicas mantêm o silo conectado ao bairro

Nem todos os espaços do edifício foram reservados aos moradores. As extremidades receberam funções públicas, permitindo que a antiga construção industrial continuasse acessível a outros usuários de Nordhavn.

No alto, uma estrutura envidraçada abriga um restaurante público e uma área de observação. A fachada de vidro reflete o céu durante o dia e oferece uma visão ampla da cidade e do mar.

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A parte inferior também recebeu espaço para atividades públicas. Essa combinação mantém o prédio ativo além do uso residencial e evita que um antigo marco do porto se transforme em uma torre completamente isolada.

A presença dessas áreas integra o silo à renovação de Nordhavn. A região deixou de concentrar apenas operações industriais e passou a receber moradias, serviços e novos espaços urbanos.

Preservação do concreto reduziu a necessidade de reconstruir tudo

A conversão reaproveitou uma grande estrutura que já estava pronta. Manter o núcleo de concreto evitou substituir todo o edifício por uma construção nova e preservou uma parte importante da história industrial do porto.

O projeto também mostrou que antigas instalações industriais podem receber outros usos. Para isso, foi necessário resolver problemas de circulação, iluminação, isolamento, distribuição dos pavimentos e ligação com o espaço urbano.

O silo está concluído como um complexo residencial de 17 andares e 38 apartamentos. Sua estrutura mantém o concreto industrial, enquanto a nova fachada metálica sustenta janelas e varandas voltadas para a cidade e o mar.

A transformação foi além de uma mudança visual. Um equipamento criado para armazenar grãos passou a oferecer moradia e áreas públicas sem desaparecer da paisagem portuária de Copenhague.

Quando uma grande estrutura industrial perde sua função, é melhor demolir e começar do zero ou adaptar o que já existe? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a publicação.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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