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Pás de 80 metros inclinadas a 60 graus para caber nas ruas, o transporte das hélices gigantes de um parque eólico no Reino Unido virou espetáculo nas redes, com carretas especiais que erguem a carga no ar e exigem seis operadores cada uma para vencer curvas e vilarejos estreitos

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 15/07/2026 às 17:33 Atualizado em 15/07/2026 às 17:39
Carretas capazes de erguer hélices gigantes de 80 metros a até 60 graus estão levando pás eólicas por estradas estreitas do sul da Escócia
Carretas capazes de erguer hélices gigantes de 80 metros a até 60 graus estão levando pás eólicas por estradas estreitas do sul da Escócia
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Carretas capazes de erguer hélices gigantes de 80 metros a até 60 graus estão levando pás eólicas por estradas estreitas do sul da Escócia, rumo ao parque Sanquhar II. Cada veículo exige seis operadores, e as imagens da operação viralizaram nas redes sociais.

Poucas cargas no mundo são tão complicadas de transportar quanto as hélices gigantes de um aerogerador moderno. Segundo o Blog do Caminhoneiro e a própria transportadora Collett & Sons Ltd, a empresa realizou recentemente a movimentação de uma série de pás eólicas e outros equipamentos rumo ao Parque Eólico Sanquhar II, ainda em construção e as imagens do comboio chamaram tanta atenção nas redes sociais que a operação virou espetáculo.

O motivo do fascínio é simples de entender quando se olha a cena. São pás de até 80 metros de comprimento, erguidas no ar em ângulos de até 60 graus, atravessando ruas de vilarejos e curvas fechadas onde um caminhão comum jamais passaria. É engenharia de transporte levada ao limite, e cada centímetro é calculado antes de a roda girar.

As hélices gigantes que viraram espetáculo nas redes

Carretas capazes de erguer hélices gigantes de 80 metros a até 60 graus estão levando pás eólicas por estradas estreitas do sul da Escócia
Carretas capazes de erguer hélices gigantes de 80 metros a até 60 graus estão levando pás eólicas por estradas estreitas do sul da Escócia

A operação chamou atenção justamente por parecer impossível. As pás são içadas por carretas especiais que inclinam a carga para o alto, criando a imagem surreal de uma lâmina branca de dezenas de metros apontada para o céu, passando raspando por casas e árvores. O destino são os aerogeradores da Vestas, fabricante das turbinas usadas no projeto.

As fotos e vídeos rodaram a internet rapidamente. O que para o público é um espetáculo, para os envolvidos é rotina milimetricamente planejada, resultado de meses de estudo de rota e de equipamentos desenvolvidos especificamente para esse tipo de desafio.

E não é um caso isolado. A movimentação registrada faz parte de uma sequência longa de entregas que vai se repetir dezenas de vezes até o parque eólico ficar pronto ou seja, os moradores da região vão conviver com essas hélices gigantes cruzando suas ruas por um bom tempo.

Onde fica o parque: Sanquhar II, no sul da Escócia

Carretas capazes de erguer hélices gigantes de 80 metros a até 60 graus estão levando pás eólicas por estradas estreitas do sul da Escócia
Carretas capazes de erguer hélices gigantes de 80 metros a até 60 graus estão levando pás eólicas por estradas estreitas do sul da Escócia

Vale esclarecer um ponto geográfico que costuma gerar confusão. O Parque Eólico Sanquhar II não fica na Inglaterra, mas no sul da Escócia, entre as regiões de Dumfries and Galloway e East Ayrshire daí as estradas rurais estreitas e sinuosas que tornam o transporte tão complicado.

O empreendimento é de grande porte. O parque terá 44 aerogeradores e é apontado como um dos maiores projetos de energia eólica em terra do Reino Unido, com o desenvolvimento conduzido pela CWP Energy.

A escolha do local explica boa parte do desafio logístico. Trata-se de uma área de colinas e vilarejos antigos, com vias que nunca foram pensadas para cargas de 80 metros um cenário perfeito para justificar tecnologia de transporte fora do comum.

480 componentes até 2027: a escala da operação

Os números do projeto ajudam a entender o tamanho da empreitada. Para erguer os 44 aerogeradores, será necessário transportar 480 componentes até o final de 2027, segundo a transportadora responsável.

Não são apenas as pás que precisam viajar. As entregas incluem seções de torre, naceles, cubos e sistemas de transmissão de energia, cada um com seu próprio desafio de peso, dimensão e fixação.

Ou seja, o espetáculo vai se repetir. Cada viagem dessas exige o mesmo nível de planejamento e a mesma estrutura de apoio, multiplicando por centenas o esforço logístico ao longo de todo o cronograma da obra.

Pás de 80 metros: os números das hélices gigantes

O destaque absoluto fica por conta do tamanho das lâminas. Serão transportadas 42 turbinas Vestas V162, equipadas com pás de 80 metros, além de duas turbinas V136, com pás de 68 metros.

Para dimensionar: 80 metros é quase o comprimento de um campo de futebol. Cada hélice sozinha é maior do que a asa de muitos aviões comerciais, e precisa chegar ao destino absolutamente intacta, sem trincas ou deformações.

Esse tamanho não é capricho de engenharia. Pás maiores capturam mais vento e geram mais energia por aerogerador, o que explica a corrida do setor por lâminas cada vez mais longas e, na mesma medida, cada vez mais difíceis de transportar.

As carretas Goldhofer que erguem a carga no ar

A solução para o problema veio de equipamentos altamente especializados. Esta foi a primeira operação da empresa com a utilização de carretas especiais Goldhofer, que contam com um sistema específico de fixação da carga.

A engenhoca faz o que uma prancha comum não consegue. O equipamento permite movimentar as pás eólicas conforme o tipo da via, desviando de obstáculos e reduzindo o impacto do vento nas estruturas durante o percurso.

É essa flexibilidade que muda tudo. A carreta pode deslocar a carga para os lados e para cima, ajustando a posição da hélice em tempo real conforme a estrada aperta, a curva fecha ou uma construção aparece no caminho.

O ângulo de 60 graus que resolve o impossível

O recurso mais impressionante é justamente o que rendeu as imagens virais. Os equipamentos permitem elevar as pás a um ângulo de até 60 graus, transformando uma carga horizontal e larguíssima em algo quase vertical.

A lógica é simples e genial. Ao inclinar a pá, o veículo consegue desviar de todo obstáculo por onde uma prancha extensível jamais passaria, driblando muros, postes, árvores e fachadas sem precisar demolir nada nem alargar a via.

É esse detalhe que viabiliza rotas antes descartadas. Sem a capacidade de erguer a carga, muitos trechos simplesmente inviabilizariam a obra ou exigiriam intervenções caríssimas nas estradas da região.

Seis operadores por carreta: a equipe por trás

Por trás de cada manobra existe um time grande e treinado. Para a operação e o controle das carretas, são necessárias equipes especializadas, com seis operadores em cada veículo, todos atuando de forma coordenada.

Não é exagero. Cada ajuste de altura, inclinação ou deslocamento lateral precisa ser executado com precisão absoluta, muitas vezes com o comboio parado em plena rua enquanto a carga é reposicionada centímetro a centímetro.

Um erro ali sai caro. Uma pá danificada significa prejuízo milionário e atraso no cronograma, o que justifica manter tanta gente qualificada em torno de uma única carreta.

Do navio ao parque: uma viagem em duas etapas

A jornada das hélices gigantes começa bem antes das estradas rurais. As pás eólicas chegam ao Reino Unido por navios e são colocadas em carretas prancha extensíveis ainda dentro do Cais King George V, em Glasgow.

Esse é apenas o primeiro trecho. No segundo, as pás são transferidas para as carretas com os elevadores hidráulicos, os tais equipamentos capazes de erguer a carga — e é aí que começa a parte mais delicada do percurso.

A distância final é curta, mas exigente. O comboio percorre cerca de 16 quilômetros nesse trecho especializado, justamente o pedaço em que as estradas ficam estreitas e as manobras impossíveis se tornam necessárias.

Vilarejos estreitos: por que carreta comum não serve

A escolha do equipamento não é frescura, mas necessidade. Esse tipo de carreta especial foi pensado para o transporte por vilarejos estreitos, curvas acentuadas e trechos de estrada com largura limitada, onde soluções convencionais de transporte pesado não seriam adequadas.

A realidade do interior britânico explica o problema. São vilas antigas, com ruas construídas séculos antes de existir qualquer turbina eólica, cercadas de casas coladas na pista e curvas que mal comportam um ônibus.

Sem tecnologia, a matemática não fecha. Uma pá de 80 metros em uma prancha convencional simplesmente não faz a curva — e é exatamente esse impasse que os elevadores hidráulicos resolvem ao levantar a lâmina acima dos obstáculos.

O planejamento milimétrico antes de a roda girar

Nada disso acontece na base da improvisação. É feito um planejamento detalhado da rota, com medições e testes em computadores, garantindo a viabilidade da viagem antes que qualquer pá saia do lugar.

Cada detalhe entra na conta. Largura de pista, altura de fiação, raio de curva, inclinação do terreno e até a força do vento precisam ser considerados, porque uma lâmina erguida a 60 graus funciona como uma vela gigantesca.

Esse trabalho invisível é o que garante o espetáculo. Quando o comboio finalmente passa pela rua do vilarejo, cada centímetro daquele movimento já foi simulado dezenas de vezes em tela, muito antes de virar vídeo viral.

O segundo elevador de pás e o ganho de eficiência

Uma mudança recente acelerou o ritmo das entregas. Segundo Paul Worth, gerente sênior de projetos da Collett, “a introdução de um segundo elevador de pás permitiu-nos aumentar a capacidade de entrega de pás durante esta fase do projeto, mantendo a metodologia de transporte já estabelecida”.

Mais velocidade, porém, não significa menos rigor. “Cada movimentação continua a seguir o mesmo processo de planeamento detalhado e os controles operacionais necessários para transportar pás deste tamanho através de um percurso restrito”, completa o executivo.

O resultado é um marco logístico. A operação com dois elevadores trabalhando em conjunto permitiu levar duas pás no mesmo comboio, algo raro em transportes desse porte no Reino Unido.

O que o Sanquhar II representa para a energia eólica

Do lado do empreendimento, a leitura é de que logística e energia caminham juntas. “Sanquhar II é um importante projeto de energia eólica em terra, e seu sucesso depende de um planejamento cuidadoso e da estreita colaboração entre todas as partes envolvidas”, afirma Rod Wood, diretor geral da CWP Energy.

Ele destaca o ganho prático da nova metodologia. “O uso de dois elevadores de pás operando em conjunto ajudou a melhorar a eficiência das entregas de componentes, ao mesmo tempo que gerenciou os desafios logísticos associados ao transporte de grandes pás de turbina até o local”, diz o executivo, que se declarou satisfeito com a parceria conforme a construção avança.

No fim, a mensagem que fica é curiosa. Antes de gerar energia limpa, um parque eólico precisa vencer uma batalha silenciosa nas estradas — e é nessa etapa, longe dos holofotes, que se decide se as hélices gigantes vão mesmo chegar ao topo da torre.

E você, já viu uma carga dessas passando na sua rua?

De um navio em Glasgow a um comboio que ergue lâminas de 80 metros para caber em ruas centenárias, o transporte das hélices gigantes do Sanquhar II mostra que a energia do futuro depende de soluções de engenharia bem no presente.

E você, já cruzou com um transporte especial desses na estrada? Consegue imaginar uma pá de 80 metros passando pela rua da sua cidade? Conte nos comentários e marque aquele amigo apaixonado por caminhões e grandes operações.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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