HUGIN Endurance é um drone submarino autônomo capaz de operar a 6.000 metros de profundidade por até 15 dias sem apoio humano direto.
Em um momento em que cabos submarinos, gasodutos, infraestrutura energética e rotas marítimas estratégicas passaram a ganhar importância crescente na disputa geopolítica global, empresas de tecnologia naval começaram a desenvolver sistemas capazes de operar por semanas inteiras no fundo do oceano sem presença humana direta. Entre os projetos mais avançados está o HUGIN Endurance, drone submarino autônomo criado pela norueguesa Kongsberg Discovery, divisão do grupo KONGSBERG, especializado em defesa, sensores marítimos e sistemas submarinos.
O veículo foi projetado para mergulhar a até 6.000 metros de profundidade, operar por até 15 dias sem tripulação e percorrer aproximadamente 2.200 quilômetros em uma única missão.
O projeto começou a ganhar atenção internacional após os testes marítimos realizados em 2023 e 2024, quando a empresa confirmou que o sistema havia alcançado um nível de autonomia considerado incomum até mesmo para veículos subaquáticos modernos.
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Diferentemente de submarinos tradicionais, o HUGIN Endurance não possui espaço para tripulação, cozinha, dormitórios ou sistemas de sobrevivência humana. Toda a estrutura interna foi dedicada a baterias, sensores, sistemas de navegação e cargas úteis modulares voltadas para vigilância, mapeamento submarino e inspeção de infraestrutura crítica.
HUGIN Endurance foi criado para operar sozinho no oceano profundo por até 15 dias sem navio de apoio
O HUGIN Endurance pertence à categoria dos chamados AUVs, sigla para Autonomous Underwater Vehicle, ou Veículo Subaquático Autônomo. Diferentemente de drones controlados remotamente por cabos, os AUVs executam missões de forma praticamente independente após serem programados antes do mergulho.
Segundo a Kongsberg Discovery, o HUGIN Endurance foi desenvolvido especificamente para missões “shore-to-shore”, expressão usada para descrever operações iniciadas diretamente da costa e executadas sem necessidade contínua de uma embarcação de suporte acompanhando o veículo durante todo o trajeto.
Isso representa uma mudança importante em relação às operações submarinas tradicionais. Em muitos sistemas anteriores, drones subaquáticos dependiam constantemente de um navio-mãe para monitoramento, recarga e comunicação. O HUGIN Endurance tenta eliminar parte dessa dependência.
A empresa afirma que o veículo consegue permanecer em missão por até 15 dias graças ao uso de baterias de íons de lítio resistentes à pressão extrema das profundezas oceânicas.
Essa autonomia permitiu ampliar drasticamente o alcance operacional do sistema. Segundo as especificações oficiais, o drone submarino pode percorrer cerca de 2.200 quilômetros ou 1.200 milhas náuticas antes de precisar retornar. A distância equivale aproximadamente ao trajeto entre Nova York e Cuba ou entre Veneza e Alexandria, comparação usada pela própria Kongsberg para ilustrar o alcance do sistema.
Drone submarino mede 11 metros, pesa cerca de 8 toneladas e mergulha mais fundo que muitos submarinos militares
O HUGIN Endurance é o maior integrante da família HUGIN de veículos submarinos autônomos da Kongsberg. Segundo informações oficiais da empresa e dados divulgados durante os testes marítimos, o sistema mede aproximadamente 11 metros de comprimento, possui diâmetro de 1,2 metro e pesa cerca de 8 mil quilos.

Mesmo sendo menor que submarinos militares convencionais, o drone impressiona pela capacidade de mergulho extremo. O sistema foi projetado para operar a até 6.000 metros de profundidade.
Essa profundidade coloca o veículo em uma faixa operacional superior à de muitos submarinos tripulados tradicionais usados por diversas marinhas ao redor do mundo. Em regiões oceânicas profundas, a pressão pode ultrapassar 600 vezes a pressão atmosférica ao nível do mar.
O drone submarino autônomo da KONGSBERG é extremamente resistente
Para suportar essas condições, o veículo utiliza estrutura reforçada, sistemas eletrônicos protegidos e baterias projetadas especificamente para ambientes de alta pressão.
Outro detalhe importante é que o HUGIN Endurance não foi criado apenas para exploração científica. A própria empresa afirma que o sistema pode atuar em missões geofísicas, ambientais, hidrográficas, navais, de segurança marítima, inspeção de infraestrutura crítica e operações de busca submarina.
Isso significa que o drone pode ser utilizado desde levantamentos para parques eólicos offshore até monitoramento de cabos submarinos, dutos energéticos e áreas marítimas estratégicas.
Sensores do HUGIN conseguem mapear grandes áreas do fundo oceânico em uma única missão
Grande parte da capacidade operacional do HUGIN Endurance vem do conjunto de sensores embarcados. A Kongsberg informa que o veículo utiliza sonares de abertura sintética de alta resolução, ecobatímetros multifeixe, perfiladores de subsolo, câmeras coloridas, perfiladores a laser e sensores ambientais.
Segundo a empresa, a combinação entre o sonar HISAS 1032 Dual RX e o sistema multifeixe EM 2040 MkII permite mapear aproximadamente 1.100 quilômetros quadrados do fundo do mar em uma única missão.

Além de relevo submarino, o veículo também consegue coletar dados sobre temperatura, velocidade do som na água, concentração de metano, CO2 e oxigênio dissolvido.
Esses recursos tornam o sistema útil tanto para aplicações científicas quanto para monitoramento de infraestrutura submarina estratégica.
Nos últimos anos, cabos submarinos passaram a receber atenção crescente após incidentes envolvendo danos em redes de comunicação e gasodutos no fundo do mar. Especialistas em defesa e segurança marítima começaram a tratar o oceano profundo como uma área crítica da infraestrutura global.
Hoje, cerca de 95% do tráfego internacional de dados da internet passa por cabos submarinos espalhados pelos oceanos, segundo estimativas amplamente utilizadas por organismos internacionais e empresas do setor de telecomunicações. Nesse cenário, drones submarinos capazes de operar longos períodos sem supervisão humana começaram a ganhar relevância estratégica.
Sistema foi criado para reduzir custos e diminuir dependência de grandes navios de suporte
Tradicionalmente, missões submarinas complexas exigem grandes embarcações de apoio equipadas com guindastes, laboratórios, sistemas de comunicação e equipes técnicas especializadas.
A Kongsberg afirma que um dos principais objetivos do HUGIN Endurance é justamente reduzir essa dependência operacional.

Segundo Martin Wien Fjell, presidente da Kongsberg Discovery, a autonomia prolongada permite que embarcações de suporte sejam liberadas para outras atividades enquanto o drone continua operando sozinho no fundo do oceano.
Além da redução de custos, a empresa argumenta que operações sem presença contínua de navios reduzem emissão de carbono e ampliam a janela operacional em condições climáticas difíceis.
Outro fator relevante envolve segurança. Operações de lançamento e recuperação de drones submarinos podem ser perigosas em mares agitados. Quanto maior a autonomia do sistema, menor a frequência dessas operações.
Segundo especialistas do setor marítimo, a tendência global aponta para uso crescente de sistemas autônomos em monitoramento oceânico, defesa naval, exploração energética offshore e pesquisa ambiental.
Crescimento de drones submarinos amplia disputa tecnológica no oceano profundo
O HUGIN Endurance faz parte de uma corrida tecnológica maior envolvendo veículos submarinos autônomos de longa duração. Estados Unidos, Reino Unido, China, Austrália e diversos países europeus vêm ampliando investimentos em sistemas capazes de operar sem tripulação em grandes profundidades.
A nova geração desses veículos tenta unir inteligência artificial, sensores avançados, autonomia energética e comunicações submarinas mais sofisticadas para ampliar capacidade de vigilância e coleta de dados no oceano profundo. O interesse aumentou especialmente após o crescimento da disputa geopolítica em torno de rotas marítimas, minerais submarinos, infraestrutura energética offshore e proteção de cabos oceânicos.
No caso do HUGIN Endurance, a Kongsberg afirma que o sistema pode ser adaptado para diferentes tipos de missão graças ao espaço modular interno destinado a sensores e cargas úteis customizadas.
Isso significa que diferentes operadores podem configurar o drone para tarefas específicas, desde inspeção de parques eólicos marítimos até vigilância de áreas submarinas sensíveis. A própria empresa descreve o veículo como um “game changer”, expressão usada para indicar uma mudança significativa nas capacidades de operações autônomas submarinas.
Mesmo assim, especialistas apontam que sistemas desse tipo ainda enfrentam desafios importantes relacionados à comunicação em profundidade, navegação em ambientes complexos e segurança cibernética.
Você acredita que drones submarinos autônomos como o HUGIN Endurance podem transformar a vigilância dos oceanos e a proteção da infraestrutura submarina nas próximas décadas?


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