Aumento de registros do dragão azul em praias da Espanha alerta banhistas para riscos de queimaduras causadas pela pequena lesma-marinha venenosa que deriva nas correntes
Banhistas em praias turísticas da Espanha passaram a encontrar com mais frequência o dragão azul, pequena lesma-do-mar conhecida cientificamente como Glaucus atlanticus. O aumento de registros levanta alertas sobre queimaduras dolorosas e chama atenção para mudanças recentes nos ocenaos.
O que é o dragão azul observado nas praias
O dragão azul é um molusco gastrópode pertencente ao grupo das lesmas-do-mar. Diferente de muitos animais marinhos, ele não permanece no fundo. Vive principalmente em mar aberto, flutuando próximo à superfície do oceano.
Para manter essa posição, o animal possui um pequeno saco interno cheio de gás. Esse mecanismo permite que ele fique de cabeça para baixo na água, deslocando-se com as correntes e permanecendo onde suas presas também costumam aparecer.
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Mesmo tendo aparência chamativa, com tons metálicos de azul e prata, o animal não deve ser tocado. Apesar do tamanho reduzido, o contato com a pele humana pode provocar reações dolorosas.
Como a coloração ajuda o dragão azul a sobreviver
A parte do corpo voltada para cima possui coloração prateada. Essa tonalidade se mistura ao brilho da água quando observada de cima, dificultando a identificação por possíveis predadores marinhos.
Já a região inferior apresenta azul intenso. Quando vista de baixo, essa cor ajuda o animal a se confundir com a luz do sol atravessando a água.
Esse mecanismo é conhecido como contra-sombreamento. O corpo também possui projeções alongadas chamadas ceratas, estruturas que desempenham papel importante tanto na defesa quanto no ataque do animal.
Por que o dragão azul pode causar queimaduras
O Glaucus atlanticus não produz veneno próprio. No entanto, ele se alimenta de organismos venenosos, incluindo a caravela-portuguesa e outros cnidários presentes nas correntes marinhas.
Durante a digestão dessas presas, o animal seleciona e armazena nas ceratas células urticantes chamadas nematocistos. Esses mecanismos permanecem ativos e funcionam como um tipo de arsenal químico.
Quando ocorre contato com a pele humana, essas estruturas liberam toxinas. Os efeitos mais comuns incluem dor intensa, sensação de queimadura, vermelhidão e inchaço.
Em pessoas sensíveis, também podem ocorrer náuseas, vômitos, dificuldade respiratória e reações alérgicas importantes.
Cuidados em caso de contato com o animal
Em situações suspeitas de contato com o dragão azul, especialistas orientam evitar soluções improvisadas.
A recomendação inicial é não tocar no animal, mesmo que pareça morto, e manter crianças afastadas da área.
Também não se deve esfregar a pele com areia, toalhas ou vinagre. O indicado é lavar a região apenas com água do mar.
Compressas frias podem ajudar a aliviar a dor. Caso surjam sintomas intensos ou sinais sistêmicos, a orientação é procurar atendimento médico.
Por que os registros estão aumentando
Avistamentos desse animal em costas como a da Espanha eram considerados raros até algumas décadas atrás. Entretanto, registros recentes indicam presença crescente em áreas de clima temperado.
Pesquisadores associam esse avanço ao aquecimento dos ocenaos e a mudanças nas correntes marinhas, fatores que também influenciam a distribuição das presas do animal.
Programas de monitoramento costeiro incentivam banhistas a registrar encontros com fotos e localização.
Essas informações ajudam a mapear áreas de ocorrência, orientar sinalizações nas praias e acompanhar transformações na fauna marinha.
Com informações de O Antagonista.
