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Pesquisadora encontrou ossos em rocha numa ilha coreana e raio-X revelou espécie nova de dinossauro bebê com penugem que ninguém via há 15 anos — cientistas batizaram com nome de desenho animado…

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 18/04/2026 às 06:30
Atualizado em 22/04/2026 às 23:50
Reconstituição do Doolysaurus huhmini filhote de dinossauro do tamanho de um peru com penugem descoberto na Coreia do Sul
O Doolysaurus huhmini media o tamanho de um peru, tinha penugem macia e viveu entre 113 e 94 milhões de anos atrás no Cretáceo Médio
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Do tamanho de um peru, com penugem macia e pedras no estômago, o Doolysaurus é a primeira nova espécie de dinossauro encontrada na Coreia do Sul em 15 anos — e recebeu o nome de um personagem de desenho animado

Quando a pesquisadora Hyemin Jo encontrou um bloco de rocha na ilha de Aphae, na Coreia do Sul, em 2023, ela viu apenas alguns ossos de perna e vértebras na superfície. Ninguém esperava o que estava escondido dentro.

Meses depois, no laboratório da Universidade do Texas em Austin, o escaneamento por microtomografia revelou fragmentos de crânio, gastrolitos (pedras estomacais) e marcas de crescimento no fêmur. Era um filhote de dinossauro de uma espécie totalmente nova.

Os cientistas batizaram a criatura de Doolysaurus huhmini — o primeiro nome é uma homenagem a Dooly, personagem icônico dos desenhos animados coreanos dos anos 1980. O segundo homenageia o paleontólogo Min Huh, fundador do Centro Coreano de Pesquisa em Dinossauros.

O estudo foi publicado em 19 de março de 2026 na revista científica Fossil Record.

Paleontóloga escavando fóssil de dinossauro Doolysaurus na ilha de Aphae na Coreia do Sul

Um filhote de dinossauro do tamanho de um peru que tinha penugem e comia insetos

O Doolysaurus era pequeno. Com cerca de 2 anos de idade quando morreu, o filhote media aproximadamente o tamanho de um peru. Adultos da espécie chegariam ao dobro desse tamanho.

O corpo era coberto por filamentos macios semelhantes a penugem — não penas completas, mas uma cobertura felpuda que provavelmente ajudava na regulação térmica.

Os gastrolitos encontrados no fóssil indicam uma dieta mista. O dinossauro engolia pedrinhas para ajudar a triturar alimentos no estômago — um comportamento comum em aves modernas.

Além de plantas, o Doolysaurus provavelmente caçava insetos e pequenos animais. Era bípede e pertencia à família dos thescelosaurídeos, grupo comum no Leste Asiático e na América do Norte durante o Cretáceo Médio, entre 113 e 94 milhões de anos atrás.

A surpresa dentro da rocha: micro-CT revelou crânio que ninguém esperava encontrar

“Quando encontramos o espécime, vimos alguns ossos de pernas preservados e algumas vértebras. Não esperávamos partes do crânio e tantos outros ossos”, disse o pesquisador Jongyun Jung.

“Houve uma quantidade considerável de entusiasmo quando vimos o que estava escondido dentro do bloco”, completou Jung.

A tecnologia de microtomografia computadorizada (micro-CT) do UTCT facility da Universidade do Texas — disponível para a comunidade acadêmica há quase 30 anos — permitiu visualizar estruturas internas do fóssil sem destruí-lo.

O crânio preservado é extraordinariamente raro. É o primeiro fóssil de dinossauro encontrado na Coreia do Sul com fragmentos cranianos.

No Brasil, descobertas semelhantes surpreendem. O Dasosaurus tocantinensis, dinossauro de 20 metros encontrado no Maranhão, também foi revelado por operários durante uma obra — conectando o Brasil à Espanha há 120 milhões de anos.

Equipamento de microtomografia CT escaneando fóssil do Doolysaurus revelando ossos escondidos dentro da rocha

Primeira nova espécie em 15 anos: por que a Coreia do Sul é tão rara em dinossauros

O Doolysaurus é a primeira nova espécie de dinossauro identificada na Coreia do Sul em 15 anos. O contraste com países vizinhos como China e Mongólia — que descobrem novas espécies com frequência — é marcante.

A razão está na geologia. A Coreia possui relativamente poucos afloramentos sedimentares do Cretáceo expostos, e os que existem estão em ilhas costeiras de difícil acesso.

Porém, a ilha de Aphae pode mudar esse cenário. “Esperamos que novos fósseis de dinossauros ou ovos venham de Aphae e de outras pequenas ilhas”, afirmou Jongyun Jung.

O fato de o Doolysaurus ser um thescelosaurídeo reforça conexões faunísticas entre Leste Asiático e América do Norte. Parentes próximos da espécie viviam em Montana, nos Estados Unidos, indicando que os continentes estavam conectados pelo supercontinente Laurásia.

Achados como o vômito fossilizado de 290 milhões de anos na Alemanha mostram que até os vestígios mais improváveis podem reescrever a história da vida na Terra.

Ilha de Aphae na Coreia do Sul com falésias rochosas onde o fóssil de Doolysaurus foi encontrado

Por que cientistas batizaram um dinossauro com o nome de um personagem de desenho animado

O nome Doolysaurus não é aleatório. Dooly é um dos personagens de animação mais queridos da Coreia do Sul, criado nos anos 1980. É um pequeno dinossauro verde com personalidade cativante que conquistou gerações de coreanos.

A homenagem serve a um propósito além da nostalgia. Vincular uma descoberta científica a um ícone cultural aumenta o engajamento do público com a paleontologia.

O segundo nome, huhmini, honra o paleontólogo Min Huh, que dedicou mais de 30 anos à pesquisa de dinossauros coreanos. Huh fundou o Centro Coreano de Pesquisa em Dinossauros e colaborou com a UNESCO na preservação de sítios fósseis.

A pesquisa contou com colaboração internacional entre o Korean Dinosaur Research Center e a Jackson School of Geosciences da Universidade do Texas.

Fóssil parcial e estimativas — o que ainda não sabemos sobre o Doolysaurus

Por outro lado, é importante ressaltar que o fóssil é parcial. As estimativas de tamanho adulto e a presença de penugem são inferências baseadas em anatomia comparada com espécies relacionadas — não confirmadas por espécimes adultos.

Além disso, não há dados sobre custos da pesquisa ou data exata do escaneamento por micro-CT.

A descoberta ocorreu durante pesquisa paleontológica na ilha de Aphae, não em canteiro de obras como às vezes relatado de forma imprecisa.

Ainda assim, o Doolysaurus abre uma janela para um período pouco explorado da pré-história coreana. Se mais fósseis emergirem das ilhas costeiras, como os pesquisadores esperam, a Coreia do Sul pode se consolidar como um novo polo paleontológico na Ásia.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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