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Domo de Ouro de Trump prevê satélites, radares, lasers e interceptadores capazes de destruir mísseis antes mesmo do lançamento, China e Rússia classificam o projeto como ameaça óbvia e alertam que ataques preventivos para “desarmar o inimigo” são desestabilizadores

Publicado em 20/05/2026 às 14:29
Atualizado em 20/05/2026 às 14:35
China e Rússia classificam o Domo de Ouro como ameaça à estabilidade estratégica. Escudo antimíssil de Trump é criticado após fim do Novo START. imagem: ilustrativa
China e Rússia classificam o Domo de Ouro como ameaça à estabilidade estratégica. Escudo antimíssil de Trump é criticado após fim do Novo START. imagem: ilustrativa
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China e Rússia emitiram uma declaração conjunta nesta quarta-feira (20) classificando o projeto Golden Dome, o escudo antimíssil de US$ 175 bilhões proposto por Trump, como uma ameaça óbvia à estabilidade estratégica mundial. Segundo o G1, o pronunciamento foi divulgado após Putin ser recebido por Xi Jinping no Grande Salão do Povo, em Pequim, e também critica os Estados Unidos por permitirem a expiração do tratado nuclear Novo START sem apresentar substituto.

China e Rússia reagiram em conjunto ao projeto mais ambicioso de defesa militar dos Estados Unidos desde a Guerra Fria. Em declaração emitida nesta quarta-feira (20), após a reunião entre Vladimir Putin e Xi Jinping em Pequim, os dois países classificaram o Golden Dome, o escudo antimíssil de Trump, o Domo de Ouro como uma ameaça que compromete os fundamentos da estabilidade estratégica global. O documento afirma que o sistema visa “destruir todos os tipos de mísseis, incluindo os de adversários equivalentes, em todos os estágios de voo e antes de serem lançados”, e considera que essa capacidade desestabiliza o equilíbrio militar entre as grandes potências.

O pronunciamento de China e Rússia foi divulgado no mesmo dia em que Putin e Xi assinaram 40 acordos bilaterais no Grande Salão do Povo, com direito a guarda de honra, salva de tiros e crianças agitando bandeiras dos dois países. A declaração conjunta também lamenta o que chamou de “política irresponsável” dos Estados Unidos por terem permitido a expiração do Novo START, tratado nuclear firmado em 2010 entre Moscou e Washington para limitar arsenais atômicos. China e Rússia alertaram que tentativas de realizar “ataques preventivos para decapitar e desarmar o inimigo” são altamente desestabilizadoras.

O que é o Domo de Ouro e como ele funcionaria

O Golden Dome é um sistema de defesa antimíssil concebido para proteger os Estados Unidos contra ataques balísticos, hipersônicos e de cruzeiro vindos de qualquer ponto do planeta. O projeto é avaliado em 175 bilhões de dólares cerca de R$ 1 trilhão e Trump quer concluí-lo até o fim do mandato, em 2029. O nome é uma referência ao Domo de Ferro de Israel, sistema que intercepta foguetes de curto alcance, mas em escala incomparavelmente maior.

O sistema prevê quatro camadas de defesa: uma baseada no espaço e três em terra. A camada orbital utilizará redes de satélites avançados para detectar, rastrear e potencialmente destruir ameaças diretamente da órbita. As três camadas terrestres serão compostas por interceptadores de mísseis, conjuntos de radares de última geração e, potencialmente, armas a laser. O Pentágono planeja instalar 11 baterias de curto alcance no território continental americano, no Alasca e no Havaí, além de uma nova base no Centro-Oeste para abrigar interceptadores NGI.

Por que China e Rússia consideram o projeto uma ameaça

imagem ilustrativa
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A preocupação central de China e Rússia não é com a defesa em si, mas com o que ela implica ofensivamente. Um escudo capaz de neutralizar qualquer míssil inimigo antes mesmo do lançamento elimina a lógica de destruição mútua assegurada — o princípio que manteve a paz nuclear durante a Guerra Fria. Se os Estados Unidos conseguirem se tornar invulneráveis a retaliações, a teoria é que poderiam lançar um primeiro ataque sem temer consequências, destruindo qualquer estabilidade estratégica remanescente.

A declaração conjunta usa linguagem específica para descrever essa preocupação: fala em “ataques preventivos ou antecipados para decapitar e desarmar o inimigo” como ações altamente desestabilizadoras. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, já havia declarado que o projeto possui “forte natureza ofensiva” e viola o Tratado do Espaço Exterior. China e Rússia argumentam que o Golden Dome transforma o espaço em zona de guerra e incentiva uma corrida armamentista orbital — algo que ambos dizem querer evitar.

A Groenlândia e a peça que falta no tabuleiro

Um dos elementos mais controversos do projeto é a importância estratégica que Trump atribuiu à Groenlândia. O presidente americano declarou que o território autônomo da Dinamarca é “vital” para a construção do Domo de Ouro. A razão é geográfica: a Groenlândia está localizada na rota mais curta entre a Rússia e os Estados Unidos para um míssil balístico intercontinental, o que a torna o ponto ideal para instalar radares e interceptadores de fase de impulso.

A ilha também fica na chamada lacuna GIUK, corredor naval entre Groenlândia, Islândia e Reino Unido que liga o Oceano Ártico ao Atlântico. Com o derretimento do gelo abrindo novas rotas de navegação, o controle desse corredor ganhou importância estratégica adicional. Os Estados Unidos já mantêm uma base militar na Groenlândia, mas com efetivo reduzido: dos 10 mil militares da Guerra Fria, restam menos de 200. Além das implicações militares, a ilha possui vastas reservas de minerais críticos e terras raras — recursos essenciais para a indústria de defesa e para a transição energética.

O fim do Novo START e o vácuo nuclear

A declaração de China e Rússia também critica os Estados Unidos pela expiração do Tratado Novo START no início de 2026. O acordo, firmado em 2010, limitava os arsenais nucleares estratégicos de Washington e Moscou a 1.550 ogivas operacionais cada, e incluía mecanismos de inspeção mútua que garantiam transparência.

Com o fim do tratado e sem um substituto negociado, pela primeira vez desde 1972 não existe nenhum acordo de controle de armas nucleares em vigor entre as duas maiores potências atômicas do mundo. China e Rússia classificaram a postura americana como “irresponsável” e vincularam o vácuo regulatório ao Golden Dome: sem limites para arsenais ofensivos e com um escudo defensivo em construção, os Estados Unidos estariam buscando supremacia nuclear unilateral e minando a estabilidade estratégica que sustentou décadas de paz entre potências nucleares. Washington rejeita essa leitura e argumenta que o sistema é puramente defensivo.

O que a declaração conjunta revela sobre a aliança de China e Rússia

O pronunciamento contra o Domo de Ouro é parte de uma declaração mais ampla sobre “mundo multipolar e um novo tipo de relações internacionais”, emitida após a reunião entre Putin e Xi. China e Rússia usaram o Golden Dome como exemplo concreto do que consideram uma tendência americana de buscar dominância militar absoluta em detrimento do equilíbrio entre potências.

O documento chega em um momento de alinhamento diplomático e econômico sem precedentes entre os dois países. Putin descreveu a relação como estando em “nível sem precedentes”, e a visita a Pequim resultou em avanços no gasoduto Força da Sibéria 2, em acordos de pagamento em rublo e yuan e em declarações de cooperação tecnológica. Para analistas, a crítica conjunta ao Domo de Ouro não é apenas retórica — é a materialização de uma frente comum que China e Rússia estão construindo para contrabalançar o poder militar americano. O escudo antimíssil de Washington é tratado por ambos como a maior ameaça à estabilidade estratégica do século XXI.

Você acha que o Domo de Ouro vai realmente proteger os EUA ou vai provocar uma nova corrida armamentista? O que mais preocupa: o escudo antimíssil, o fim do Novo START ou a aliança cada vez mais forte entre China e Rússia? Conta nos comentários.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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