O Serviço Geológico do Brasil identificou concentrações elevadas de terras raras no Cinturão Ribeira, província geológica que se estende por São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Segundo o G1, amostras coletadas em cidades como Joinville, Garuva, Cajati e Jacupiranga registraram teores superiores a 8 mil partes por milhão, patamar considerado expressivo para a transição energética em um mercado dominado pela China.
O Brasil acaba de dar um passo concreto em uma das agendas mais disputadas da economia global. O Serviço Geológico do Brasil identificou concentrações elevadas de terras raras em uma extensa faixa geológica que atravessa São Paulo, Paraná e Santa Catarina, conhecida como Cinturão Ribeira. Algumas amostras de solo e rocha registraram teores superiores a 8 mil partes por milhão de elementos terras raras, o que significa que, a cada milhão de partículas analisadas, mais de 8 mil correspondiam a esses minerais estratégicos. O resultado é considerado expressivo para uma fase inicial de pesquisa e reacende a discussão sobre o papel que o país pode desempenhar na transição energética e na cadeia global de minerais críticos.
A descoberta não aparece em um vácuo geopolítico. Terras raras são essenciais para a fabricação de baterias de carros elétricos, turbinas eólicas, smartphones, equipamentos de defesa e sistemas de inteligência artificial. A China controla cerca de 60% da produção mundial e usa esse domínio como instrumento de pressão comercial. O próprio presidente Lula discutiu o tema com Donald Trump na reunião de 7 de maio na Casa Branca, defendendo que o Brasil quer explorar suas reservas sem repetir o modelo histórico de exportar matéria-prima sem agregar valor.
O que são terras raras e por que valem tanto

Apesar do nome, terras raras não são terras e tampouco são raras. Trata-se de um grupo de 17 elementos químicos, os 15 lantanídeos mais escândio e ítrio relativamente abundantes na crosta terrestre, mas que quase nunca aparecem em concentrações que viabilizem a extração econômica. O que torna as terras raras tão valiosas é a dificuldade de separar cada elemento dos minerais aos quais estão associados, processo químico complexo e de alto custo.
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O Norte catarinense pode virar um novo polo de minerais estratégicos, depois que o Serviço Geológico do Brasil encontrou concentrações elevadas de terras raras em Joinville e Garuva, com destaque para o neodímio, usado nos ímãs que movem motores elétricos e turbinas, embora a mineração ainda dependa de novos estudos
Esses elementos são indispensáveis para tecnologias de alta performance. O neodímio, por exemplo, é usado em ímãs permanentes de altíssima potência, essenciais para motores de veículos elétricos e geradores de turbinas eólicas. O térbio participa de sistemas de iluminação eficiente e dispositivos eletrônicos. Sem terras raras, a transição energética para de funcionar — e é por isso que a corrida por novas fontes desses minerais se tornou uma questão de soberania nacional para dezenas de países.
O Cinturão Ribeira e os resultados do levantamento
O Cinturão Ribeira é uma extensa província geológica formada por rochas antigas que se estendem do sul de São Paulo até o norte de Santa Catarina. A região já era conhecida pela presença de complexos alcalino-carbonatíticos e rochas graníticas associadas a terras raras, mas faltavam dados de campo atualizados e sistematizados.
O Serviço Geológico do Brasil concluiu em abril a terceira etapa de campo do projeto Avaliação do Potencial de Terras Raras no Brasil, com coleta de amostras em 16 municípios de três estados. As atividades abrangeram Itupeva, Alumínio, Morungaba, Capão Bonito, Juquiá, Jacupiranga, Cajati, Itapirapuã Paulista e Cananéia, em São Paulo; Cerro Azul, Castro, Carambeí e Tijucas do Sul, no Paraná; além de Joinville e Garuva, em Santa Catarina.
O que os números realmente significam
Os teores superiores a 8 mil partes por milhão chamaram atenção dos pesquisadores, mas é preciso contextualizar o dado. Na mineração, a viabilidade de uma jazida depende não apenas do teor, mas do volume, da profundidade, da acessibilidade e da composição específica dos elementos presentes. A coordenadora do projeto, Lucy Takehara, fez questão de ressaltar que identificação positiva não significa que já existe jazida pronta para exploração.
Outro resultado relevante veio de elementos específicos. O pesquisador William Guerra informou que algumas áreas registraram concentrações superiores a 3 mil partes por milhão de terras raras magnéticas, como neodímio e térbio. Esses são justamente os elementos mais valorizados no mercado por seu uso na fabricação de ímãs de alto desempenho para motores elétricos e geração de energia renovável. A presença deles em teores expressivos eleva o interesse econômico das áreas identificadas.
A próxima etapa das pesquisas sobre terras raras
O projeto segue ao longo de 2026 e 2027, com novas campanhas de campo previstas para municípios paulistas como Sete Barras, Tapiraí, Piedade e Natividade da Serra. O objetivo é aprofundar a amostragem nas áreas que apresentaram os resultados mais expressivos e produzir mapas de favorabilidade mineral em escala mais detalhada.
Takehara explicou que a primeira fase foi um estudo regional e que agora o trabalho se concentrará em amostragens mais sistemáticas para confirmar os teores anômalos. A produção de novos informes técnicos está prevista entre 2026 e 2027. O projeto faz parte da linha de atuação Minerais Estratégicos para Transição Energética do Programa de Aceleração do Crescimento do governo federal, o que indica que há orçamento e prioridade política por trás da pesquisa conduzida pelo Serviço Geológico.
O Brasil na corrida global por terras raras
O país possui a segunda maior reserva conhecida de terras raras do mundo, atrás apenas da China, com potencial identificado pelo Serviço Geológico em 12 estados. A única reserva oficialmente reconhecida e em produção está em Araxá, Minas Gerais. Mas a distância entre ter reservas no subsolo e ter capacidade de extrair, processar e industrializar esses minerais ainda é enorme.
A descoberta no Cinturão Ribeira reforça o potencial geológico, mas não resolve o gargalo industrial. Dominar a cadeia de valor das terras raras exige investimento em tecnologia de processamento, formação de mão de obra especializada e regulação ambiental clara. Lula disse a Trump que o Brasil está aberto a parcerias, mas não quer ser mero exportador de matéria-prima. Transformar teores promissores em riqueza real é o desafio que vai definir se o país será protagonista ou apenas coadjuvante na transição energética global.
Você sabia que terras raras foram encontradas entre São Paulo e Santa Catarina? Acha que o Brasil vai conseguir industrializar esses minerais ou vai repetir o padrão de exportar matéria-prima sem agregar valor? Conta nos comentários.

A separação industrial dos 17 elementos das tidas ” Terras Raras” requerem conhecimento técnico que nenhum país possuí somente a China investindo muitos bilhões de Dólares e desenvolvimento de técnicas de décadas em aprimorar. O Brasil não tem a mínima condição e se dedicase muitos bilhões de $ não teríamos base de metalurgia suficiente.
Muito boa a matéria de vocês, pois não só forneceu informações sobre o tema como questiona o humor do leitor acerca do futuro da industrialização das terras raras. Se vamos conseguir ou não, está nas mãos do governo, dos geólogos, pesquisadores, e cidadãos em geral, que precisam estar atentos e fazer pressão para que o país não perca mais uma oportunidade.
Para agregar valor só se a Dilma gerenciar extração e todo processo industrial.
Afinal ela e responsável pela tecnologia de estocar vento para época de escassez energética.
Haja capim…