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A 4.085 metros de altitude, o Túnel de Água Negra volta à prioridade em 2026 após encontro entre José Antonio Kast e Javier Milei com dois túneis paralelos de 13,9 km, poço de ventilação de 535 metros e corredor de cerca de US$ 1,5 bilhão para aproximar o Cone Sul do Pacífico

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 25/04/2026 às 19:40
Atualizado em 25/04/2026 às 19:45
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Túnel de Água Negra ilustração
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Túnel de Água Negra prevê dois túneis de 13,9 km sob os Andes a mais de 4.000 metros para conectar Argentina e Chile com rota permanente ao Pacífico.

Segundo a Entidade Binacional Túnel de Água Negra, o projeto consiste em dois túneis paralelos de 13,9 quilômetros cada, perfurados sob a Cordilheira dos Andes a uma altitude de entrada de aproximadamente 4.085 metros no lado argentino, mais de 700 metros abaixo do cume atual do passo de montanha que hoje atende à região, mas ainda acima da altitude da maioria das capitais do mundo.

Cada tubo terá cerca de 12 metros de diâmetro, com as galerias separadas por aproximadamente 90 metros de rocha e conectadas por passagens de emergência a cada 500 metros. O custo estimado da obra é de US$ 1,5 bilhão, com financiamento previsto pelos governos da Argentina e do Chile e apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento, que já aprovou um empréstimo inicial de US$ 280 milhões. O prazo estimado de construção varia entre oito e dez anos a partir do início efetivo das escavações. A obra ainda não foi iniciada, mas a necessidade do projeto existe há décadas.

Cordilheira dos Andes funciona como barreira logística que separa o Atlântico do Pacífico na América do Sul

A Cordilheira dos Andes se estende por cerca de 7.000 quilômetros ao longo do continente sul-americano, com picos que ultrapassam 6.000 metros de altitude. Essa formação geográfica atua como uma barreira física significativa entre o litoral atlântico e o pacífico.

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Para os países do Cone Sul, especialmente Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, essa barreira gera impactos logísticos diretos. Atualmente, cerca de 83% das cargas entre essas regiões e o Pacífico são transportadas por via marítima, contornando o continente ou passando pelo Canal do Panamá.

Apesar de a rota pelo Pacífico ser mais curta em termos de distância até a Ásia, o acesso terrestre até os portos chilenos ainda enfrenta limitações estruturais relevantes.

Passo Cristo Redentor fecha até 60 dias por ano e limita transporte terrestre entre Argentina e Chile

A principal ligação rodoviária entre Argentina e Chile na região central é o Passo Internacional Los Libertadores, conhecido como Cristo Redentor.

Localizado a aproximadamente 3.200 metros de altitude, esse corredor registra tráfego intenso de passageiros, veículos e carga. Em 2018, foram mais de 1,2 milhão de pessoas, 376 mil veículos e 3,5 milhões de toneladas de mercadorias.

No entanto, a rota apresenta limitações críticas. Durante o inverno, o passo pode permanecer fechado entre 45 e 60 dias por ano devido à neve, gelo, risco de deslizamentos e condições extremas nas curvas em zigue-zague do lado chileno, conhecidas como “Los Caracoles”. Essa instabilidade compromete a previsibilidade logística, fator essencial para o comércio internacional.

Túnel de Água Negra cria nova rota permanente ao sul de Mendoza sem depender de condições climáticas

O projeto do Túnel de Água Negra propõe uma solução estrutural para esse problema ao criar uma nova passagem 400 quilômetros ao sul de Mendoza.

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Diferentemente das rotas atuais, o túnel será construído sob a montanha, eliminando a dependência das condições climáticas extremas da superfície.

A nova conexão permitirá operação contínua ao longo do ano, independentemente de neve, gelo ou riscos geológicos superficiais.

Em abril de 2026, o Túnel de Água Negra voltou ao centro da agenda binacional depois que a melhoria da conectividade entre Chile e Argentina ganhou força no encontro entre José Antonio Kast e Javier Milei, levando o governo regional de Coquimbo a recolocar a obra como prioridade estratégica.

A relação com o túnel é direta: a defesa oficial do projeto é que ele ofereça uma ligação permanente, de alto padrão e operacional durante todo o ano entre Coquimbo e a província argentina de San Juan, superando as limitações sazonais dos atuais passos andinos, reduzindo custos logísticos e fortalecendo um corredor considerado chave para aproximar o Cone Sul dos portos do Pacífico.

Construção em altitude superior a 4.000 metros impõe desafios extremos de engenharia e logística

A escavação será realizada em uma região onde a pressão atmosférica corresponde a cerca de 60% da encontrada ao nível do mar, impactando diretamente o desempenho de equipamentos e a capacidade física das equipes.

O ambiente apresenta variações térmicas intensas e condições geológicas complexas, com presença de rochas vulcânicas como andesito e riolito, além de zonas de falha mapeadas ao longo do trajeto.

Apesar da atividade sísmica regional, os estudos indicam predominância de sismos profundos, o que reduz riscos estruturais diretos ao túnel.

Sistema de ventilação, segurança e operação prevê infraestrutura equivalente a uma pequena usina

O projeto inclui um sistema de ventilação forçada com potência estimada em 14,5 megawatts, suficiente para manter a circulação de ar em condições seguras dentro dos túneis.

Estão previstos sistemas de segurança como passagens de emergência a cada 500 metros, estruturas antissísmicas e instalações de apoio nas entradas. A vida útil projetada da infraestrutura é de pelo menos 100 anos.

A 4.085 metros de altitude, o Túnel de Água Negra volta à prioridade em 2026 após encontro entre José Antonio Kast e Javier Milei com dois túneis paralelos de 13,9 km, poço de ventilação de 535 metros e corredor de cerca de US$ 1,5 bilhão para aproximar o Cone Sul do Pacífico
Túnel de Água Negra ilustração

A construção utilizará o método drill-and-blast, que consiste em perfuração seguida de detonação controlada de rochas.

Essa técnica é amplamente empregada em grandes projetos de infraestrutura, incluindo túneis alpinos e intercontinentais.

O principal desafio não é tecnológico, mas logístico, considerando a necessidade de operar em alta altitude, com clima severo e acesso limitado.

Corredor bioceânico central depende do túnel para conectar Brasil ao Pacífico por via terrestre

O Túnel de Água Negra é parte fundamental do Corredor Bioceânico Central, projeto que conecta Porto Alegre, no Brasil, a Coquimbo, no Chile.

Grande parte do trajeto já está consolidada por rodovias, restando o túnel como principal elo ausente para completar a ligação entre os oceanos Atlântico e Pacífico.

A conclusão da obra permitirá reduzir distâncias em até 7.000 quilômetros e encurtar prazos logísticos em até 20 dias para exportações com destino à Ásia.

Laboratório ANDES pode transformar túnel em centro científico estratégico no hemisfério sul

O projeto prevê a construção do laboratório subterrâneo ANDES no ponto mais profundo do túnel. Com cerca de 1.750 metros de rocha acima, o local oferece condições ideais para pesquisas em física de partículas, incluindo detecção de neutrinos e estudos sobre matéria escura.

O laboratório será o primeiro desse tipo no hemisfério sul, complementando instalações existentes na Europa e América do Norte.

Apesar de avanços institucionais desde a criação da Entidade Binacional em 2010 e da aprovação de financiamento parcial pelo BID, o projeto ainda depende de acordos definitivos entre Argentina e Chile.

Questões como divisão de custos, modelo de concessão, garantias financeiras e cronograma de execução permanecem em aberto.

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Mudanças políticas nos dois países ao longo dos anos contribuíram para atrasos na implementação.

Agora queremos saber: o Túnel de Água Negra pode finalmente integrar o Cone Sul com uma rota terrestre permanente entre dois oceanos?

O projeto representa uma transformação potencial na logística sul-americana, com impactos diretos no comércio internacional e na integração regional.

Na sua visão, a obra conseguirá sair do papel nos próximos anos ou continuará como um dos grandes projetos inacabados da América do Sul?

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GERALDO PILATI ALBA
GERALDO PILATI ALBA
28/04/2026 02:58

Um esforço muito importante para ambos os países com uma pontinha de benefícios a brasileiros e uruguayos e a direita mostrando a que veio na América Latina.

Conrado
Conrado
26/04/2026 07:21

A localização está errada na reportagem.SanJuan e Coquimbo fica 400 km ao norte de Mendoza e não ao sul como diz a reportagem

Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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