Projeto premiado em sustentabilidade transforma um item comum dos primeiros socorros em pesquisa escolar com base vegetal, biodegradação rápida e desafios técnicos antes de qualquer uso comercial amplo.
Dois estudantes de 17 anos de Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, venceram a etapa da América Central e do Sul do The Earth Prize 2026 com um curativo biodegradável feito à base de babosa e camomila.
O projeto, chamado HADA, foi desenvolvido por Bernardo Mattos Renner e Ísis Valentin para substituir curativos plásticos convencionais e se decompor no solo em até 48 horas, segundo a organização da premiação.
A proposta reúne elementos de saúde, ciência de materiais e sustentabilidade.
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Em vez de tratar o curativo apenas como um produto descartável, os estudantes investigaram o impacto ambiental de um item usado com frequência em pequenos ferimentos e descartado logo após o uso.
O reconhecimento foi anunciado em 17 de maio, quando o HADA venceu a etapa regional da competição.
Com o resultado, a dupla recebeu US$ 12,5 mil para seguir com o desenvolvimento da tecnologia, valor destinado à validação, ao aperfeiçoamento e à ampliação dos testes do biocurativo.
Curativo biodegradável nasceu de problema visto na quadra
A ideia surgiu durante atividades esportivas na escola, em jogos de vôlei.
Bernardo e Ísis observaram o uso frequente de curativos após pequenos cortes e machucados e passaram a pesquisar alternativas para reduzir o descarte de materiais com componentes plásticos.
A partir dessa observação, os dois buscaram ingredientes de origem vegetal que pudessem compor uma proteção para ferimentos superficiais.
A formulação chegou à combinação de aloe vera, popularmente conhecida como babosa, e camomila, plantas usadas em produtos associados ao cuidado da pele.
O HADA foi apresentado como um biocurativo.
Segundo a descrição do projeto no The Earth Prize, a finalidade é substituir bandagens plásticas convencionais por uma alternativa biodegradável e, ao mesmo tempo, auxiliar no processo de cicatrização de pequenas lesões.
Os dados divulgados até agora, porém, se referem a protótipos e testes iniciais.
Não há confirmação de aprovação regulatória para venda em larga escala ou uso médico amplo, etapa necessária para produtos destinados ao cuidado de feridas.

Babosa, camomila e decomposição em até 48 horas
Um dos principais pontos técnicos informados pela equipe é o tempo de decomposição.
De acordo com a organização do prêmio, o material se desfaz no solo em até 48 horas.
Curativos convencionais, por outro lado, podem conter plásticos, adesivos e outros componentes de descarte mais complexo.
Nos testes iniciais relatados pela premiação, os protótipos do HADA apresentaram aderência, flexibilidade e ação antimicrobiana.
Esses resultados indicam avanço na fase experimental, mas ainda não substituem avaliações independentes, ensaios regulatórios ou autorização formal para aplicação comercial.
A escolha dos ingredientes ajuda a explicar a linha de pesquisa adotada pelos estudantes.
A babosa aparece com frequência em formulações de cuidado da pele, enquanto a camomila é usada em produtos associados a efeito calmante.
No projeto, esses elementos foram incorporados a um material biodegradável voltado à proteção de ferimentos superficiais.
O nome do biocurativo também tem relação com a proposta.
Em reportagem da Band, o projeto foi apresentado com referência à palavra “hada”, de origem japonesa, associada à ideia de “pele”.
A escolha reforça a ligação entre o material desenvolvido e sua aplicação em lesões leves.
The Earth Prize 2026 e o prêmio para estudantes gaúchos
O The Earth Prize se apresenta como a maior competição ambiental e incubadora de ideias do mundo voltada a jovens de 13 a 19 anos.
Na edição de 2026, a premiação selecionou vencedores regionais em diferentes partes do mundo, incluindo América Central e do Sul, América do Norte, Europa, África, Ásia, Oriente Médio, Oceania e Sudeste Asiático.
Antes da vitória regional, o HADA já aparecia entre os projetos brasileiros classificados na lista de estudantes selecionados pela competição.
A página oficial do prêmio também registrou outras iniciativas do Brasil nessa etapa, o que mostra a presença de jovens brasileiros entre os concorrentes avaliados em 2026.
Além do prêmio em dinheiro, o projeto passou a ter maior visibilidade para buscar estrutura de laboratório, parcerias técnicas e acompanhamento especializado.
Segundo a organização do The Earth Prize, Bernardo e Ísis produziram quatro artigos de pesquisa e estabeleceram contato com instituições e especialistas do Rio Grande do Sul para avançar no desenvolvimento do biocurativo.
Essa etapa é considerada necessária porque produtos voltados a feridas dependem de processos técnicos e regulatórios.
Para chegar a escolas, centros esportivos, farmácias ou unidades de saúde, um curativo precisa passar por validação de segurança, padronização de produção, testes de desempenho e análise de órgãos competentes.

HADA venceu etapa regional, mas não ficou com título global
Após a conquista regional, o HADA participou da etapa global do The Earth Prize 2026 por meio de votação pública.
O resultado final foi anunciado em 29 de maio, e o título mundial ficou com o Plas-Stick, projeto de três estudantes da Índia que desenvolveram um pó biodegradável de tamarindo para remover microplásticos da água.
Com isso, Bernardo e Ísis não ficaram com o prêmio global, mas mantiveram o reconhecimento como vencedores regionais da América Central e do Sul.
O resultado garante o financiamento de US$ 12,5 mil, além da exposição internacional obtida durante a disputa.
No campo da ciência jovem, o caso mostra como um problema cotidiano pode originar uma pesquisa aplicada.
Um curativo usado após atividades esportivas serviu como ponto de partida para investigar alternativas de menor impacto ambiental em itens descartáveis ligados à saúde, higiene e primeiros socorros.
O avanço do HADA, agora, depende de etapas técnicas que costumam ocorrer depois da fase de protótipo.
Entre elas estão testes mais robustos, avaliação independente, definição de padrões de fabricação e análise sobre a viabilidade de produção em escala.

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