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A 130 quilômetros da costa e com turbinas de 260 metros de altura, o maior parque eólico offshore do mundo está sendo montado no fundo do Mar do Norte — quando pronto, suas 277 turbinas vão gerar energia para 6 milhões de casas no Reino Unido

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 22/04/2026 às 06:00
Parque eólico offshore Dogger Bank no Mar do Norte com dezenas de turbinas gigantes
Com 277 turbinas de até 260 metros de altura a 130 km da costa inglesa, o Dogger Bank será o maior parque eólico offshore do mundo — 3,6 GW de capacidade, energia para 6 milhões de casas.
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O maior parque eólico offshore do mundo está sendo erguido peça por peça no meio do Mar do Norte — e quando estiver pronto, 277 turbinas gigantes vão abastecer mais casas do que toda a população de Portugal

A mais de 130 quilômetros da costa nordeste da Inglaterra, onde o vento sopra sem parar e as ondas chegam a cinco metros de altura, centenas de trabalhadores enfrentam condições extremas para montar uma estrutura que redefine o que a energia eólica é capaz de fazer.

Segundo relatório de impacto econômico da BVG Associates, publicado em novembro de 2025, o Dogger Bank Wind Farm terá capacidade instalada de 3,6 gigawatts — o suficiente para abastecer 6 milhões de casas britânicas por ano.

Para ter uma ideia da escala, 6 milhões de residências equivalem a mais do que toda a população de Portugal.

Cada uma das 277 turbinas mede 260 metros de altura — mais que o dobro da Estátua da Liberdade. E todas ficam plantadas no fundo do oceano, a dezenas de metros de profundidade, enfrentando marés, correntes e tempestades do Atlântico Norte.

Três fases, três recordes: como o maior parque eólico offshore do mundo está sendo montado

O projeto é dividido em três fases — Dogger Bank A, B e C — cada uma com mais de 1 gigawatt de capacidade. As duas primeiras utilizam 95 turbinas GE Haliade-X de 13 megawatts cada. A terceira fase eleva a potência para 87 turbinas de 14 megawatts.

São as turbinas eólicas mais potentes já instaladas em escala comercial no planeta.

Em março de 2026, a primeira turbina da fase B foi erguida com sucesso. As fundações da fase C já foram todas instaladas até dezembro de 2025.

Quando todas as fases estiverem operacionais, previsto para 2027, o Dogger Bank vai superar o atual recordista, o Hornsea 2, que tem 1,3 GW — quase três vezes menor.

Técnicos fazendo manutenção em turbina eólica offshore Dogger Bank a 260 metros de altura
Técnicos de manutenção trabalham a 260 metros acima do Mar do Norte em uma das 277 turbinas GE Haliade-X do Dogger Bank.

Quem está por trás do maior parque eólico offshore do mundo

O empreendimento é uma joint venture entre três gigantes do setor energético.

A SSE Renewables, do Reino Unido, detém 40% de participação e lidera a operação. A norueguesa Equinor, uma das maiores empresas de energia do mundo e listada na Bolsa de Oslo, possui outros 40%.

Os 20% restantes pertencem à Vårgrønn, uma joint venture entre a Plenitude (braço de energias renováveis da italiana Eni) e a HitecVision.

Juntas, essas empresas investem o equivalente a mais de £6,1 bilhões na economia do Reino Unido — cerca de R$ 42 bilhões — gerando empregos em construção, operação e cadeia de suprimentos, com foco especial no nordeste da Inglaterra.

Uma tecnologia que nunca tinha sido usada no Reino Unido

Para transportar a energia gerada a 130 quilômetros da costa até o continente, o Dogger Bank utiliza pela primeira vez no Reino Unido a tecnologia HVDC — alta voltagem em corrente contínua.

Cabos submarinos percorrem todo o trajeto pelo fundo do mar, minimizando perdas de transmissão que seriam enormes em corrente alternada nessa distância.

Esse sistema é considerado um teste crucial. Se funcionar bem no Dogger Bank, vai abrir caminho para parques eólicos ainda mais distantes da costa no futuro.

Além disso, a padronização da tecnologia HVDC em todas as três fases reduz custos e simplifica manutenção a longo prazo.

Navio guindaste instalando fundações de turbinas eólicas no Mar do Norte
Navios especializados instalam fundações no leito marinho a mais de 130 km da costa para sustentar turbinas de 14 megawatts cada.

R$ 42 bilhões na economia e uma região transformada

O relatório da BVG Associates, encomendado pelos operadores do parque eólico offshore, detalha que o impacto econômico total na economia britânica será de £6,1 bilhões.

O nordeste da Inglaterra, historicamente dependente de indústrias pesadas em declínio, é o principal beneficiário. Portos como o de Teesside e Humber foram adaptados para montar e despachar as turbinas gigantes.

Milhares de empregos diretos e indiretos já foram criados em construção, engenharia, logística e manutenção. Após a conclusão, a operação do parque vai demandar equipes permanentes por décadas.

Em 2025, os operadores dobraram os fundos destinados a comunidades locais, reconhecendo o impacto da construção na rotina dos moradores da costa.

Para entender a escala: cada turbina é mais alta que dois campos de futebol empilhados

As turbinas GE Haliade-X do Dogger Bank têm 260 metros de altura total, desde a base na água até a ponta da pá mais alta.

Isso equivale a empilhar dois campos de futebol na vertical. Ou a quase dois terços da Torre Eiffel.

Uma única turbina de 14 megawatts gera energia suficiente para abastecer cerca de 16 mil residências por ano. As 277 turbinas juntas produzem 3,6 GW — mais do que muitas usinas nucleares convencionais.

Cada rotação das pás varre uma área maior do que um campo de futebol completo. E elas giram 24 horas por dia, 365 dias por ano, alimentadas por ventos que no Mar do Norte raramente param.

Cabo submarino HVDC sendo instalado para transmitir energia do parque eólico Dogger Bank
Cabos HVDC de alta voltagem em corrente contínua percorrem 130 km pelo fundo do mar — tecnologia pioneira no Reino Unido.

Os desafios de construir no meio do Mar do Norte

Trabalhar a 130 quilômetros da costa mais próxima significa que qualquer peça, ferramenta ou trabalhador precisa chegar de navio ou helicóptero.

As condições climáticas são imprevisíveis. Ondas de cinco metros, ventos de 100 km/h e temperaturas próximas de zero são rotina no inverno.

Janelas de instalação duram poucas horas. Uma turbina inteira — com nacelle, torre e pás — precisa ser montada em condições de mar calmo, o que limita o trabalho a poucos dias por mês durante o inverno britânico.

Mesmo assim, as equipes conseguiram concluir todas as fundações da fase C até dezembro de 2025, dentro do cronograma.

A contribuição silenciosa para o net zero

O Reino Unido se comprometeu a atingir emissões líquidas zero até 2050. O Dogger Bank, com seus 3,6 GW, é uma peça central dessa estratégia.

Somente este parque vai evitar milhões de toneladas de CO₂ por ano, substituindo energia que antes vinha de usinas a gás natural.

Ao mesmo tempo, a experiência acumulada na construção e operação do Dogger Bank está gerando conhecimento técnico que o Reino Unido pretende exportar.

Países como Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos já observam o projeto britânico como modelo para seus próprios planos de eólica offshore em águas profundas.

Nem tudo são ventos favoráveis

Apesar dos números impressionantes, o projeto enfrenta desafios que não podem ser ignorados.

A tecnologia HVDC, embora promissora, nunca foi testada nessa escala no Reino Unido. Qualquer falha nos cabos submarinos pode deixar milhões de casas sem energia por semanas.

O impacto na vida marinha também preocupa ambientalistas. O ruído da instalação das fundações e a presença física das estruturas alteram o habitat de peixes e mamíferos marinhos.

Além disso, o custo real pode superar as projeções. Projetos offshore historicamente enfrentam estouros de orçamento, e o Dogger Bank não está imune a isso.

Será que o vento do Mar do Norte vai justificar cada libra investida? Os próximos anos darão a resposta — mas, por enquanto, as 277 turbinas continuam subindo, uma a uma, no meio do oceano.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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