Seminário promovido pelo Correio e pelo Banco do Nordeste destaca o papel das energias renováveis no desenvolvimento sustentável do Nordeste e o fortalecimento de políticas públicas e financiamentos verdes.
O avanço das energias renováveis vem reposicionando o Nordeste brasileiro como uma das regiões mais estratégicas para o crescimento sustentável do país. Com abundância de recursos naturais, capacidade instalada recorde em energia solar e eólica e políticas públicas voltadas à transição ecológica, a região passou a ocupar papel central no debate nacional sobre desenvolvimento de baixo carbono.
Esse cenário estará no centro das discussões de um seminário promovido pelo Correio Braziliense, em parceria com o Banco do Nordeste (BNB), reunindo especialistas, autoridades e lideranças institucionais.
Carta oficial reconhece o Nordeste como indutor do desenvolvimento sustentável
Em setembro, o Ministério da Fazenda formalizou esse protagonismo ao entregar a Carta de Compromisso pela Transformação Ecológica do Nordeste. O documento reconhece que a região reúne condições únicas para liderar o desenvolvimento sustentável no Brasil, apoiado principalmente na expansão das energias renováveis e na valorização de seus ativos ambientais, sociais e culturais.
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Além da infraestrutura energética, a carta destaca a riqueza sociocultural e os saberes tradicionais como vetores de soluções inovadoras.
Práticas comunitárias adaptadas ao semiárido e modelos equilibrados de gestão dos ecossistemas aparecem como elementos fundamentais para uma transição regenerativa.
Banco do Nordeste integra inovação e sustentabilidade à estratégia institucional
Segundo Valdir Machado, gerente do Ambiente de Políticas de Desenvolvimento Sustentável do Banco do Nordeste, a atuação da instituição combina inovação e sustentabilidade de forma indissociável. Para ele, essa visão estratégica está incorporada ao próprio DNA do banco, orientando políticas de crédito e financiamento em toda a região.
A biodiversidade nordestina também aparece como diferencial competitivo. O documento destaca a Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro, além da sociobiodiversidade costeira e marinha.
Esses ambientes oferecem bases para cadeias produtivas da bioeconomia e para a exportação de tecnologias socioambientais, ampliando o alcance das energias renováveis e de soluções sustentáveis.
FNE Verde e linhas de crédito impulsionam projetos sustentáveis
Machado explicou que o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) é o principal instrumento do banco. Ele atende diferentes perfis de empreendedores, incluindo linhas como FNE Inovação e FNE Startup, além de crédito voltado ao microempreendedor.
“Nós temos uma linha chamada FNE Verde, que é uma das primeiras linhas de financiamentos sustentáveis de um banco público. Na década de 1990, o FNE Verde já existia, quando o ESG (sigla em inglês para Ambiental, Social e Governança ), ainda não estava tão amplamente difundido como hoje”, comentou.
Além disso, o banco opera o FNE Sol, voltado ao financiamento de sistemas de geração de energia por fontes renováveis para consumo próprio, e mantém forte atuação no apoio à inovação aplicada às energias renováveis.
Nordeste atrai indústrias de baixo carbono e energias limpas
Para o secretário-executivo adjunto do Ministério da Fazenda, Rafael Dubeux, o Nordeste ocupa uma posição estratégica para atrair indústrias intensivas em energia abastecidas por fontes limpas. Ele defende que o potencial regional deve ser utilizado para acelerar a industrialização de baixo carbono, gerar empregos, estimular a inovação e ampliar a competitividade brasileira.
Essa combinação entre infraestrutura energética limpa, políticas de financiamento e vocação industrial fortalece o papel das energias renováveis como eixo estrutural do desenvolvimento regional.
Fundo Clima amplia recursos e fortalece protagonismo regional
Dados do BNDES e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática mostram que o Fundo Clima encerrou 2024 com R$ 10,2 bilhões em crédito aprovado. O volume é quase dez vezes superior ao registrado no último ano do governo anterior.
Nesse contexto, o Nordeste foi a região onde os recursos mais cresceram proporcionalmente. Em 2024, foram aprovados R$ 1,8 bilhão, montante 35,3 vezes maior que os R$ 51 milhões registrados em 2022. O crescimento reforça a importância das energias renováveis e de projetos sustentáveis na captação desses recursos.
Seminário amplia debate sobre avanços e desafios
Valdir Machado explicou ainda que o FNE não cobre toda a demanda regional. Por isso, o Banco do Nordeste buscou ampliar sua atuação em parceria com o BNDES e estruturou, em 2023, sua primeira plataforma de finanças sustentáveis, abrindo caminho para novos instrumentos de captação.
Esses temas estarão no centro do CB Debate, realizado pelo Correio Braziliense em parceria com o Banco do Nordeste, na manhã de 4 de dezembro. O encontro discutirá avanços recentes e entraves que ainda desafiam a região, além de refletir sobre como o Nordeste pode seguir ampliando sua capacidade produtiva e social com base nas energias renováveis e na sustentabilidade. As inscrições são gratuitas e o evento será transmitido pelas redes sociais do jornal.

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