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DNA “preguiçoso” revela segredo das preguiças e mostra como genes saltadores podem explicar metabolismo lento e longevidade surpreendente

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 11/06/2026 às 20:54
Atualizado em 11/06/2026 às 20:56
Bicho-preguiça em árvore tropical, representando estudo sobre DNA, metabolismo lento e longevidade.
Imagem ilustrativa mostra bicho-preguiça em ambiente natural, tema ligado à pesquisa sobre genes, mitocôndrias e metabolismo lento.
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O estudo mostra que a aparente inércia das preguiças esconde uma adaptação genética sofisticada, ligada à economia de energia e à longevidade

Uma descoberta científica sobre o bicho-preguiça chamou atenção por mostrar que a lentidão desses animais vai muito além do comportamento observado nas árvores. O estudo publicado na revista BMC Biology analisou o genoma do bicho-preguiça-de-dois-dedos, conhecido como Choloepus didactylus, e revelou que sua baixa atividade está ligada a alterações profundas no DNA. A pesquisa, conduzida por uma equipe internacional com participação de cientistas brasileiros, indica que essa estratégia foi moldada ao longo de pelo menos 30 milhões de anos de evolução. O resultado mostra que o metabolismo reduzido não representa simples fraqueza, mas uma forma eficiente de poupar energia e ampliar a sobrevivência.

Revisão genética revela o segredo da lentidão

A mudança está relacionada à presença elevada de transposons, sequências genéticas capazes de se copiar e mudar de posição dentro do próprio DNA. Esses elementos, conhecidos como genes saltadores, existem em outros mamíferos, mas aparecem nas preguiças em níveis incomuns de atividade. A pesquisa aponta que essas alterações foram acumuladas em um ancestral comum das espécies modernas, o que ajuda a explicar por que a lentidão se tornou uma característica tão marcante. Esse conjunto genético reorganizou funções importantes do organismo e passou a influenciar diretamente a forma como esses animais produzem e consomem energia.

Impacto nas mitocôndrias reorganiza o gasto de energia

As mitocôndrias aparecem como uma das partes mais afetadas por essas mudanças genéticas, já que são responsáveis pela produção de energia nas células. Nas preguiças, esse sistema funciona em ritmo reduzido e gera um gasto metabólico muito menor. O estudo indica que esse consumo pode ser menos da metade do observado em mamíferos de tamanho semelhante. Esse funcionamento em câmera lenta ajuda o animal a sobreviver com pouca energia, mantendo uma rotina baseada em movimentos limitados, longos períodos nas árvores e baixa exposição a riscos.

Bicho-preguiça ao lado de microscópio e materiais de laboratório, representando pesquisa sobre DNA, mitocôndrias e metabolismo lento.
Preguiça em laboratório ilustra estudo sobre DNA e metabolismo.

Adaptações corporais ampliam a eficiência do organismo

O metabolismo lento não atua sozinho na sobrevivência das preguiças. Esses animais também ajustam parcialmente a temperatura corporal conforme o ambiente, o que reduz a necessidade de gastar energia para manter estabilidade térmica constante. A estratégia funciona bem nas árvores, onde passam a maior parte do tempo, mas cria vulnerabilidades em momentos específicos. A descida ao solo para defecar, por exemplo, está entre as situações de maior risco de predação. Mesmo com essa fragilidade, o conjunto de adaptações ajuda a explicar a longevidade surpreendente desses animais para o próprio tamanho.

Descoberta pode ajudar pesquisas sobre saúde humana

A bioinformata Marcela Uliano-Silva, pesquisadora sênior do Instituto Wellcome Sanger, no Reino Unido, e uma das coordenadoras do trabalho, destacou que a evolução já realizou bilhões de experimentos naturais. Para ela, animais incomuns podem revelar soluções biológicas que os humanos nunca desenvolveram. Pedro Galante, pesquisador do Hospital Sírio-Libanês e coautor principal do estudo, afirma que muitas doenças humanas envolvem falhas na produção de energia e na função mitocondrial. Esse conhecimento pode contribuir, no longo prazo, para estudos sobre envelhecimento, doenças metabólicas, preservação de tecidos, medicina intensiva e viagens espaciais de longa duração.

Estudo segue em laboratório para aprofundar os mecanismos

A equipe continua cultivando células de preguiças em laboratório para compreender melhor os mecanismos identificados no genoma. O campo de pesquisa ainda é pequeno, mas abre caminho para novas investigações sobre metabolismo, longevidade e adaptação celular. A análise mostra que a lentidão das preguiças não é apenas um traço curioso da natureza, e sim uma resposta evolutiva complexa. Ao observar um animal conhecido por quase não se mover, a ciência encontra pistas sobre como economizar energia pode ser uma das estratégias mais sofisticadas de sobrevivência.

O futuro das pesquisas sobre metabolismo lento

O estudo reforça que genes saltadores, mitocôndrias e metabolismo reduzido podem atuar juntos na construção de um organismo altamente adaptado ao próprio ambiente. Essa combinação ajuda a explicar como as preguiças transformaram a baixa atividade em vantagem evolutiva. A descoberta também amplia o interesse por animais incomuns, já que eles podem revelar caminhos inesperados para entender o funcionamento do corpo. Diante desse cenário, observar a lentidão das preguiças pode abrir novas perguntas sobre longevidade, energia celular e sobrevivência na natureza.

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Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

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