Muografia em túnel submerso mediu água e sedimentos em Xangai, revelou o efeito das marés e testou inspeção sem perfurar o teto.
Cientistas usaram partículas vindas do espaço que atravessaram água, concreto e sedimentos para examinar o que ficava acima de um túnel submerso em Xangai. A medição foi feita sem abrir o solo e sem perfurar o teto da obra.
A técnica recebeu o nome de muografia. Ela conta partículas naturais chamadas múons e usa a diferença na passagem delas para indicar mudanças nos materiais que ficam acima de um sensor.
Kim Siang Khaw, página acadêmica da Universidade Jiao Tong de Xangai, publicou em 16 de setembro de 2025 os resultados do piloto realizado no Túnel do Anel Externo de Xangai, sob o Rio Huangpu. O teste ocorreu durante a manutenção da estrutura, de março de 2024 a março de 2025.
-
China coloca no mar um gigante de 40 mil toneladas com catapulta eletromagnética para lançar drones, criando um porta-aviões anfíbio que mistura navio de desembarque, guerra robótica e poder naval no Pacífico.
-
Numa escola estadual de Nova Venécia (ES), a borra de café que iria pro lixo virou material de impressora 3D e já sai da máquina como telha reforçada com fibra de coco, dispensando as altas temperaturas que encarecem a impressão 3D comum
-
Rodovia inteligente de 13 km nos Estados Unidos passou a segurar carros nos acessos, ajustar a velocidade e agir antes que o congestionamento transforme cada entrada em uma longa fila
-
Astrônomos usam dados do Telescópio James Webb para reconstruir a trajetória do exoplaneta gigante que escapou da destruição de sua estrela: o gigante gasoso WD1856b sobreviveu à morte do astro, migrou bilhões de anos depois para uma órbita próxima e fica a 80 anos-luz da Terra
O que são os múons que chegam do espaço
Os múons são partículas produzidas quando raios cósmicos atingem a atmosfera da Terra. Eles atravessam o ar e chegam ao solo o tempo todo, inclusive em áreas urbanas.
Parte dessas partículas consegue passar por prédios, terra, água e concreto. A quantidade que chega ao detector muda quando existe mais ou menos material no caminho.
Essa diferença permite fazer uma leitura indireta do ambiente. A muografia não cria uma fotografia colorida do interior do solo, mas ajuda a perceber mudanças na quantidade de água, concreto e sedimentos acima de uma estrutura.
Como a muografia observou o túnel submerso em Xangai
O equipamento foi instalado dentro do Túnel do Anel Externo de Xangai. O detector contou os múons que conseguiam atravessar as camadas acima da obra, incluindo a água do rio, os sedimentos acumulados no leito e o concreto do teto.

Entre 26 e 27 de dezembro de 2024, a equipe percorreu o túnel com o aparelho portátil para fazer medições ao longo da estrutura. Os pontos de leitura ficaram separados por 50 m, criando um retrato geral das diferenças encontradas no trajeto.
Kim Siang Khaw, página acadêmica da Universidade Jiao Tong de Xangai, detalhou que a pesquisa juntou medições no local e simulações para comparar o comportamento das partículas com os materiais acima do túnel.
Quando a maré sobe, menos partículas chegam ao sensor
A água do Rio Huangpu também interfere na leitura. Quando a maré sobe, cresce a camada de água acima do túnel e uma quantidade menor de múons alcança o detector.
Quando a maré baixa, mais partículas conseguem atravessar o caminho até o aparelho. O piloto registrou uma redução de cerca de 4% no fluxo de múons para cada metro de aumento no nível da água.
Essa reação mostrou que a muografia consegue perceber mudanças causadas pelas marés. Mesmo assim, a leitura precisa ser analisada com cuidado, pois água e sedimentos podem alterar os resultados ao mesmo tempo.
Sedimentos sobre o túnel podem alterar a pressão sobre a estrutura
Sedimentos são materiais acumulados no fundo de rios, como areia, lama, argila e restos de matéria orgânica. Eles podem mudar de posição, aumentar de volume ou reter mais água ao longo do tempo.
Em um túnel submerso, essas mudanças podem alterar a carga que fica sobre o concreto. Quando o terreno se move de forma desigual, partes da obra podem sofrer pressões diferentes.
A inspeção de túnel submerso ajuda equipes de engenharia a acompanhar essas variações antes que elas exijam uma investigação mais profunda. A muografia pode oferecer um sinal complementar, sem exigir uma perfuração imediata no teto.
A técnica não substitui inspeções e ainda exige análise especializada
O teste em Xangai foi um piloto. Ele mostrou que os múons podem ajudar a acompanhar água e sedimentos acima de uma obra subterrânea, mas não criou um sistema pronto para qualquer túnel.

O detector usado no estudo recebia partículas por vários ângulos. Isso reduz a precisão para apontar exatamente onde está uma mudança dentro do solo ou dos sedimentos.
Também existem diferenças na densidade da água e do terreno. Uma camada de lama mais úmida, mais compacta ou misturada com outros materiais pode mudar a leitura das partículas.
Por isso, a muografia precisa de calibração, sensores adequados, simulações e profissionais capazes de interpretar os dados. Ela funciona como apoio para inspeções, não como resposta final para todos os riscos de uma obra.
Partículas invisíveis podem ajudar a vigiar obras sob rios
O piloto no Túnel do Anel Externo de Xangai mostrou que partículas cósmicas podem ser usadas para observar variações acima de uma estrutura submersa sem abrir buracos no solo ou perfurar o concreto.
A técnica ainda precisa de melhorias antes de virar rotina em obras subterrâneas, mas já revela uma possibilidade importante para acompanhar áreas difíceis de alcançar com métodos comuns.
Você acha que partículas vindas do espaço poderiam ajudar a identificar riscos em túneis, pontes e outras obras sob rios no Brasil? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe esta publicação.
