Pesquisa na Journal of Geophysical Research: Solid Earth indica que a Terra vem desacelerando sua rotação em milissegundos por dia, com aceleração do ritmo desde 2000, efeito ligado à Lua e à redistribuição de massa causada pelo derretimento de gelo, elevando oceanos e mudando o balanço do planeta no período.
A Terra está ficando, literalmente, um pouco mais “lenta” no giro que define a duração de cada dia. Um estudo publicado na Journal of Geophysical Research: Solid Earth aponta que os dias estão ficando mais longos em milissegundos, e que a velocidade dessa mudança chama atenção quando comparada ao que se observa ao longo de milhões de anos.
O fenômeno não altera a rotina de ninguém de um dia para o outro, mas mexe com um ponto sensível da ciência e da tecnologia: como a humanidade mede, sincroniza e projeta o tempo. E a explicação não está em um único motivo, e sim em forças que se somam, da Lua ao derretimento de gelo que redistribui massa no planeta.
O que quer dizer “dias mais longos” na prática
Quando se afirma que os dias estão mais longos, não significa que a Terra “ganhou horas”, e sim que o tempo de uma rotação completa está aumentando por frações muito pequenas, na escala de milissegundos. É uma mudança invisível para o relógio de pulso, mas real para medições científicas e sistemas que dependem de precisão.
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A Terra nunca foi um mecanismo perfeito e imóvel. A duração do dia varia porque o planeta é um sistema vivo, com interior dinâmico, superfície em transformação e atmosfera em movimento. Mesmo sem perceber, a Terra ajusta seu ritmo conforme forças externas e internas alteram, pouco a pouco, a forma como a massa fica distribuída e como o giro responde a isso.
Por que a Lua entra nessa história e não sai do radar

A Lua influencia diretamente a Terra por meio da gravidade. Esse “puxão” está ligado a efeitos que, ao longo do tempo, tendem a frear a rotação do planeta. Ao mesmo tempo, a dinâmica entre Terra e Lua também envolve mudanças na distância entre os dois corpos, um detalhe que ajuda a entender por que esse tema aparece sempre que se fala de rotação e marés.
O ponto central é que a Terra e a Lua funcionam como um sistema acoplado, em que energia e movimento se redistribuem. Por isso, quando o estudo destaca a ação da Lua como parte do quadro, a mensagem é objetiva: não é um evento isolado, e sim um processo contínuo, com impactos pequenos no curto prazo, mas importantes quando medidos em décadas e comparados com o registro geológico.
Como o derretimento de gelo muda o “equilíbrio” da Terra
O estudo também relaciona o ritmo recente da desaceleração da Terra, especialmente desde 2000, a um fator que ganhou força com as mudanças climáticas: a redistribuição de massa causada pelo derretimento de gelo, sobretudo nas regiões polares. Quando grandes volumes de gelo deixam de ficar concentrados em terra e passam a integrar os oceanos, o planeta reorganiza seu peso.
Esse mecanismo pode ser entendido como uma sequência: derretimento de gelo, elevação do nível do mar e redistribuição de massa. Quando o “peso” do planeta muda de lugar, o giro responde. O resultado esperado, segundo a explicação apresentada, é uma rotação ligeiramente mais lenta e, portanto, dias ligeiramente mais longos, mesmo que isso seja medido em milissegundos.
O que o estudo viu ao olhar para milhões de anos atrás
Para sustentar a ideia de que o ritmo recente chama atenção, os pesquisadores recorreram a evidências que ajudam a reconstituir variações ambientais ao longo do tempo geológico. O trabalho citado analisou fósseis de foraminíferos bentônicos, organismos marinhos microscópicos usados para registrar mudanças do ambiente ao longo de longos períodos.
Segundo o autor principal, Mostafa Kiani Shahvandi, a velocidade da mudança é o ponto que mais se destaca. Ele afirma que apenas uma vez, há cerca de 2 milhões de anos, a taxa de variação na duração do dia foi quase comparável, mas que nada foi tão rápido como o observado entre 2000 e 2020. Essa comparação não serve para dramatizar, e sim para contextualizar: a Terra já variou antes, porém o compasso atual foge do padrão recente em escalas muito longas.
Por que uma mudança “imperceptível” importa para ciência e tecnologia
Mesmo quando a Terra muda o comprimento do dia por milissegundos, isso entra no mapa de quem depende de tempo bem definido.
Sistemas de referência, sincronização e medições de alta precisão precisam levar em conta que o planeta não é um relógio fixo. Quanto mais a tecnologia exige precisão, mais a variação do tempo natural vira assunto prático.
Também há um aspecto científico maior: entender por que a Terra desacelera, quando acelera ou quando muda de ritmo ajuda a conectar peças que parecem distantes, como oceanos, gelo, nível do mar, marés e dinâmica do planeta.
O estudo chama atenção para uma convergência: a Lua continua exercendo seu papel, e as mudanças climáticas passam a pesar mais na balança, ao alterar a distribuição de massa que influencia a rotação.
A Terra não está “parando”, nem isso transforma o cotidiano de forma imediata, mas o estudo sugere que o planeta está ajustando seu giro num ritmo incomum, especialmente desde 2000, combinando a influência constante da Lua com a redistribuição de massa ligada ao derretimento de gelo e à elevação do nível do mar.
Quando o tempo do planeta muda, mesmo que por milissegundos, a pergunta deixa de ser “se” isso importa e passa a ser “onde” isso vai aparecer primeiro.
Com informações do portal NDMAIS.
Nos comentários, diga o que você acha mais convincente nessa explicação: a força da Lua, o derretimento de gelo e a redistribuição de massa, ou a soma dos dois fatores? E se você pudesse perguntar algo aos pesquisadores sobre a Terra e o “relógio” do planeta, qual seria a sua dúvida mais direta?
