1. Início
  2. Economia
  3. Fim de plataformas abre mercado de R$ 370 bilhões no Brasil e cria oportunidades para fornecedores e estaleiros
RJ
Faça um comentário 5 min de leitura

Fim de plataformas abre mercado de R$ 370 bilhões no Brasil e cria oportunidades para fornecedores e estaleiros

Imagem de perfil do autor Paulo Nogueira
Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 30/08/2026 às 15:53 Atualizado em 30/08/2026 às 16:41
Assista o vídeoEstaleiro com grandes estruturas navais e guindastes representa oportunidades do mercado de descomissionamento de plataformas no Brasil.
Estaleiros, fornecedores e empresas offshore podem ser beneficiados pela expansão do mercado brasileiro de descomissionamento de plataformas
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Projeções apresentadas indicam uma extensa carteira de descomissionamento até 2059; especialistas alertam que empresas brasileiras precisam se qualificar para manter contratos, empregos e investimentos no país

Quando uma plataforma de petróleo chega ao fim da vida útil, ela não pode simplesmente ser abandonada no mar. Os poços precisam ser fechados, equipamentos e estruturas devem receber uma destinação adequada e os resíduos necessitam de tratamento ambientalmente seguro.

Esse conjunto de atividades é chamado de descomissionamento. Além de representar uma obrigação técnica e ambiental das operadoras, o processo está abrindo um mercado bilionário para empresas de engenharia, logística, serviços offshore, reciclagem e construção naval.

O tema foi debatido durante o painel “Descomissionamento: regulação, economia e cadeia de serviços em construção”, realizado na Navalshore 2026, no Rio de Janeiro. A discussão reuniu representantes da Universidade Federal Fluminense, da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, da OceanPact, da FGV Energia e da Destri Energy.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Investimentos podem alcançar R$ 370 bilhões até 2059

Dados apresentados durante a conferência apontam aproximadamente R$ 370 bilhões em investimentos previstos no Brasil entre 2026 e 2059.

No horizonte mais próximo, a projeção supera R$ 65 bilhões até 2029. Somente para 2026, a estimativa apresentada com base em informações da ANP ultrapassa R$ 15 bilhões.

O país também possui mais de 55 unidades de produção com idade superior a 25 anos. À medida que plataformas, poços e sistemas submarinos mais antigos chegam ao fim de seus ciclos produtivos, aumenta a demanda por serviços especializados.

Durante o painel, os especialistas defenderam que o Brasil reúne condições para assumir uma posição de destaque nesse mercado. Entre as vantagens estão a experiência acumulada nas operações offshore, a atuação das agências reguladoras e a estrutura de fiscalização ambiental nos níveis federal, estadual e municipal.

Descomissionamento não termina com a retirada da plataforma

O descomissionamento envolve uma cadeia muito mais extensa do que a simples desmontagem de uma unidade.

O trabalho começa ainda no mar, com a interrupção definitiva da produção, o fechamento dos poços e a retirada ou destinação dos equipamentos instalados no fundo do oceano. Depois, a plataforma pode ser conduzida até um porto ou estaleiro, onde começa o processo de desmantelamento.

A etapa seguinte inclui a descaracterização da estrutura, a separação dos materiais que podem ser reaproveitados ou reciclados e o descarte ambientalmente adequado do que não possui outra destinação.

“O descomissionamento é uma cadeia”, resumiu Mauro Destri, CEO da Destri Energy, durante entrevista ao Click Petróleo e Gás.

Essa cadeia pode mobilizar embarcações de apoio, operações com equipamentos submarinos, inspeção, engenharia, serviços de corte, movimentação de cargas, limpeza e descontaminação, monitoramento ambiental, tratamento de materiais perigosos e reciclagem de grandes volumes de aço.

Painel descomissionamento navalshore 2026 (3)
Painel descomissionamento navalshore 2026 (4)
Painel descomissionamento navalshore 2026 (5)
Painel descomissionamento navalshore 2026 (6)
Painel descomissionamento navalshore 2026 (7)
Painel descomissionamento navalshore 2026 (8)
Painel descomissionamento navalshore 2026
Menino que saía pelas ruas do Paraná vendendo verduras e roupas infantis ao lado do pai caixeiro-viajante cresce, funda uma escola de idiomas (1)
Menino que saía pelas ruas do Paraná vendendo verduras e roupas infantis ao lado do pai caixeiro-viajante cresce, funda uma escola de idiomas
Carlos Wizard começou dando aulas particulares de inglês, criou a Wizard, expandiu o Grupo Multi para mais de 2.600 escolas e negociou sua participação no grupo.
Carlos Wizard começou dando aulas particulares de inglês, criou a Wizard, expandiu o Grupo Multi para mais de 2.600 escolas e negociou sua participação no grupo.
Total de imagens 10

Cadeia brasileira ainda está em formação

Apesar do potencial econômico, a indústria nacional ainda se encontra em uma fase de aprendizado.

Segundo Mauro Destri, o Brasil acumula aproximadamente 15 anos de experiência nessa atividade, enquanto outros mercados trabalham com descomissionamento há quatro ou cinco décadas.

“Essa cadeia no Brasil está começando a se montar agora. Nós somos jovens”, afirmou o especialista. Para ele, o país possui capacidade de aprender rapidamente, mas precisa ampliar a integração entre operadoras, grandes prestadores de serviços e fornecedores de menor porte.

A previsibilidade dos projetos é considerada fundamental. Antes de investir em equipamentos, licenças, certificações e capacitação, as empresas precisam conhecer o volume da demanda, os cronogramas e as exigências técnicas e ambientais de cada contrato.

Pequenas e médias empresas precisam adaptar suas soluções

O crescimento desse mercado também pode abrir espaço para fornecedores de terceira e quarta camadas, incluindo pequenas e médias empresas.

Entretanto, os produtos e serviços utilizados para construir e colocar uma plataforma em operação não são necessariamente os mesmos exigidos para retirá-la.

“Essas empresas precisam aprender o que é o processo. Elas estão muito acostumadas a vender para quem vai comissionar, mas descomissionar é diferente”, explicou Destri.

O especialista citou como exemplo os serviços de corte. Uma ferramenta inadequada pode danificar uma linha, dificultar o reaproveitamento dos materiais ou aumentar os riscos da operação. Isso cria demanda para o desenvolvimento de novos equipamentos, métodos e tecnologias específicos para a desmontagem.

Para participar dos contratos, os fornecedores precisam estudar as normas, compreender as etapas do processo e procurar as grandes empresas da cadeia para descobrir quais problemas podem solucionar.

Oportunidade também passa pela economia circular

A destinação dos materiais retirados das plataformas é outra frente relevante. Toneladas de aço, componentes industriais e equipamentos podem ser recuperadas e reinseridas na cadeia produtiva.

Quando executado de forma adequada, o descomissionamento reduz riscos ambientais, amplia a reciclagem e gera atividade para estaleiros e empresas em terra. O processo também pode contribuir para a ocupação da capacidade industrial instalada no país.

Por outro lado, a falta de infraestrutura, tecnologia, licenciamento e trabalhadores qualificados pode fazer com que parte dessas estruturas seja enviada ao exterior. Nesse cenário, o Brasil assumiria os custos e as responsabilidades pelo encerramento das operações, mas perderia uma parcela dos contratos, investimentos e empregos.

Regras e qualificação definirão quanto ficará no Brasil

O tamanho da carteira indica que o descomissionamento não será uma demanda isolada. A atividade deve movimentar a indústria offshore brasileira durante várias décadas.

O desafio agora é combinar regras claras, planejamento, infraestrutura portuária, capacidade dos estaleiros, tecnologia, segurança ambiental e formação profissional.

Se conseguir estruturar essa cadeia, o Brasil poderá transformar o fim da vida produtiva de plataformas e sistemas offshore em uma nova frente de negócios, inovação, reciclagem e geração de empregos para a indústria nacional.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Fonte
Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x