1. Início
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / Descoberta brasileira usa bactéria que ataca percevejo pelas patas e pode enfrentar praga ligada a R$ 12 bilhões em perdas na soja
Tempo de leitura 4 min de leitura Comentários 1 comentário

Descoberta brasileira usa bactéria que ataca percevejo pelas patas e pode enfrentar praga ligada a R$ 12 bilhões em perdas na soja

Publicado em 14/05/2026 às 08:52
Atualizado em 14/05/2026 às 08:54
Assista o vídeoBactéria, Descoberta, Praga
Imagem: Ilustração
  • Reação
  • Reação
2 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Pesquisadores da Unesp identificaram novo uso da bactéria Bacillus altitudinis contra o percevejo-marrom, praga que gerou perdas de R$ 12 bilhões na soja e desafia químicos tradicionais

Bacillus altitudinis pode abrir nova frente contra o percevejo-marrom, praga que gerou prejuízo estimado em R$ 12 bilhões na última safra de soja, após pesquisadores da Unesp registrarem mortalidade próxima de 80% em laboratório por contato pelas patas.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Bacillus altitudinis mira praga resistente

A descoberta foi feita por pesquisadores do INCT NanoAgro, ligado à Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, a Unesp. O grupo identificou um novo uso para a bactéria Bacillus altitudinis no controle do percevejo-marrom.

O inseto, Euschistus heros, é considerado uma das pragas mais difíceis de controlar na agricultura brasileira. Ele preocupa pesquisadores, consultores, empresas de defensivos e produtores de soja pelo impacto econômico e pela resitência crescente.

A bactéria já era conhecida por aplicações ligadas à promoção de crescimento vegetal e ao controle de doenças. No estudo, demonstrou elevada eficiência contra o percevejo-marrom.

O ponto central está no mecanismo de ação. A bactéria funcionou por contato tarsal, ou seja, pelas patas do inseto, estratégia ainda pouco explorada contra esse tipo de praga.

Ricardo Antonio Polanczyk, professor associado da Unesp e pesquisador do INCT NanoAgro, afirma que a variabilidade genética ajuda a explicar a resistência acelerada.

Ele cita uma frase comum entre pesquisadores da Embrapa: a cada 50 quilômetros existe uma população diferente do percevejo. Essa diversidade torna o manejo mais difícil.

Prejuízo cresce com queda de eficiência

O percevejo-marrom virou um problema econômico de grande escala não apenas pelos danos diretos à produtividade, mas também pela perda de eficiência dos químicos usados no manejo.

Em algumas regiões, doses de inseticidas que antes ficavam em torno de meio quilo por hectare passaram para um quilo e meio. Em outras áreas, populações resistentes respondem diferente a poucos quilômetros.

Dependendo da infestação, as perdas variam entre 49 quilos e 120 quilos por hectare, o equivalente a até duas sacas de soja.

O momento do ataque agrava o prejuízo. Leonardo Fernandes Fraceto afirma que o percevejo age no final do ciclo, no enchimento dos grãos, onde destrói a possibilidade de lucro do produtor.

Nos testes laboratoriais, enquanto muitos químicos entregam eficiência entre 30% e 40%, os pesquisadores alcançaram níveis próximos de 80% de mortalidade, resultado que atrai empresas do setor.

Bactéria contamina inseto pelas patas

O diferencial da Bacillus altitudinis está na forma de atuação. O percevejo se contamina enquanto caminha sobre a superfície tratada da planta, pela região das patas.

Polanczyk explica que isso é uma novidade porque o percevejo possui substâncias antifúngicas e camadas estáticas nas costas, o que dificulta o controle tradicional.

Produtos microbiológicos à base de Bacillus costumam depender da ingestão pelo inseto. No caso do percevejo-marrom, essa lógica encontra um obstáculo importante.

O inseto possui aparelho bucal sugador. Em vez de mastigar a superfície foliar, perfura diretamente o grão para sugar nutrientes, limitando a eficiência de muitos biológiocs convencionais.

Segundo Polanczyk, o problema do uso tradicional de Bacillus contra percevejos é que o inseto não ingere a bactéria aplicada na folha. Por isso, o contato tarsal virou a principal novidade.

Mercado de biológicos amplia interesse

A descoberta ocorre em meio à expansão global do mercado de biológicos, que supera US$ 13 bilhões, ou R$ 65 bilhões, segundo estimativas de consultorias internacionais.

No Brasil, o mercado de bioinsumos movimentou mais de R$ 6,2 bilhões em 2025 e alcançou área tratada de 194 milhões de hectares, conforme a CropLife Brasil.

O segmento deixou nichos ligados à agricultura orgânica e virou uma das principais apostas estratégicas da indústria de proteção de cultivos.

A resistência crescente de pragas, restrições regulatórias e demanda por soluções mais sustentáveis levaram multinacionais a acelerar aquisições, investimentos em biofábricas e acordos com startups e centros de pesquisa.

Nanotecnologia deve definir avanço comercial

A tecnologia do INCT NanoAgro está entre os níveis conhecidos como prova de conceito tecnológica. Isso significa que o organismo demonstrou eficiência em ambiente controlado, mas ainda precisa avançar.

O caminho inclui testes em casas de vegetação, validações regionais, escalonamento industrial e desenvolvimento de formulação comercial. Nessa etapa, a nanotecnologia deve ganhar protagonismo.

Fraceto afirma que o desafio não é apenas encontrar um organismo eficiente. A solução precisa garantir estabilidade, persistência e proteção contra radiação UV.

Em lavouras de soja, temperaturas acima de 40°C são comuns. Por isso, a sobrevivência do microrganismo em campo se torna fator decisivo para o sucesso comercial da tecnologia.

O INCT NanoAgro trabalha com encapsulamento de ativos biológicos, sistemas de liberação controlada e nanopartículas biogênicas produzidas a partir de organismos vivos.

A expectativa é que parcerias com empresas acelerem o desenvolvimento industrial. O prazo estimado para um produto comercial baseado nessa linhagem chegar ao mercado varia entre três e seis anos.

Até lá, o trabalho segue em laboratórios e áreas experimentais. Ainda faltam validações regionais e escala industrial.

Com informações de Forbes.

Inscreva-se
Notificar de
guest
1 Comentário
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Priscila Braga Santos
Priscila Braga Santos
14/05/2026 20:06

Eu não entendi muito bem, sobre essa reportagem que esta falando, sobre o que esta acontecendo com esse produto que vocês estão falando demais da conta. Se continuar falando muiyo com respeito de produtos e muito mais. Deste jeito assim, ninguém não sei poder comer, usar os produtos e muito mais. Até mesmo não vai biver. Poderia dar um jeito nisto tudinho que esta acontecendo, com tudo.

Romário Pereira de Carvalho

Já publiquei milhares de matérias em portais reconhecidos, sempre com foco em conteúdo informativo, direto e com valor para o leitor. Fique à vontade para enviar sugestões ou perguntas

Compartilhar em aplicativos
Ir para o vídeo em destaque
1
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x