A volta mais simbólica da Tijuca já começou com 3 fêmeas e 1 macho, reintrodução após 200 anos e uma meta ambiciosa de 50 araras para recolocar a espécie no céu carioca
Depois de 200 anos, o Rio voltou a ver a arara azul e amarela sobre a mata da Tijuca. O retorno recoloca uma espécie simbólica na paisagem e dá novo impulso à recuperação ambiental do parque.
Neste primeiro ciclo, 4 aves passaram por soltura controlada no Parque Nacional da Tijuca. A etapa abre caminho para ampliar o número de animais e recuperar funções que a floresta perdeu ao longo do tempo.
O efeito esperado vai além da imagem bonita no céu carioca. Com mais espécies de volta à mata, a dispersão de sementes pode crescer e a regeneração natural da área ganhar força.
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Parque Nacional da Tijuca volta a receber a espécie após 200 anos
A presença da arara azul e amarela no Rio era antiga, mas desapareceu da cidade depois do avanço do desmatamento e da captura de animais. Agora, a reintrodução recoloca a espécie em um dos pontos mais emblemáticos da floresta urbana.
O retorno tem peso ecológico e também afetivo. Para uma cidade cercada por mata e montanhas, ver novamente essas aves no alto da Tijuca muda a forma como o parque é percebido por moradores e visitantes.

Primeira fase teve 3 fêmeas, 1 macho e nova soltura em setembro
A fase inicial levou 3 fêmeas e 1 macho ao parque. Após 15 dias de soltura no início do ano, eles voltaram ao viveiro para monitoramento e devem ser liberados outra vez em setembro.
O plano é maior do que essa primeira etapa. Mais 6 araras devem chegar em breve, e a meta do projeto é alcançar 50 aves na área de reintrodução ao longo do processo.
Refaunação começou em 2010 com cutias e já trouxe bugios e jabutis
O trabalho de refaunação começou em 2010 com o retorno da cutia, animal importante para espalhar sementes pela floresta. Depois, o parque também voltou a receber bugios e jabutis de pés amarelos.
Segundo theguardian.org, o site britânico de jornalismo e cobertura internacional, cerca de dois terços dos mamíferos de médio e grande porte que viviam na Tijuca desapareceram ao longo do tempo. A reintrodução tenta recuperar parte desse vazio ecológico.
Araras podem carregar sementes por dezenas de quilômetros

As araras conseguem abrir frutos duros com o bico e ajudam a mover sementes pela mata. Como podem percorrer dezenas de quilômetros em um único dia, também têm potencial para levar esse material para além dos limites do parque.
Esse efeito se soma ao papel de outros animais já reintroduzidos. A cutia enterra sementes, o bugio ajuda na germinação, e a combinação desses movimentos fortalece a regeneração da floresta.
Beleza das aves virou desafio em parque com 5 milhões de visitantes
A mesma aparência que transformou a arara azul e amarela em símbolo da cidade também traz risco para a adaptação. O parque recebe cerca de 5 milhões de visitantes por ano, e o excesso de atenção pode prejudicar o comportamento das aves.
Por isso, a equipe tenta reduzir o contato humano e evitar a oferta de comida. A meta é fazer com que as araras reconheçam frutos nativos, recuperem musculatura e consigam viver com mais autonomia.
Se o projeto avançar como previsto, o Rio poderá voltar a ver grupos maiores de araras cruzando a mata da Tijuca e outras áreas próximas. Isso representa mais sementes espalhadas, mais equilíbrio ecológico e uma floresta com maior capacidade de se renovar.
O retorno dessas aves não serve apenas para compor uma cena marcante sobre a cidade. Ele recoloca peças perdidas do ecossistema no lugar certo e muda a relação do Rio de Janeiro com sua própria floresta.
