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Cientistas reconstruíram pela primeira vez o esqueleto completo do maior crocodilo que já existiu — ele tinha quase 10 metros, pesava como um elefante e era capaz de arrastar dinossauros para dentro da água

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Escrito por Douglas Avila Publicado em 21/04/2026 às 11:15
Esqueleto de Deinosuchus de 9,45 metros montado no Tellus Science Museum nos EUA
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Com 9,45 metros de comprimento — o tamanho de um ônibus escolar —, o Deinosuchus foi o maior crocodilo que já pisou na Terra, e agora cientistas montaram pela primeira vez uma réplica completa e cientificamente precisa do seu esqueleto

Ele tinha quase 10 metros de comprimento e pesava até 8 toneladas nos maiores espécimes.

Sua mandíbula media 2 metros e era capaz de esmagar ossos de dinossauros com uma mordida.

O Deinosuchus — que significa “crocodilo terrível” — viveu há cerca de 80 milhões de anos, durante o Cretáceo Tardio, em pântanos e rios do que hoje são os Estados Unidos.

Apesar de ser conhecido por fósseis fragmentados há mais de um século, nunca ninguém havia montado um esqueleto completo dele.

Até agora.

Segundo o Tellus Science Museum, na Geórgia, uma réplica de 9,45 metros foi montada em parceria com o paleontólogo David R. Schwimmer, que estuda o animal há mais de 40 anos.

Crânio fossilizado de Deinosuchus com dentes em laboratório
O crânio do Deinosuchus media até 1,31 metro — maior que a maioria das mesas de jantar.

Duas a três vezes maior que o maior crocodilo vivo do planeta

O maior crocodilo vivo hoje — o crocodilo-de-água-salgada — chega a 6 metros e 1 tonelada.

O Deinosuchus era até três vezes mais pesado e quase o dobro do comprimento.

Estimativas baseadas em vértebras e crânios indicam que os maiores indivíduos podiam ultrapassar 12 metros.

Seu crânio tinha um focinho largo, semelhante ao de um jacaré, com uma ponta bulbosa e quatro dentes no pré-maxilar.

A mandíbula inferior de 2 metros de comprimento foi reconstruída pela primeira vez nos anos 1950 por Edwin H. Colbert e Roland T. Bird.

Na época, eles estimaram o animal em mais de 15 metros — uma medida exagerada por falta de material comparativo.

Schwimmer, usando equações mais precisas, estimou entre 8 e 10 metros e cerca de 2 toneladas para espécimes médios.

O predador que emboscava dinossauros na beira da água

O Deinosuchus era um predador semiacuático de emboscada.

Ficava parcialmente submerso em rios e pântanos costeiros, esperando presas se aproximarem.

Marcas de mordida encontradas em ossos de dinossauros hadrossauros — herbívoros de grande porte — sugerem que ele atacava animais muito maiores que qualquer crocodilo atual ousaria enfrentar.

É como se um jacaré moderno decidisse caçar um rinoceronte — mas o Deinosuchus tinha o tamanho e a mandíbula para conseguir.

Por isso ganhou o apelido popular de “devorador de dinossauros”.

Pântano pré-histórico do Cretáceo com ciprestes e névoa
Os pântanos costeiros do Cretáceo nos EUA eram o habitat do Deinosuchus — um cenário que lembra os bayous da Louisiana atual.

Uma descoberta que começou em 1858 e levou 165 anos para ser completada

Os primeiros indícios do Deinosuchus apareceram em 1858, quando Ebenezer Emmons ilustrou dois dentes fósseis sem saber o que eram.

Em 1909, William Jacob Holland desenterrou os primeiros ossos em Montana e nomeou a espécie Deinosuchus hatcheri.

A escavação revelou osteodermos — as placas ósseas que cobrem o dorso —, vértebras, costelas e um osso pélvico.

Nos anos 1950, pesquisadores do Museu Americano de História Natural montaram uma reconstrução do crânio que ficou exposta por quase 50 anos.

Mas um esqueleto completo nunca havia sido montado, porque nenhum fóssil isolado continha ossos suficientes.

A réplica do Tellus Science Museum levou 2 anos para ser construída pela Triebold Paleontology, combinando dados de múltiplos espécimes e décadas de pesquisa de Schwimmer.

O paleontólogo que dedicou 40 anos a um crocodilo

David R. Schwimmer, professor da Columbus State University, estuda o Deinosuchus há mais de quatro décadas.

Em 2002, ele criou a primeira reconstrução computacional de 90% do crânio usando material craniano bem preservado.

A espécie Deinosuchus schwimmeri foi nomeada em sua homenagem.

O trabalho de campo de Schwimmer contou com apoio da National Geographic.

Segundo Christopher A. Brochu, paleontólogo especialista em crocodilianos: “Os osteodermos são suficientemente distintos para que mesmo fragmentos possam confirmar a presença de Deinosuchus.”

Crocodilo-de-água-salgada atual descansando na margem de rio
O maior crocodilo vivo, o de água salgada, chega a 6 metros e 1 tonelada — o Deinosuchus era três vezes mais pesado.

O mundo em que o Deinosuchus vivia

Há 80 milhões de anos, o sudeste dos Estados Unidos era coberto por pântanos costeiros tropicais.

O nível do mar era muito mais alto do que hoje, e grande parte do interior americano estava submerso.

Dinossauros herbívoros como os hadrossauros bebiam água nas margens desses pântanos.

Era exatamente ali que o Deinosuchus esperava.

Fósseis foram encontrados no Texas, Montana, Nova Jersey e Geórgia — indicando que o animal se distribuía por uma faixa ampla.

Deinosuchus vs. Sarcosuchus: a disputa pelo título de maior crocodilo

O Deinosuchus tem um rival na disputa pelo título de maior crocodiliano da história.

O Sarcosuchus imperator, que viveu na África há 112 milhões de anos, também podia atingir 12 metros.

Porém, o Deinosuchus tinha osteodermos mais robustos — sua armadura corporal era mais densa.

Ambos eram do tamanho de ônibus e caçavam animais muito maiores que eles, mas viveram em continentes e épocas diferentes.

Nunca se encontraram.

O que ainda não sabemos sobre o Deinosuchus

Até hoje, nenhum esqueleto completo real foi encontrado na natureza.

Todos os restos são fragmentários: pedaços de crânio, vértebras, osteodermos e costelas.

Isso torna as estimativas de tamanho variáveis — oscilam entre 8 e 15 metros dependendo do método.

Além disso, existe debate sobre quantas espécies existiram.

D. hatcheri e D. schwimmeri podem representar variações ou espécies distintas.

A réplica do Tellus Science Museum é a montagem mais precisa já feita, mas é uma reconstrução, não um fóssil original.

O próprio Schwimmer reconhece que o animal “continua sendo em grande parte um mistério envolto em uma armadura”.

Será que um dia encontraremos um esqueleto completo? Só o tempo — e muita escavação — dirá.

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Fabio pinho
Fabio pinho
21/04/2026 19:12

Crocodilo sim. Porém na Amazônia existia o purussauros,que média entre 11 e 12 m e trata-se de um antepassado dos jacarés.

Chupanchi
Chupanchi
Em resposta a  Douglas Avila
22/04/2026 17:59

No caso Purussaurus seria um jacaré literal mesmo, parente próximo do Jacaré de papo **** (Caiman latirostris) enquanto Deinosuchus nem sequer seria um Crocodiliano atualmente, e sim um Eusuquio. Com Purussaurus brasiliensis principalmente e Sarcosuchus hartti /imperator atualmente sendo maiores que Deinosuchus depois de sua diminuição de tamanho.

Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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