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De tropeços e quase vender filial no Brasil a 70% do mercado: como a Fini nasceu na Espanha, abriu a única fábrica fora de lá em Jundiaí e chegou a 400 franquias, com renome, exporta para mais de 100 países

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 02/01/2026 às 22:14
Atualizado em 02/01/2026 às 22:17
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Da pequena Molina de Segura ao interior paulista, a Fini atravessou décadas de tentativas, abriu em 2001 a única fábrica fora da Espanha, em Jundiaí, quase colocou a operação à venda em 2007 e virou líder absoluta, com cerca de 70% do mercado e 400 franquias no Brasil, e exporta.

Em 1998, os primeiros produtos da Fini chegaram ao mercado brasileiro por importadores locais e abriram um caminho que, na época, parecia improvável para uma marca de balas de gelatina ainda pouco conhecida por aqui. Em 1999, começaram as obras da unidade industrial e, em 2001, foi inaugurada em Jundiaí, no interior de São Paulo, a primeira e única fábrica fora da Espanha, criada para abastecer o Brasil e exportar para outros mercados.

A curva, porém, não foi linear. Em 2007, a operação brasileira chegou a ser colocada à venda e ninguém se interessou, num momento em que as balas de gelatina eram vistas como caras e fora do hábito nacional. A virada veio com adaptação de portfólio, franquias e distribuição: em 2012 nasceu o modelo de lojas, e em 2025 a Fini alcançou a marca de 400 franquias, com liderança estimada de cerca de 70% no segmento de balas de gelatina e regalis.

Antes do doce: a sequência de tropeços que construiu a Fini

Dom Manuel Sanchez Cano

A história da Fini começa com um empreendedor que insistiu até achar o setor certo. Dom Manuel Sanchez Cano, espanhol e filho de camponeses, iniciou cedo no comércio e passou por uma lista de tentativas que parecem um manual do que não deu certo, mas que virou aprendizado.

Ele vendeu hortaliças, montou uma fábrica modesta de detergentes e tentou fabricar “perdigones”, um tipo de munição não letal conhecido no Brasil como chumbinho.

Nada prosperou como esperado. Na década de 1960, tentou novamente com especiarias, produzindo orégano, extratos de pimenta e outros temperos.

Paralelamente, a família começou a fabricar chá, com um detalhe que dá a dimensão do começo: a produção era manual, dentro de casa, com saquinhos enchidos pela esposa e pelos filhos.

Mesmo assim, a rentabilidade não veio. E Manuel seguiu insistindo.

O ponto de virada: da goma de mascar à bala de gelatina

Ainda nos anos 60, Manuel migrou para bebidas alcoólicas e batizou o negócio como “Fin”. Só que havia um problema prático e cultural: para vender bebidas na Espanha, era comum visitar bares, sentar-se com os donos e beber junto.

Como ele fazia as vendas sozinho, muitas vezes voltava embriagado, e não queria que o futuro dos filhos dependesse dessa rotina.

Foi quando buscou alternativas e percebeu que fábricas de guloseimas locais estavam indo muito bem. Ele então passou a produzir goma base para chicletes, vendida para outras indústrias.

A grande virada financeira veio quando um cliente ofereceu uma quantia considerável para comprar a fórmula dessa goma base.

Com o dinheiro, Manuel adquiriu a própria máquina para produzir gomas de mascar e, a partir dali, o negócio familiar cresceu e se modernizou.

Esse período mostra o DNA que marca a Fini até hoje: testar, errar, ajustar e apostar em produto com escala.

1971: o nome vira marca e a família entra no jogo

O nome da marca foi uma homenagem à matriarca da família, Dona Josefa. Dom Manuel a chamava carinhosamente de Fina e Fini nasceu do apelido amoroso e diminutivo do seu nome.

O nome da marca que daria origem à Fini foi adotado em 1971 para identificar os doces produzidos pela família.

A inspiração foi uma homenagem à esposa, dona Josefa, chamada carinhosamente de Fina, e desse apelido veio o nome que passou a assinar as guloseimas.

A cena do início é quase cinematográfica, mas é também negócio puro: enquanto Manuel e Josefa produziam artesanalmente, os filhos embalavam e vendiam de bicicleta pelas ruas de Molina de Segura.

Com o tempo, vieram novos produtos além da bala de gelatina e das gomas de mascar, como regalis, marshmallows e uma gama crescente de guloseimas em formatos criativos.

Expansão internacional: Europa, América do Norte e um portfólio que não parava

No início dos anos 80, a empresa já estava consolidada na Espanha e começou a expandir para outros países da Europa. Depois, os produtos chegaram à América do Norte.

O diferencial era claro: ingredientes de qualidade e formatos divertidos, com balas de gelatina em versões como ursinhos, bananinhas, amoras, hambúrgueres, tubarões, estrelas e beijos, além de variações de chicletes e regalis em diversos formatos.

Esse portfólio amplo seria decisivo para o Brasil, mas ainda faltava adaptar o produto ao paladar e ao bolso do consumidor brasileiro.

1998 a 2001: a Fini chega ao Brasil e decide fabricar aqui

Foi somente em 1998 que os produtos chegaram ao Brasil via importadores.

O crescimento chamou a atenção de Antonio Andres, filho do fundador, que visitou o país e enxergou um potencial óbvio: o Brasil é populoso e, ao mesmo tempo, um grande produtor de açúcar, ingrediente central para guloseimas.

A abertura de uma fábrica no país virou assunto constante, as obras começaram em 1999 e, em 2001, a unidade de Jundiaí foi inaugurada como a primeira e única fábrica fora da Espanha.

A missão não era só atender o Brasil: também exportar para América Latina e Estados Unidos.

No começo, funcionou muito bem. Com moeda competitiva e custos baixos, cerca de 70% do faturamento da filial vinha de exportações.

A queda: câmbio, hábitos de consumo e o quase adeus em 2007

Depois, o cenário mudou. A instabilidade cambial e outros fatores reduziram a competitividade internacional, a fábrica passou a focar mais no mercado brasileiro e encontrou resistência.

Produtos campeões na Europa não tiveram a mesma aceitação aqui. As balas de gelatina eram pouco consumidas, vistas como caras, e o público estava acostumado a balas tradicionais, mais baratas.

Em 2007, a situação ficou tão crítica que a filial brasileira foi colocada à venda, mas ninguém se interessou.

O problema não era só preço. Era hábito. Para crescer, a Fini precisava fazer o maior número possível de pessoas experimentar, e ao mesmo tempo apresentar um tipo de doce quase desconhecido no consumo cotidiano nacional.

A virada no Brasil: adaptação, inovação e o produto que destravou tudo

Nos anos seguintes, a Fini passou a estudar o público brasileiro e entendeu que precisava adaptar sabores, formatos e estratégia de distribuição.

Em 2010, a fábrica de Jundiaí começou a produzir regalis, mais conhecidos como tubes, tubinhos recheados e açucarados que caíram rapidamente no gosto do consumidor.

Esse produto virou um dos mais vendidos da marca e ajudou a reposicionar a Fini como diversão acessível, e não apenas “bala cara”.

A partir daí, a marca começou a ter o que ela precisava para destravar a escala: produto certo, repetição de compra e presença constante em pontos de venda.

2012: franquias, quiosques e a Fini virando experiência

Em 2012, a empresa deu um passo decisivo: criou o modelo de franquias. Lojas e quiosques começaram a se espalhar pelo país em ritmo acelerado, ocupando shoppings, aeroportos, rodoviárias, parques de diversões e pontos de grande circulação.

Esse movimento teve um efeito que vai além do faturamento. A Fini virou experiência e ritual de lazer, associada a passeio, presente, diversão e consumo por impulso.

Ao mesmo tempo, fortaleceu o contato direto com o consumidor, o que ajudou a educar o mercado sobre balas de gelatina.

2017 a 2020: a Fini cresce com portfólio de 200 produtos e entra no bem-estar

A expansão também passou por novos públicos. Em 2017, a marca lançou a linha Natural Suites, com balas que incluíam colágeno, fibras, vitamina C, cálcio e vitamina D. A lógica foi acompanhar o envelhecimento do público, oferecendo itens para jovens e adultos, sem abandonar o universo infantil.

Em 2018, o portfólio já passava de 200 produtos. Naquele período, surgiram linhas inspiradas em emojis e até uma bala em formato de botijão, em parceria com a Ultra Gás.

Em 2019, a empresa diversificou mais: lançou uma linha de sorvetes em parceria com a Froneri e estreou a marca Dr. Good, de suplementos alimentares em gomas.

Em 2020, vieram duas novidades relevantes:

  • Frutier, com balas à base de gelatina vegetal, sem ingredientes de origem animal
  • Chocofine, unindo chocolate belga e balas de gelatina, criada especialmente para lojas e quiosques

Esse período consolida um ponto: a Fini não depende de um único item, ela se apoia em portfólio em expansão contínua.

2021: investimento de R$ 50 milhões e salto para 70% do mercado

A partir de 2021, a Fini entrou em fase de expansão acelerada e dobrou de tamanho em apenas dois anos. Para atender a demanda, investiu R$ 50 milhões na ampliação da fábrica de Jundiaí.

Nesse momento, a marca já tinha uma fatia estimada de cerca de 70% do mercado brasileiro de balas de gelatina e regalis, consolidando-se como líder absoluta do segmento.

2023: alto renome, parcerias e viralização que virou faturamento

Em 2023, a empresa conquistou no Brasil o reconhecimento de marca de alto renome, previsto na Lei da Propriedade Industrial, o que amplia a proteção do nome em diferentes setores.

No mesmo ano, lançou uma linha de hidratantes labiais em parceria com a Cimed e atingiu R$ 23 milhões de faturamento em apenas um mês, impulsionada por vídeos virais no TikTok.

Também em 2023, a marca ampliou o território com parcerias de peso:

  • Colorama, com esmaltes de aroma adocicado
  • Havaianas, com coleção de chinelos com cheiro de morango, banana e até das famosas dentaduras e minhoquinhas
  • Reserva, com coleção infantil de Halloween inspirada nas guloseimas
  • Outras colaborações que reforçaram presença além do setor alimentício

Essas ações mostram um padrão de marketing: a Fini transforma produto em cultura pop, levando a marca para categorias inesperadas.

2024 e 2025: distribuição, franquias e o tamanho real da operação

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Em 2024, a parceria com a Cimed foi renovada com uma linha de gel dental e enxaguante bucal nos sabores beijos e dentadura.

A marca também firmou outras parcerias com empresas como Sodiê Doces, Amonim, Balduco e Paçoquita, entre outras.

O crescimento recente também foi puxado por distribuição. Em 2023, uma parceria com o sistema Coca-Cola ampliou de forma significativa a presença da marca em pontos de venda no Brasil.

E em 2025, veio um número que sintetiza a rede: 400 franquias no país, com lojas que oferecem um portfólio exclusivo com mais de 100 produtos importados da Espanha, disponíveis apenas nos pontos da rede.

Por que o Brasil virou o maior mercado da Fini

Hoje, o mercado brasileiro é descrito como o maior do mundo para a Fini, superando até a operação espanhola.

E a empresa ainda enxerga espaço para crescer: o consumo médio no Brasil é de cerca de 350 g de balas de gelatina por ano, enquanto na Europa o consumo varia entre 1,5 e 6 kg anuais.

Na prática, isso significa que a liderança atual não é o teto, é o piso. Há uma reserva de crescimento embutida no hábito de consumo.

O que a Fini vende hoje além da bala clássica

A Fini mantém duas fábricas, uma na Espanha e outra no Brasil, exporta para mais de 100 países e permanece sob comando da família fundadora, com Manolo Sanchez, neto de Dom Manuel, como CEO global.

O portfólio vai muito além das balas de gelatina tradicionais. Entre linhas e categorias citadas, aparecem:

  • amoras, minhocas, bananas, ursinhos, dentaduras e beijos
  • tubes em várias versões, incluindo tubes tropical com sabores tangerina e pêssego
  • marshmallows com sabores criativos como pistache, pipoca doce e pamonha
  • edições especiais e coleções temáticas, incluindo universo Harry Potter
  • itens sazonais para Páscoa, com ovos de chocolate recheados com sabores da marca
  • linha profissional para confeitaria, com recheios e caldas especiais
  • expansão para outras categorias, incluindo material escolar, itens eletrônicos e colecionáveis

Esse conjunto explica por que a empresa deixou de ser apenas “bala de gelatina” e virou um ecossistema de produtos.

Qual foi a virada mais decisiva na sua opinião: a produção dos tubes em 2010, o modelo de franquias em 2012 ou a expansão de distribuição que explodiu a Fini pelo Brasil?

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Henrique Kloos
Henrique Kloos
03/01/2026 09:26

🇧🇷🫡 … O modelo de FRANQUIAS no Brasil em 2012… 👍🍬

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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